09 de julho de 2026
Nacional

Prejuízo de empresa de Eike Batista sobe quase 37 mil % em 2012

Folhapress
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As quedas da produção e do preço do minério de ferro em 2012 fizeram a MMX, empresa de mineração do grupo EBX, do empresário Eike Batista, amargar um prejuízo de R$ 795,7 milhões no ano passado, resultado 36.892% pior do que o prejuízo obtido pela empresa em 2011 (R$ 2,1 milhões).

Esta é mais uma péssima notícia para o grupo de Eike, que viu o valor de mercado das suas empresas encolherem desde o ano passado, fazendo com que o empresário deixasse de fazer parte dos dez homens mais ricos do mundo, segundo ranking da revista "Forbes".

A receita da empresa caiu 22%, para R$ 850,6 milhões, no período. De acordo com a MMX, o minério de ferro atingiu o nível mais baixo desde que se abandonou o sistema de precificação anual, chegando a US$ 88,50 a tonelada métrica.

A empresa observou, no entanto, que em 6 de setembro o preço se recuperou e subiu mais de 60% ao longo do quarto trimestre, fechando o ano em US$ 144,50 a tonelada métrica.

A capacidade de geração de caixa da MMX, medida pelo Ebitda (lucro antes de impostos, juros, apreciações e amortizações), saiu de um lucro de R$ 163,9 milhões em 2011 para um prejuízo de R$ 169,9 milhões no ano passado.

Em comunicado ao mercado, a mineradora justificou o aumento do prejuízo principalmente pelo reconhecimento das perdas, no quarto trimestre, obtidas com a desistência do projeto da companhia no Chile -no valor de aproximadamente R$ 224 milhões.

Além disso, houve ajuste do passivo de longo prazo representado pelo valor presente da expectativa do fluxo de pagamento de royalties, informou a MMX --sem, no entanto, informar o montante.

O caixa da MMX em dezembro do ano passado era de R$ 488 milhões, após o aporte de R$ 300 milhões feitos por Eike, referente ao exercício parcial de subscrição de ações da companhia.

Investimentos

Os investimentos em obras do porto Sudeste demandaram recursos da ordem de R$ 256 milhões e os investimentos no projeto Serra Azul somaram o montante de R$ 310 milhões.

A companhia fechou o ano com dívida líquida de R$ 2,683 bilhões, quase o triplo na comparação com os R$ 992 milhões registrados ao fim de 2011.

No quarto trimestre, a empresa registrou prejuízo de R$ 348,7 milhões -contra um lucro de R$ 69,2 milhões nos últimos três meses de 2011- e a receita foi de R$ 197,8 milhões -queda de 29% frente aos R$ 277,8 milhões do mesmo período do ano anterior.

Para o analista da corretora SLW Pedro Galdi, o resultado da MMX reflete a falta de investimentos para expandir a produção.

"O que a MMX produz e vende é o que o vento leva da Vale", explicou Galdi. A Vale encerrou 2012 com a venda de 303,4 milhões de toneladas métricas.

Galdi lembrou que mais uma vez uma empresa do Eike não entrega o que prometeu, o que deve irritar ainda mais o mercado, que já vem punindo fortemente as ações do grupo.