Na última semana, mais precisamente no dia 14 de março, foi comemorado o Dia Nacional dos Animais. Na região de Bauru, várias cidades sofrem com o abandono de animais. Na maioria delas, a proteção dos cães e gatos é feita por associações e por organizações não governamentais (ongs). As prefeituras cooperam com verbas para a compra de ração e medicamentos. Fazem a vacinação contra raiva e, em raros casos, a castração dos machos.
Quem ama os animais se preocupa com eles e não os abandona por motivos fúteis, conclui a presidente da Associação Protetora Amigos dos Animais de Lençóis Paulista, Tânia Mazetto. Na opinião dela, as pessoas não praticam a posse responsável e descartam os animais como objetos.
“As pessoas desconsideram os sentimentos dos animais, descartam como se fosse um objeto que não tem mais valor. Não é falta de conscientização, porque aqui em Lençóis Paulista já fizemos e estamos fazendo novamente a distribuição de folderes orientando e explicando o que é a posse responsável. Os agentes de saúde levam de casa em casa, portanto, são conscientes e mesmo assim abandonam.”
O abandono acontece pelos mais diversos e fúteis motivos, na opinião dela. “As pessoas compram um filhote porque são todos lindos. Levam para casa e, quando o animal cresce, o proprietário percebe que a aquisição não era aquilo que ele queria. Teve um caso aqui na cidade que a mulher comprou um pitt bull. Depois resolveu engravidar e ficou com medo da relação do cachorro com a criança. Pretendia descartar o cão.”
Outro exemplo citado por Mazetto é daquelas pessoas que, depois de adquirirem o animal, resolvem mudar para apartamento. “Não acham para quem doar e abandonam nas piores situações. Inúmeras vezes encontramos cães amarrados sem água e comida, em locais ermos. Há ainda os casos de filhotes deixados nas estradas.”
Na cidade de Macatuba, a Ong São Francisco de Assis reclama da inércia das autoridades diante de casos graves de maus-tratos aos animais. A presidente da entidade, Cleide Adelina Rodrigues Portieri de Barros, confessa que o trabalho das voluntárias está caindo no descrédito porque as autoridades não tomam as providências, apenas registram o boletim de ocorrência. “A impunidade incentiva as pessoas a continuar abandonando os animais doentes e suas crias em situações precárias.”
As voluntárias da Associação Protetora dos Animais de Pederneiras também sofrem com o mesmo problema. Elas observam que em muitos casos, o próprio dono leva o animal para a entidade alegando que encontrou o animal abandonado. “A gente percebe porque o animal chega alimentado e bem tratado”, diz Maria de Lourdes Pavanelo Pereira.
Segundo ela, os gatos sofrem ainda mais, por conta do estigma do azar. “Os gatos pretos são abandonados em maior número e são os menos favoritos na hora da adoção. Tudo porque as pessoas acreditam que eles atraem coisas ruins.” Em Itapuí, a nova administração pretende colocar um chip nos animais para poder responsabilizar os donos por abandono e maus-tratos. Depende de parcerias e de um projeto de lei. Uma voluntária recolhe os animais errantes e procura um novo dono.
Abrigo está em obras em Pederneiras
Na cidade de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru), a proteção aos animais errantes é feita pela Associação Protetora dos Animais de Pederneiras (Apap), que há mais de 10 anos cuida de cães, gatos e animais vítimas de maus-tratos.
No abrigo, um espaço cedido pela prefeitura tem atualmente 10 cães e 140 gatos. O município custeia a alimentação e medicamentos, além de oferecer os serviços de um veterinário. Mensalmente são consumidos 17 sacos de ração para gatos e sete para os cães. Vale lembrar que cada embalagem do alimento contém 25 quilos.
Segundo a funcionária do abrigo Maria de Lourdes Pavanelo Pereira, o número de animais recolhidos varia muito, sendo certo que o maior volume de abandonados é de gatos. “Eles são os menos procurados para adoção. Os cachorros são adotados mais rapidamente.”
