09 de julho de 2026
Nacional

Inflação no País já é preocupante


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Importantes economistas consultados pelo Broadcast, um dia antes da divulgação da ata da reunião do Copom que manteve a taxa básica de juros em 7,25% ao ano, concordam que a trajetória inflacionária é preocupante, mas discordam no que diz respeito à necessidade de o Banco Central elevar a Selic já em abril.

No mercado de juro futuro, a percepção dos analistas de que o aumento da Selic será em abril ganhou mais força depois que o presidente do BC, Alexandre Tombini, suprimiu de seu discurso feito no BC da Polônia a parte em que vinha demonstrando confiança de que a inflação desaceleraria a partir do segundo semestre.

Até então, a autoridade monetária vinha dizendo que confiava na desaceleração do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e na sua convergência para a meta na segunda metade de 2013, estimulada pela queda dos preços dos alimentos em resposta a uma safra recorde de grãos e manutenção da taxa de câmbio ao redor de R$ 2,00.

O discurso foi mudado em concordância com a supressão do comunicado que se seguiu ao término da reunião do Copom, na quarta-feira (13), da expressão “por período de tempo suficientemente prolongado”.

Para o ex-diretor de Política Monetária do BC e atual presidente da Fator Seguradora, Luís Eduardo Assis, Tombini mudou o discurso porque o mundo mudou e o cenário que existia em meados do ano passado não mais existe. O fato, de acordo com ele, é que a inflação hoje é a maior preocupação do governo e o raio de manobra para tomar medidas é pequeno. “Essas desonerações tributárias têm efeito pequeno e temporário”, critica.

De acordo com o presidente da Fator Seguradora, o governo tem razão de estar preocupado porque a inflação de alimentos tem rodado na casa de 12%, bem acima da inflação média.

Segundo Assis, o BC terá que elevar a taxa de juros de 0,25 ponto porcentual a 0,50 ponto já no Copom de abril. “Eles vão fazer o máximo para subir o mínimo, mas a subida é inevitável porque o timing é perverso”, diagnostica o ex-BC, acrescentando que daqui a pouco chegarão os aumentos de combustíveis e ônibus.

Sócio-diretor da Rosenberg & Associados, o economista José Augusto Arantes Savasini diz que não vai ter jeito. “O Copom vai ter que elevar a taxa de juros já em abril. Se não fizerem isso agora vai estourar em 2014, ano de eleição.”

A avaliação do Savasini é a de que no curto prazo a desoneração da cesta básica surtirá algum efeito na inflação. A Rosenberg trabalha com o IPCA fechando este ano em 5,8%. Já para o primeiro vice-presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), Fernando de Castro, o BC deverá aumentar a Selic em 0,50 ponto porcentual para 7,75% ao ano, mas só a partir do segundo semestre. Para ele, no curto prazo o governo continuará preferindo frear a inflação de forma não monetária.

O economista-chefe da Siemens do Brasil e professor de economia da PUC-SP, Antônio Correa de Lacerda, discorda que o BC elevará a Selic em abril. Ele trabalha com a taxa estável em 7,25% ao ano ao longo de 2013.

De acordo com Lacerda, não há como a inflação chegar ao centro da meta (4,5%), mas que 5,5% de inflação neste ano é plenamente factível. “Não seria o ideal, mas também não seria nenhum desastre. A média dos países em desenvolvimento está em 5%. Então estaríamos um pouco acima da média.”