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Malavolta Jr. |
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Jhonathan Willian Ferreira, 23 anos, confessou o assalto |
Seja em roubos ou furtos, um fato passou a preocupar a polícia em Bauru: a postura das vítimas. Os casos de reação contra os bandidos estão se tornando cada vez mais frequentes. Apesar de exemplos em que a ação deu certo, a orientação dos policiais é de que a pessoa não reaja em hipótese alguma. Para se ter uma ideia, somente esta semana, foram quatro ocorrências desse tipo.
No caso mais recente, um torneiro mecânico, de 59 anos, segurou o homem que, momentos antes, havia arrombado seu veículo e furtado vários objetos do interior do carro. “Na hora, a gente nem pensa. Nem fiquei com medo”, conta a vítima.
O crime ocorreu no meio da tarde de anteontem no Centro da cidade. Após o ladrão ser contido pelo torneiro mecânico, ele foi detido pela Polícia Militar (PM) e preso em flagrante pela Polícia Civil.
Nesse caso, a ação deu certo. Porém, de acordo com a polícia, a probabilidade de ocorrer uma tragédia é muito grande. Em um assalto esclarecido ontem (leia mais abaixo) pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG), o bandido chegou a atirar duas vezes contra a vítima. Por sorte, a arma travou.
“Ninguém deve duvidar de um criminoso. O risco em uma reação é muito grande. A vítima não sabe se o ladrão está entorpecido e o grau desse entorpecimento. Também, mesmo que não veja a arma, não dá para ter certeza que ele não esteja armado”, comenta o oficial de relações públicas do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), capitão Alan Terra.
O delegado seccional de Bauru, Marcos Mourão, também destaca que a reação nunca deve ocorrer. “Não compensa morrer por conta de um celular, por exemplo. Muitos criminosos portam armas brancas. Elas podem ferir gravemente e até matar. Mas o fato é que as reações vêm aumentando e estamos preocupados com isso”, alerta.
‘Zumbis’ e intolerância
Entretanto, o que estaria causando esse aumento de reações notado pela própria polícia? A resposta pode estar no comportamento da população e até na propagação dos “zumbis” do crack.
“Acho que isso é algo do perfil das pessoas também. Hoje, é inegável que a população está mais intolerante e violenta. Mas, é preciso ter calma e não reagir”, afirma Marcos Mourão.
Para o capitão Alan Terra, o sentimento de impunidade por conta da legislação branda ajuda a causar essa revolta nas vítimas. Aliado a isso, está o aumento de usuários de crack, que, desesperados, cometem crimes para alimentar o vício.
“Esses ‘drogaditos’ são verdadeiros ‘zumbis’ em vida. Eles são muito debilitados. Mas isso não quer dizer que a vítima possa enfrentá-los. Eles podem estar armados e muitos não têm nada a perder”, finaliza Terra.
Outros casos
Além do furto no Centro da cidade e do assalto solucionado ontem, outras duas ocorrências tiveram reações por parte das vítimas esta semana. Em uma delas, uma dupla de bandidos agrediu um idoso de 71 anos. Os ladrões não contavam com a reação de um vizinho, que é lutador de jiu-jitsu.
O caso ocorreu na quarta-feira, na Vila Coralina. A dupla formada por um jovem, de 21 anos, e outro, de 19, entrou na casa do idoso para roubar o local. Ele reagiu e foi agredido. Na fuga, os ladrões foram contidos pelo lutador.
No dia anterior, outra idosa, também de 71 anos, chegava em sua casa, no Jardim Redentor, quando viu um ladrão tentando quebrar sua janela. Nesse momento, o sobrinho da mulher, um almoxarife de 23 anos, correu atrás do ladrão.
O bandido, de 29 anos, foi detido em flagrante e alegou ser usuário de drogas. Segundo ele, estava justamente procurando algo para trocar por crack.