A adoção dos cães é feita em feiras promovidas periodicamente na cidade. “Já houve época em que tínhamos 27 cachorros. As pessoas chegam com vontade de adotar e não se importam com a raça. Os filhotes são mais facilmente adotados. Raramente aparecem filhotes de cão de raça. Quando isso acontece, são levados rapidamente.”
Os animais de grande porte, como os equinos, são recolhidos das ruas especialmente quando sofrem maus-tratos, lembra Lourdes Pereira.
“A recolha, nesses casos, é feita por um veículo da prefeitura. Animais de pequeno porte são recolhidos nos nossos próprios carros. Assim que chegam ao abrigo, eles são tratados, recebem alimentação e são castrados, antes de serem encaminhados para adoção. De 2009 a 2012 foram castrados dois mil animais, uma média de 500 ao ano.”
Os adotantes, segundo as voluntárias, no ato da adoção, são orientados sobre cuidados e assinam um termo de responsabilidade: a posse responsável. Durante um tempo, as voluntárias procuram visitar o cão para verificar como ele está sendo tratado.
Os cães e gatos recolhidos das ruas da cidade chegam acostumados à alimentação de humanos, enfatiza a funcionária. “Eles comem na rua. Normalmente se alimentam com restos de comida. Aqui faço arroz com fígado de frango e vou misturando ração, até eles se acostumarem.”
Serviço
O abrigo de Pederneiras está localizado na Rua Antônio Franceschi L -235, vila Industrial 7. Telefone de contato para denúncias: (14) 9714- 2396.
Ajuda de voluntários
A Associação Protetora dos Animais de Pederneiras (Apap) conta com um voluntariado que coopera com as ações voltadas à proteção dos animais. A maioria das voluntárias é mulher, só um homem está no quadro. Leandra Aparecida do Amaral Emer Rosa é uma delas. “Nós ajudamos na participação e organização de feiras, no desfile anual e na parte financeira.”
A renda dos eventos ajuda na compra de ração direcionada a famílias carentes que possuem cães ou gatos. “Nós incentivamos essas famílias a ficar com seus animais. Para amenizar as despesas, nós contribuímos com a ração e muitas vezes com os medicamentos. Para isso, temos que ter um caixa. Antes de contribuir, fazemos uma triagem para saber se a família realmente precisa.”
Há pessoas que fazem doações em dinheiro ou em objetos. “Já tivemos doações de um colar e com ele realizamos uma rifa. Fazemos eventos para ter caixa para a Apap.”
Reforma do abrigo
O abrigo da associação de Pederneiras (foto) passa por reformas para melhor acolher os animais. O gatil, onde ficam recolhidos os filhotes de gatos é provisório. A reforma que vai contemplar o espaço com cinco baias está prevista para ser concluída no final deste ano. O município pretende construir o Centro de Zoonoses. Além das baias, o abrigo vai ter um local apropriado para recolher os animais por 40 dias. “A área de quarentena é importante porque quando os animais chegam, nós não sabemos quais os perigos que eles oferecem aos demais. Chegam doentes, com sede e fome. Os filhotes são abandonados geralmente nas estradas.”
Lençóis retira das ruas apenas cães que ameacem a segurança
Na cidade de Lençóis Paulista, os animais errantes são livres para permanecer nas ruas. Exceto se eles forem bravios ou estejam comprometendo a segurança da população, explica o encarregado de Saúde Comunitária, José Aparecido dos Santos.
“Nós adotamos uma recomendação descrita na legislação estadual que diz que os cães errantes ou comunitários permaneçam no local onde se encontram. Nós podemos dar uma atenção no caso de castração.”
Já os cães errantes com histórico bravio, de mordedura e que estejam comprometendo a segurança dos munícipes, aqueles que apresentam sintomas de raiva ou doenças transmissíveis ou ainda aqueles que estejam em estágio final, são recolhidos pela prefeitura. “Os casos de maus-tratos são encaminhados à associação protetora dos animais. Se houver necessidade de um laudo para comprovar a violência contra o animal, o veterinário da prefeitura elabora.”
