09 de julho de 2026
Nacional

Emoção marca velório de Emílio Santiago no Rio

Folhapress
| Tempo de leitura: 5 min

Reprodução

Cantor Emílio Santiago morreu na manhã desta quarta-feira (20)

Emocionada com a morte do colega Emílio Santiago, 66 anos, a cantora Nana Caymmi, foi uma das presenças no velório que acontece nesta quarta-feira (20), na Câmara de Vereadores do Rio.

 Ela contou que a amizade com Santiago surgiu da profissão. "Tivemos a mesma trajetória, ao mesmo tempo. Emílio Santiago foi um dos maiores cantores do Brasil. Era de um bom gosto impressionante. Era um grande intérprete", disse.

 A atriz Marília Pêra também compareceu ao velório e lembrou que a presença do cantor era constante em seus espetáculos. "Ele sempre me prestigiava. Tinha uma técnica vocal muito apurada. Um timbre de voz especialíssimo, uma coisa divina. A maior voz do país junto com a Nana Caymmi", disse.

Já a cantora Alcione afirmou que com a morte do colega, se sente meio viúva. "Ele era tudo, como se fosse da minha família. Grande amigo e grande irmão. O Brasil perde mais uma voz masculina. Agora só temos o Cauby (Peixoto)", disse, emocionada.

A cantora Elba Ramalho contou que pediu uma missa para a alma de Santiago e que o Brasil perdeu a segunda maior voz. A primeira, para ela, seria a de Cauby Peixoto. "Tínhamos uma grande amizade. Éramos vizinhos de sítio, e estou sentindo muito a sua perda. Emílio tinha um timbre maravilhoso e cantava de forma muito afinada."

A cantora Mart'Nália também compareceu ao velório. O secretário do cantor, Arcindo José, mais conhecido como Soca, falou que o cantor preparava-se para gravar um novo CD. No caixão, foram colocadas bandeiras do time do coração, Botafogo, e do Centro Cultural Cartola, da escola de samba do coração, Mangueira.

Amigo do cantor, o padre Jorge André, assessor do arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, afirmou que Emílio era um irmão na intimidade. "Quem desfrutava da intimidade dele sabia que ele era mais que um amigo, era um grande irmão", disse.

 O velório segue até a manhã desta quinta-feira (21) na Câmara. O enterro do corpo do cantor está marcado para às 11h de quinta no cemitério Memorial do Carmo, no bairro do Caju, zona norte do Rio.

A morte

O cantor e compositor Emílio Santiago morreu hoje, aos 66 anos, no Rio de Janeiro, segundo informou um assessor do cantor. Ele havia dado entrada no Hospital Samaritano, em Botafogo, no dia 7 de março, após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico.


Nascido no Rio de Janeiro, em 1946, formado em Direito, por insistência de seus pais, o cantor lançou seu primeiro compacto em 1973, com as músicas "Transas de Amor'' (Sebastião Tapajós e Marilena Amaral) e "Saravá Nega'' (Odibar). Com a repercussão, abandonou a carreira acadêmica para se dedicar à música.


No mesmo período, deu seus primeiros passos na vida artística como "crooner'' da orquestra formada pelo tecladista Ed Lincoln, cujo apelido era "O rei dos bailes''.


Ainda em 1975, o intérprete lançou seu primeiro LP, "Emílio Santiago", produzido por Durval Ferreira. No álbum, Santiado gravou temas de autores consagrados como João Donato ("Bananeira", Jorge Ben ("Brother") e João Nogueira e Paulo César Pinheiro ("Batendo a Porta").


Elogiado pela crítica -Sérgio Cabral escreveu na época: "Finalmente um cantor que canta"-, lançou em 1976 o disco "Brasileiríssimas". No repertório, sambas consagrados como "Aquarela Brasileira" (Silas Oliveira), "O Mestre-Sala dos Mares"/"De Frente pro Crime"/"Kid Cavaquinho" (João Bosco e Aldir Blanc) e "Argumento" (Paulinho da Viola).


