08 de julho de 2026
Geral

Meia hora basta

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 6 min

Malavolta Jr.

Muro e cobertura de um estacionamento desabaram sobre carros no Centro

Bastou meia hora de chuva forte para que o bauruense, mais uma vez, fosse castigado em diversos pontos da cidade. O temporal, que começou por volta das 16h de ontem, derrubou árvores, inundou e arrastou veículos, abriu cratera, congestionou o trânsito, arrancou placas de asfalto, provocou alagamentos por todo lado e quase fez transbordar o rio Bauru.

Ao todo, foram 30,2 milímetros de chuva, quase o equivalente à precipitação acumulada desde o início do mês de março até anteontem. Numa das ocorrências mais graves registradas ontem, um muro de um estacionamento, de cerca de oito metros de altura, desabou sobre quatro carros na rua Gérson França, esquina com a rua Cussy Junior, no Centro de Bauru.

Ao ceder, a parede levou consigo parte da cobertura metálica do estabelecimento. Já na

Quioshi Goto

Pedestres e motociclistas ilhados em frente à antiga estação ferroviária de Bauru, na Praça Machado de Mello

Praça Machado de Mello, em frente à antiga Estação Ferroviária, cerca de 15 carros que estavam estacionados foram inundados por um grande alagamento.

No local, pessoas ficaram ilhadas e outras, com água na altura dos joelhos, tentavam retirar suas motocicletas, que quase foram levadas pela força da enxurrada. Não teve a mesma sorte o funcionário público Manoel Castro, 50 anos, que teve o carro arrastado por mais de uma quadra na avenida Nações Unidas.

O veículo derrubou uma placa de sinalização e só parou quando atingiu um pedaço de concreto sobre o canteiro central (leia mais abaixo). Já na quadra 9 da rua Maria José, na Vila Nise, a chuva levou um Chevrolet Classic, que acabou colidindo contra a traseira de um Nissan March.

Uma das vias mais vulneráveis à ação das chuvas, a Nações Unidas, aliás, apresentou diversos problemas em toda sua extensão. Sob o viaduto da Fepasa, o tradicional alagamento voltou a se formar, mesmo depois da implantação de galerias na região. O local ficou intransitável até o início da noite nos dois sentidos da avenida.

Na altura da quadra 13, a rede de esgoto se rompeu e extravasou pelo bueiro, no meio da pista. Nas imediações do Parque Vitória Régia, placas enormes de asfalto foram arrancadas tanto na via principal quanto nas marginais, atrapalhando o fluxo de veículos.

Cratera

O trânsito também ficou bastante complicado em toda a extensão da avenida Duque de Caxias, com congestionamento em alguns pontos, o que demandou paciência dos motoristas. Na quadra 1 da avenida Rodrigues Alves, pedestres subiram no banco de um ponto de ônibus para se proteger da enxurrada.

Na Vila Universitária, moradores ficaram sem energia por conta da queda de um ipê, que derrubou a fiação elétrica e interditou o trânsito na quadra 10 da rua Abrahão Rahal (leia mais abaixo). Outra árvore, um flamboyant, caiu no canteiro central da avenida Comendador José da Silva Martha, na altura da quadra 1, sem que o tráfego fosse prejudicado.

Na Vila Falcão, a galeria de água da quadra 3 da rua Oscar Guimarães se rompeu e abriu uma cratera de cerca de dez metros de profundidade sob um muro, ameaçando uma residência e dois postes de iluminação. Pelo alto risco de desmoronamento, o local foi isolado e, até a noite de ontem, equipes da CPFL trabalhavam para desconectar os postes do restante da rede.

De acordo com a Defesa Civil, também foram registrados pontos de alagamento em várias ruas do Jardim Bela Vista, como a José Bonifácio, Olavo Bilac, Fernando Zuicker, Caetano Cariani, Padre Anchieta e Padre Nóbrega. O mesmo ocorreu na Praça Primaz Chujiro Otake (Praça do Relógio), nas quadras 20 a 27 da avenida Castelo Branco e quadras 1 a 4 da avenida Alfredo Maia. Nas imediações da avenida Comendador José da Silva Martha, próximo à linha férrea, o córrego Água da Forquilha transbordou e invadiu a rua Benevenuto Tiritan.