Lençóis tem um canil em que os dois veterinários contratados fazem a castração dos machos. “Realizamos a castração duas vezes por semana no canil. É gratuito e nosso foco são animais que vivem em residências de famílias carentes. As fêmeas são castradas pela associação.”
Santos enfatiza que o município pretende aumentar o número de castrações. “A questão da leishmaniose nos preocupa. Estamos fazendo um censo canino para ter melhor controle da situação. Na sequência, pretendemos reestruturar o local para poder atender mais e melhor.”
Associação não cobra castração de fêmeas
A Associação Protetora Amigos dos Animais de Lençóis Paulista fundada, há dois anos, tem apenas quatro voluntários e uma vontade enorme de proteger os animais que moram na rua. Com uma despesa mensal em torno de R$ 8 mil, maior parte do custo é com castração de cadelas e gatas, o voluntariado não poupa esforços para arrecadar fundos.
“Recebemos doações em dinheiro, depósito feito diretamente na conta. Vendemos camisetas, chaveiros, bandanas e adesivos. Participamos de eventos, nessas ocasiões vendemos doces, pizzas etc,” comenta a presidente da entidade, Tânia Mazetto.
O esforço proporciona à associação a possibilidade de castrar cerca de 50 fêmeas/mês. “Temos um convênio com as clínicas para que o custo seja menor. Para as famílias carentes com muitos animais, nós bancamos a castração toda”.
Mazetto lembra que os animais socorridos são atendidos e doados. “Nós não temos sede e quando precisamos recolhemos os animais no canil municipal. A construção da sede da associação está prevista para o próximo ano, junto a um novo canil. No atual, há baias e veterinários nos dois períodos. Eles consultam os animais de famílias carentes e castram os machos, gratuitamente.”
Ela enfatiza que a entidade está focada na castração das fêmeas para evitar que tenham crias indesejáveis. “Isso gera o abandono de filhotes pelas ruas, além dos maus-tratos e atropelamentos. É um problema de saúde pública.”
Serviço: Denúncias pelo telefone 3264-3817.
Itapuí pretende ‘chipar’ os animais
O número de cães e gatos na cidade de Itapuí ainda é desconhecido, mas até o final do ano esta situação deve mudar. É o que prevê o agente de saneamento César Augusto Thomazi. “Estamos assumindo o trabalho com a previsão de implementar vários itens a fim de proteger os animais. Pretendemos fazer o recenseamento canino para determinar o número exato. Estimamos que em Itapuí existam cerca de seis mil cães, entre domiciliados, semi-domiciliados e os de rua.”
A partir do recenseamento canino, o município irá buscar parcerias para conseguir ‘chipar’ os animais. “Estamos buscando parceria com a Unesp para conseguir implantação de chip nos animais. Precisamos de dados concretos. A parceria é necessária para garantir que a implantação do equipamento seja gratuita e obrigatória.”
A partir do censo, o município pretende encaminhar à Câmara um projeto de lei para advertir e punir aqueles que maltratam os animais ou abandonam. “Queremos encaminhar o projeto para as instâncias legais, para depois ter um local, não um canil, mas um abrigo para acolher animais em extrema necessidade. Só então vamos encaminhar para adoção.”
O projeto de castração está temporariamente suspenso. “Nosso projeto de castração é um dos pioneiros e modelo na região. Estávamos atendendo em torno de 40 animais/mês. Fazíamos o trabalho em machos e fêmeas, cães e gatos. Foi suspenso porque estamos adequando a nossa sala.”
Atualmente, os casos de animais maltratados no município são encaminhados para a polícia. “Não temos uma entidade para acolher. Temos uma voluntária que acolhe e coloca em nova casa. Nós orientamos a população. Estamos pensando em formalizar o atendimento, criando uma associação. Não temos centro de zoonoses e nem canil.”
