De minha parte, louvo esse projeto do ex-vereador dr. Jose Roberto Martins Segalla, ex-promotor público e emérito professor de direito. Isso faz parte de nossa cultura e incentiva os jovens a abraçarem essa nobre carreira que é a aviação. Duas coisas nos honram escrevê-las.
Uma, o avião foi inventado por um grande brasileiro, Alberto Santos Dumont, que no dia 23 de outubro de 1906, na presença de juízes do Aeroclube de França, voou 60 metros com seu avião, "14-BIS". Foi a primeira vez que o homem conseguiu voar com um aparelho mais pesado que o ar. A segunda, um ilustre bauruense, o coronel aviador da reserva, Ozires Silva, que desde menino aficionado pela aviação, juntamente com seu saudoso amigo, apelidado de Zico, frequentavam o Aeroclube de Bauru, onde voavam planadores.
Incentivados pelo primeiro sargento, Antonio Sobreira, do exército, instrutor do Tiro de Guerra, local, ingressaram na escola de aeronáutica, no Rio de Janeiro, situada no Campo dos Afonsos.
O coronel Ozires interessou-se pela engenharia aeronáutica, ingressando no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica, formou-se engenheiro aeronáutico. Criada a Embraer, em novembro de 1969, e 29 de dezembro desse ano a diretoria. Tendo como diretor superintendente Ozires Silva, o Bandeirante fez seu primeiro voo oficial no dia 27 de outubro de 1968. Depois de criada a Embraer, essa aeronave foi produzida em série, graças a perspicácia do coronel Ozires.
Referindo-nos a museus aeronáuticos e aeronaves expostas, temos, na praça Bagatelle, em frente ao parque de material aeronáutico, no campo de marte, em São Paulo, existe lá uma réplica do "14-BIS". Existia, no Museu do Ipiranga, o hidroavião Jahú, que reformado lá se encontrava, exposto, quando da comemoração do IV centenário de São Paulo. Foi o jauense comandante João Ribeiro de Barros, que empresta seu nome a uma rodovia da região, no ano de 1927, junto com Newton Braga, o conheci nosso brigadeiro, fizeram a memorável travessa do Atlântico Sul.
Temos aqui próximo, em Bebedouro, um museu cuidado pela família Matarazzo que além de aviões antigos abriga carros antigos e peças de uso na guerra. Sabemos também que a TAM possui um, em São Carlos.
Ao visitarmos a terceira força aérea, em Brasília-DF, no seu pátio de entrada, existe um mirage III, lá exposto por gentileza do companheiro de aeronáutica o ex-primeiro sargento mecânico de avião e piloto civil, Edison Sanches, visitando a base aérea de Campo Grande-MS, presenteou-me com uma bela foto lá tirada, de um T-6 NA-Texas, avião de treinamento, usado pela força aérea, tipo de aeronave, voada pelo coronel Ozires, quando na ativa.
Com todo o respeito e poder de decisão da comissão que está estudando onde essa aeronave será exposta, eu daria a minha opinião para instalá-la no nosso aeroclube.
Não sou bauruense nato. Mas visitei esse aeroclube várias vezes, quando pousavam por aqui importantes empresas aéreas, e também a presença de altas autoridades da força aérea, dois, tive a honra de servi-los, o major brigadeiro do ar, Armando de Souza e Melo Araryboia, que comandava a antiga quarta zona aérea e Faria Lima, ainda coronel, nosso diretor no parque de aeronáutica de São Paulo.
Posteriormente, mudando-me para Bauru, e haver conhecido lá o primeiro tenente aviador Arnaldo Vissotto; um dia lendo um exemplar do Bauru Ilustrado, de abril de 2005, o ilustre jornalista e historiador Gabriel Ruiz Pelegrina publicou uma ampla matéria, de uma homenagem prestada ao tenente Vissotto, do seu regresso, em 1945, da segunda guerra mundial. O tenente Vissotto foi brevetado por este aeroclube e como a força aérea. Precisando aumentar o seu efetivo de voo, foi ele convocado para voar a eloesquadrilha de ligação e observação, ligada a FEB (Força Expedicionária Brasileira).
Esse intrépido oficial voava nos frágeis aviões teco-tecos, pipercub, moto 65H6 e 121 km/h, de velocidade. As vezes, por estar voando sobre os alpes suíços o disjuntor do carburador, congelava, o avião perdia altura de 300 a 600 metros, para não parar o motor totalmente. Esse tipo de aeronave, não possuía chave de partida e, em uma pane seca, vulgarmente chamada de jargão aeronáutico, só no solo, para funcioná-lo, pois a partida, era na hélice, girando-a, a mão. Aos amigos leitores aficionados pela aviação, o meu respeito pelas considerações que lhes aprouverem opinar.
Rubens Ferreira,aposentado