Veículo flutua sobre a Nações

“Foi questão de minutos. Eu estacionei o carro e, quando voltei, ele já não estava mais lá”. Ainda incrédulo, o funcionário público Manoel Castro, 50 anos, tentava explicar como seu carro, um Ford Fiesta, foi parar sobre o canteiro central da avenida Nações Unidas, durante a chuva de ontem.

Segundo o proprietário, ele havia estacionado o veículo quando já estava chovendo, para pegar uma guia de autorização médica em uma empresa de plano de saúde. Em poucos minutos, o nível da enxurrada se elevou e a via se transformou em um rio, que arrastou o Fiesta por mais de uma quadra.

O automóvel arrancou uma placa de sinalização e só parou quando atingiu um pedaço de concreto sobre o canteiro central. “Não tenho seguro e nem ideia de quanto terei de gastar para consertar o carro, que é meu único meio de transporte. A parte da frente ficou bastante danificada, mas minha preocupação é com a parte mecânica e elétrica”, disse, enquanto aguardava a chegada do mecânico e do guincho.


Ipê desaba na Vl. Universitária

Na Vila Universitária, um ipê já condenado e com copa frondosa desabou sobre a rua Abrahão Rahal, na altura da quadra 10, levando consigo a fiação da rede elétrica e um poste de energia da uma das residências.

Segundo a moradora Marilene Vialôgo, 65 anos, a solicitação para a retirada da árvore já havia sido feita há dois anos à prefeitura. “O ipê já tinha estragado todo o calçamento e a tubulação da minha casa, mas o pedido foi negado. Por sorte, não caiu em cima de nenhuma casa, carro ou pessoa”, reclama a aposentada.

Além de interditar a rua, a queda da árvore deixou os moradores sem eletricidade. Ainda ontem, o Corpo de Bombeiros trabalhava para retirar o ipê do local e a CPFL, para restabelecer o fornecimento de energia.


Alerta até abril

De acordo com a Defesa Civil, o alerta para as chuvas com potencial para provocar estragos segue até o dia 12 de abril, embora o verão se encerre, oficialmente, no dia 20 de março.  Nesse período, sempre que chover, a orientação é sempre permanecer em local seguro e evitar ultrapassar locais alagados. Para moradores de áreas de risco, o indicado é abandonar as edificações aos primeiros sinais de anormalidades, como trincas, rachaduras em paredes, muros e deslizamentos de terras, além do aumento do nível de rios e córregos.


Muro desaba sobre carros

O prejuízo do empresário Nilton Yanagui foi grande. O muro de cerca de oito metros de altura do estacionamento do qual é sócio-proprietário desabou sobre quatro carros, durante a forte chuva que atingiu Bauru, na tarde de ontem. 

Entre os veículos, estavam um Focus, um Fox e um Prisma, que foram danificados ainda pela cobertura metálica do estabelecimento, que também cedeu. Localizado na rua Gérson França, esquina com a rua Cussy Junior, no Centro de Bauru, o estabelecimento estava com o seguro vencido e Yanagui ainda não sabe como arcará com o prejuízo.  “Ainda vamos avaliar o que iremos fazer. Foi tudo muito rápido. A rua virou um rio. O volume de água foi muito grande e o muro não aguentou”, lamenta.

Os proprietários dos automóveis trabalham nos Correios, que fica a uma quadra do estacionamento. “Comprei meu carro há seis meses. Ainda estou pagando e o pior é que era meu primeiro carro zero quilômetro”, lamentou Hiroshi Hanawa, 35 anos, dono do Focus.

Do quarto andar do prédio em que trabalha, ele visualizou o estrago. “Estava lá em cima e escutei o barulho. Olhei e vi tudo destruído”, conta. Todos informaram que iriam registrar boletim de ocorrência (BO) no Plantão da Polícia Civil.

Gabriela Passy/Divulgação

Após chuva forte, avenida Nações Unidas se transformou em um rio na tarde desta sexta-feira (15)

Cleiton Xavier dos Santos/divulgação

Um leitor do JCNet enviou imagem do alagamento de uma das quadras da avenida Nações Unidas