11 de julho de 2026
Nacional

Acusação de Mizael mostra fotos para sensibilizar

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

A acusação do julgamento de Mizael Bispo de Souza usou o tempo de debate para sensibilizar os jurados e convencê-los de que o ex-policial mentiu no depoimento sobre a morte de sua ex-namorada Mércia Nakashima. Para isso, eles mostraram fotos do corpo da advogada e de seu enterro, além de e-mails que o ex-policial trocou com ela.

Reprodução

A acusação do julgamento de Mizael Bispo de Souza usou o tempo de debate para sensibilizar os jurados

No momento em que as imagens do corpo da vítima sendo retirado da represa foram passadas aos jurados, dois deles choraram. Familiares da Mércia que acompanhavam o júri também se emocionaram.


Ao ler trechos de e-mails no júri, o assistente da acusação, Alexandre de Sá Domingues, tentou apontar as contradições dos depoimentos de Mizael e a real situação do relacionamento dele com a advogada antes de seu assassinato.


"O senhor Mizael vai ganhar um prêmio no final desse julgamento: do mentiroso do ano", disse o advogado.


Domingues mostrou aos jurados que, ao contrário do que o ex-policial afirma, ele perseguia Mércia, que chegou a trocar os telefones para não ter que falar com o réu.


Além das cartas apresentadas, a acusação leu trecho de depoimento de uma amiga da vítima a quem a advogada confidenciou que o ex-policial tinha muito ciúmes e que não desgrudava dela em momento algum.


Em outro e-mail apresentado no plenário, Mizael elencava 11 situações em que Mércia o magoou. Para o advogado, os pontos mostram como o ex-policial distorcia a realidade e tentava fazer com que a advogada fosse do jeito que ele assim desejava.


Já o promotor Rodrigo Merli Antunes destacou em sua fala que há provas técnicas suficientes que comprovam a presença do réu no local do crime e nas ações que a precederam. "Será que o mundo conspirou contra Mizael no dia 23 de maio, entre 18h37 e 22h12?", questiona ironicamente o promotor.


Ele retomou a discussão sobre a preservação de uma das principais provas que indicam que o ex-policial esteve na represa em que a advogada foi encontrada morta: a alga.


"Se a alga foi preservada em menos de 25 dias, com 18 dias, o doutor Bicudo poderia fazer a análise em 2011 que ela estaria lá, intacta. Ninguém plantou porcaria nenhuma. Até porque, que interesse se tem em condenar um inocente?", disse.


Ele também voltou a citar o registro das ligações telefônicas que indica que Mizael não estava em frente ao hospital de Guarulhos quando afirmava estar. "Ele tem dez mil álibis e ninguém nunca vem aqui confirmar a versão dele", disse.


A primeira parte do debate terminou por volta das 11h30 e a sessão foi interrompida para o almoço. O promotor já adiantou que pedirá réplica após a fala da defesa, que deverá levar uma hora e meia.