09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Descaso com a cultura caipira


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O Clube da Viola de Bauru teve seu projeto "Acordes de Viola" aprovado pelo Ponto de Cultura, projeto do Ministério da Cultura, financiado em 70% com verbas federais e 30% com verbas municipais. Conforme prevê o regulamento do projeto, só podemos gastar até R$ 500,00 mensais com pagamento de aluguel, água, energia elétrica, etc. O projeto do Clube da Viola é composto por oficinas de dança de Catira, Coral, Viola Caipira, Viola, Rádio Web, etc., assim seria preciso um espaço que atendesse todas essas atividades; com a verba que tínhamos disponível, seria impossível. Começamos, então, a procurar um local para instalar nosso projeto. Conseguimos junto à Secretaria da Cultura, com o então Secretário Pedro Romualdo, uma sala ao lado do Museu Municipal, nas dependências da antiga estação da Fepasa, cedida à Prefeitura de Bauru. Fizemos o pedido por meio de um ofício e tivemos o despacho positivo do Secretário. Durante o tempo em que preparávamos a sala, sai Pedro Romualdo e Dona Janira Bastos assumiu a Secretaria da Cultura. Sem qualquer comunicado, ignorando a autorização que tínhamos para usar o local, Dona Janira se apossou da nossa sala, alegando que não sabia de nada e, mesmo que soubesse, não seria obrigada a assumir compromissos do Secretário anterior.

Durante um bate papo com o Ricardo Oliveira, Secretário da Sear, contei-lhe o ocorrido e ele me levou até ao Artêmio Caetano, na época, Delegado Regional de Esporte e responsável pelo CSU (Centro Social Urbano). De imediato o Artêmio nos cedeu a sala que havia sido desocupada pela Polícia Militar nas dependências do CSU. O Pessoal do Ministério da Cultura, responsável pelo Ponto de Cultura, fez a vistoria e aprovou o local. Recebemos parte da verba, compramos os móveis, equipamentos de som, computadores e instrumentos e demos inícios aos trabalhos. Contávamos com mais 40 anos alunos nas oficinas de viola e de violão, com idades de oito a oitenta anos. Tudo ia muito bem, até que certo dia ao chegar ao local, percebi que tínhamos sido despejados. Nossas coisas estavam todas amontoadas num sala cheia de sujeira e goteiras e nossa sala estava sendo usada pelo pessoal da Sebes. Até hoje ainda não sei quem foi o responsável pelo despejo. Depois de muita luta, consegui reaver nossa sala, mas a alegria durou pouco; a Sebes entrou com pedido junto ao novo Diretor do CSU, alegando precisar da sala para instalar um telecentro. Como me recusei a sair, fomos novamente despejados e todos nossos móveis, computadores, equipamentos de som foram colocados numa sala ao lado do prédio do CSU; um local pequeno, imundo, cheio de cupim e outros insetos. O telecentro ? como todos os outros - até hoje não foi instalado, a sala está sendo usada para guardar merenda escolar da Sebes e todo nosso patrimônio, comprado com dinheiro público, está sendo deteriorado pelos cupins, formigas, etc..

Por diversas vezes, tentei falar com a secretária da Sebes, dona Darlene, que nunca me recebeu, sempre envia outra pessoa que nunca resolve nada para falar comigo. Já falei com o chefe de Gabinete do prefeito, tentei falar com o prefeito, falei com diversos secretários, inclusive com o Secretário de Cultura. Houve a promessa de ajuda para matar os cupins, reformar a sala onde estamos, mas nada aconteceu até agora. O Clube da Viola, com todos esses problemas, continua com as oficinas de Viola, Viola, Catira e Coral. Perdemos muito alunos, mas ainda temos alguns, inclusive crianças a partir de oito anos. Falei hoje com o senhor Lelo, novo Diretor do CSU que virá a Bauru no próximo dia 20 e me prometeu avaliar a situação. Só mesmo pedindo ajuda ao Estado, porque ao Município... Senhores, Prefeito e secretários, música caipira também é cultura.

Tião Camargo