08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

GOT não é uma vergonha


| Tempo de leitura: 4 min

Um dos males da maioria dos brasileiros é não assumir suas próprias responsabilidades e pensar que os outros são responsáveis pelas consequências das ações de cada um. Tanto é verdade que a maioria das pessoas que ler esse texto provavelmente não concordará comigo. A Tribuna do Leitor de 16/03/2013 trouxe um exemplo clássico do tipo de costume citado acima, nas linhas escritas pelo senhor José Luis de Oliveira, que execrou o GOT e o agente Carlos, que o multou por seu veículo estar estacionado por 5 minutos em um local que exige o uso do bilhete de Área Azul, enquanto o senhor José Luis de Oliveira fora comprar o referido bilhete. Desconheço a existência de um período mínimo de tolerância ao estacionar o carro, embora haja alguns minutos de tolerância ao final do período. Se houver tolerância ou previsão legal para tal no início do período, desconsiderem meu posicionamento.

Até posso entender a revolta do cidadão que foi multado. Eu também não ficaria feliz se isso acontecesse comigo - e pode acontecer com qualquer um -, mas a lei é feita para ser cumprida, embora a maioria dos brasileiros tente driblá-la, rotineiramente. Esse é outro mal do brasileiro, que reclama tanto de condutas aéticas dos agentes públicos, mas sempre que se vê em uma situação de aplicação coercitiva da lei tenta dar um jeitinho de resolver o problema sem que a lei seja efetivamente aplicada.

Compreendo que a orientação também seja uma prática inerente à função do GOT, mas qualquer pessoa sabe que o bilhete é obrigatório ao estacionar. A justificativa do autor da missiva é usual e faz parte da prática da maioria ? eu também já fiz isso diversas vezes - mas é possível comprar esses bilhetes em quantidade razoável para sempre ter em mãos quando necessitar parar o carro em local que exija seu uso. Aliás, é isso que farei daqui para frente, tendo em vista a experiência relatada pelo autor da referida nota.

O senhor José Luis de Oliveira escreveu que os agentes do GOT deveriam ter "jogo de cintura". Isso seria conduta típica de corrupção passiva privilegiada ? crime previsto no código penal brasileiro. Transformar os agentes do GOT em criminosos? Institucionalizar o "jeitinho"? Isso seria uma vergonha! O Agente Carlos simplesmente cumpriu sua função.

O Agente não teria como saber que o motorista havia estacionado e teria ido comprar um bilhete. Não foi possível orientar o condutor porque ele não estava lá. O agente deparou-se com um carro estacionado e sem o bilhete. Dessa forma, a multa foi aplicada coerentemente, em minha singela opinião.

Uma coisa é ficar bravo com uma despesa a mais que terá que se arcar por conta de uma multa, outra coisa é achar que um servidor tenha a obrigação de se corromper ou prevaricar. Os agentes são pagos para exercerem suas funções e multar é um dos atos de ofícios que eles têm o dever de cumprir. Ridicularizar uma classe de trabalhadores que estão nas ruas, faça chuva ou faça sol, exercendo suas funções é, no mínimo, desrespeitoso. Trabalhar não é vergonha para ninguém, seja a profissão que for!

O estar errado e querer estar certo é mais um dos problemas que temos. Embora seja revoltante pagar mais uma multa em um país tão cheio de impostos é o que se resta a fazer quando se descumpre a lei ? infelizmente.

"Jogo de cintura" é exceção e exceção vira regra. Ou aplica-se a lei, indistintamente, ou não se aplica. Que a orientação verbal seja usada sempre que possível e que a multa seja usada quando necessário. Certamente, não sou a favor da "indústria de multas", mas se uma multa é dada e a pessoa realmente cometeu a infração, então não há sentido em se reclamar ou ridicularizar uma classe de trabalhadores por conta disso.

Os agentes do GOT são pessoas que estudaram para passar em concurso público e exercem uma função que poucos gostam ou admiram, mas que é fundamental para a segurança do trânsito. Imaginem um mundo sem leis, sem regras? Um mundo onde tudo se resolva com "um jeitinho", com "jogo de cintura"? Estaríamos bem mais perto do caos do que já estamos.

Parabéns, agente Carlos. Você honrou sua função e a instituição que representa, mesmo com as imensas dificuldades e resistências que sua profissão enfrenta. Sua função e a instituição na qual trabalha são imprescindíveis para que a ordem seja mantida - Custe o que custar, doa no bolso de quem doer - inclusive no meu, se eu der motivo.

Gizele Regina Miranda dos Santos