Versátil, ele também deu voz ao bolero "Dois Pra Lá, Dois Pra Cá" (Bosco e Blanc) e à romântica "A Lua e Eu" (Cassiano).


Em 1977, Santiago lançou o disco "Feito pra Ouvir", considerado um dos melhores de sua carreira, com produção de Roberto Santtana e Roberto Menescal, e arranjos de Laércio de Freitas e J.T. Meirelles.


No restante da década de 1970, manteve sua carreira em ascensão, lançando um disco por ano, interpretando canções de compositores como Chico Buarque, Roberto Carlos, Jorge Aragão, Gilberto Gil, Gonzaguinha, Ary Barroso, Tom Jobim, entre outros.


Nos anos 1980, ganhou o prêmio MPB Shell por duas vezes, em 1982, com "Pelo Amor de Deus" (Paulo Debétio e Paulinho Resende), e em 1985, com "Elis, Elis" (Estavan Natolo Júnior e Marcelo Simões).


A convite de Menescal e Heleno Oliveira, lançou em 1988 o disco "Aquarela Brasileira". Com o sucesso do álbum, o cantor decidiu fazer uma série "Aquarela Brasileira", lançando mais seis volumes até 1995, que somaram mais de 3 milhões de cópias vendidas.


Em 1990, Santiago conquistou um dos maiores sucessos de sua carreira com a música "Verdade Chinesa", de Gilson e Carlos Colla.


Muito associado a um repertório romântico, lançou em 1996 um disco com a maioria das canções em espanhol, como "Piensa em Mi" (Agustin Lara), "Drume Negrita" (Ernesto Grenet Wood) e "Estrellitas y Duendes" (Juan Luiz Guerra).


Neste álbum, o intérprete emplacou a música de maior sucesso de sua carreira, "Saigon", de Cláudio Cartier, Paulo César Feital e Carlão.


Em 2003, ele voltou a lançar outro álbum elogiado, "Emílio Santiago Interpreta João Donato", reencontrando o pianista e compositor, de quem ele gravara "Bananeira" no começo de sua trajetória artística.


Dois anos depois, lançou o disco ao vivo "O Melhor das Aquarelas", coletânea de sucessos da série gravada por ele nas décadas de 1980 e 1990.


Em 2010, lançou com "Só Danço Samba", primeiro disco de seu selo, o Santiago Music, homenageando outro músico importante para o início de sua carreira, Ed Lincoln. Ano passado, "Só Danço Samba" foi lançado em DVD e também trazia temas de Lincoln como "Nunca Mais", "Olhou pra Mim" e "Deix'isso pra Lá".

 

Músicos lamentam morte

Nas redes sociais, a morte de Emilio Santiago teve uma repercussão instantânea. Músicos, atores e outras celebridades lamentaram a morte do cantor.

"O maior cantor do Brasil. Emilio Santiago partiu para o plano espiritual. Nos céus ele sempre esteve é um gigante. Que tristeza meu Deus." , Ed Motta, cantor, pelo Twitter


 "Emílio Santiago, uma das maiores vozes da musica popular brasileira! Vá com deus!! Descanse em paz!", Rafael Vannucci, cantor e empresário, pelo Twitter


 "Emílio Santiago, o nosso Lou Rawls. Grande voz, gente fina",  Ritchie, cantor e compositor, pelo Twitter


 "Estou triste demais com a morte de Emílio Santiago, um grande cantor." Glória Perez, autora de "Salve Jorge", da Globo, pelo Twitter


 "Morreu Emílio Santiago, o último cantor de verdade do Brasil. Cantoras temos muitas, compositores também. Mas cantores... Ele era o único." Aguinaldo Silva, autor de novelas, pelo Twitter


 "Muito triste com a morte do queridíssimo Emílio Santiago. Grande voz, grande cantor, grande pessoa!", Paula Lavigne, produtora, pelo Twitter

"Acordo com a notícia da morte do cantor Emílio Santiago. Triste. Tinha um plano de estreitar a amizade.",

Astrid Fontenelle,  apresentadora, pelo Twitter