Trabalho de formiguinha
Solange Rota Amantini, hoje primeira dama do município de Itapuí, ama cães e gatos. Mesmo antes de estar próxima da administração municipal, já fazia o trabalho de recolha de animais errantes. “Eu recolhia e levava para casa. Dependendo do caso levava para o veterinário e, com a ajuda da Internet e do boca a boca, encontrava um novo lar para o animal.” Atualmente ela abriga dois cachorros, mas já chegou a ter seis. “As pessoas me procuram quando observam um animal abandonado. Agora que estamos na administração, estamos nos programando para montar uma ONG.”
Voluntários lutam para proteger cães e gatos em Macatuba
Há 30 anos, Cleide Adelina Rodrigues Portieri de Barros, conhecida por Keka, cuida dos animais errantes da cidade de Macatuba. A maior dificuldade, segundo ela, é punir as pessoas que maltratam os animais.
Ela enfatiza que há cinco anos registrou a Ong São Francisco de Assis, embora ela e algumas pessoas que amam os animais já fizessem o trabalho de recolha e proteção de cães e gatos. “A maior dificuldade é fazer com que as autoridades tomem providências com as pessoas que maltratam os animais”, enfatiza.
Segundo ela, quando alguém denuncia um caso, a equipe de voluntários vai até o local, tira fotos e procura a delegacia, onde é registrado um boletim de ocorrência. “O caso termina aí. O BO não tem prosseguimento. A pessoa acusada de maltratar o animal nem é chamada. A impunidade incentiva os agressores. O nosso trabalho fica inócuo”, reclama.
Na opinião dela, são casos graves. “Mensalmente registramos em média 5 casos de maus-tratos. É de chorar. Os cães são abandonados em locais baldios, sem água, sem comida, sob forte sol e chuva. Normalmente estão amarrados a árvores, sem a menor chance de se libertarem. Alguns são encontrados cheios de larvas, carrapato etc.”
Esses animais chegam até a Ong totalmente debilitados. “Socorremos cães, gatos, passarinho e até capivara, porque aqui tem uma represa e é comum encontrar animais silvestre, feridos. Outro dia, uma cadela foi abandonada com 10 filhotes na estrada.”
Atualmente, o abrigo conta com nove cachorros e sete gatos. “As baias estão prontas, mas o gatil ainda não. O espaço foi cedido pela prefeitura, administração passada. Agora podemos amparar os animais. É um local de passagem, provisório. Estamos prestes a assinar um convênio, como já fizemos, para castração. A prefeitura dá uma verba para medicamentos.”
O tratamento veterinário, de acordo com a presidente da Ong é terceirizado. “Tem uma clínica que atende. Nós pagamos com a verba da prefeitura e com aquilo que arrecadamos nos eventos. Somos em 20 voluntários. Promovemos bazar da pechincha, festa da sobremesa, bingo etc.”
No ano de 2012 foram feitas 250 castrações gratuitas dentro do Projeto Castração Voluntária, em parceria com a Prefeitura de Macatuba e a Vigilância Sanitária.
O município aprovou o convênio de verba para medicamentos veterinários e cuidados com animais de rua e daqueles que vivem em famílias carentes. Denúncias: (14) 3268-1573, com Keka.
Bariri faz a vacinação de cães e gatos
A prefeitura de Bariri não tem Centro de Zoonoses. Faz a vacinação de cães e gatos anualmente, comenta a coordenadora da Vigilância Epidemiológica, Vânia Ferrari. “Os casos de maus-tratos são atendidos por uma associação protetora dos animais existente na cidade. O atendimento veterinário é feito por um voluntário que tem formação e atualmente é vereador e funcionário da vigilância sanitária.”
Segundo a coordenadora, o setor está sendo reestruturado. “Temos vários projetos. O prefeito está ampliando o canil que está cedido para a associação. A partir do 2º semestre, o local será reformado para a implantação de um projeto de castração de animais errantes.” A reportagem não conseguiu contato com a associação.