Bauru tem, atualmente, 18.216 apartamentos com valores que variam de R$ 100 mil a R$ 6 milhões. A menor porção desse montante, o equivalente a 1%, está na faixa top, acima de R$ 3 milhões, conforme demonstrou o JC em matéria sobre a evolução da riqueza entre bauruenses no início deste mês. De outro lado, em algumas regiões não é possível mais aprovar empreendimentos por saturação da rede de esgoto que delimita a bacia da Avenida Nações Unidas, para onde é concentrado o despejo por gravidade a partir da região do Jardim Aeroporto.
Apesar de a Zona Sul ainda ser a região que concentra o maior número de apartamentos, aos poucos, este tipo de imóvel está migrando para os outros bairros da cidade.
“Grandes construtoras estão descentralizando a construção de edifícios, levando este tipo de imóvel para grandes bairros, como o Jardim Redentor, Terra Branca, Higienópolis, Vila Falcão e a região da Nações Norte, por exemplo”, explica Marcelo Mastroianni, gerente imobiliário.
Dentre os apartamentos da cidade, a maioria tem dois quartos e tamanho que varia entre 46 metros quadrados e 56 metros quadrados. Ao todo, eles somam 1.304 imóveis.
“Este número aumentou bastante nos últimos anos por conta dos prédios construídos direcionados ao público que se encaixa no Programa Minha Casa Minha Vida. Cada novo residencial tem, em média, 7 a 8 blocos com 16 ou mais apartamentos casa”, numera Marcelo.
O entrave no caso do MCMV é o custo do condomínio para a faixa de renda de até R$ 1.600,00. O JC demonstrou, no final do ano passado, que a inadimplência é de mais de 50% do número de moradores nesse segmento. Sem renda e com uma sucessão de problemas financeiros acumulados no tempo, esse público prefere direcionar o pouco que tem no bolso para pagar a prestação do financiamento, por exemplo, a quitar a taxa condominial.
A Prefeitura de Bauru, após o JC mostrar essa realidade no segundo semestre de 2012, decidiu apresentar proposta para isentar moradores/famílias com renda de zero a R$ 1.600,00 do pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) durante o período do contrato de financiamento firmado com a Caixa e, ainda, do pagamento do Imposto sobre Transmissão de Bens e Serviços (ITBI). O ITBI é cobrado na operação de compra e venda, com alíquota de 2,25% sobre o valor.
Mas, entre os imóveis de alto padrão, o eixo dos grandes loteamentos fechados na zona Sul continua sendo terreno preferido para empreendedores lançarem apartamentos a partir de R$ 3 milhões. Nesses locais, o requinte está acompanhado de padrão luxuoso de acabamento e “mimos” como sacada gourmet com direito a chopeira e churrasqueira integrados, ao mesmo tempo, com a cozinha e a sala de jantar, entre outros “ingredientes”.
Segundo o empresário do setor imobiliário João Assaf, nesse tipo de imóvel 60% da procura é para moradia. Na opinião do arquiteto e urbanista, Rodrigo Said (ex-secretário Municipal de Planejamento), a liquidez fácil resume o interesse por apartamentos.
Região do Aeroporto/Vitória Régia já está saturada de construções
A Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) vem resistindo à pressão de empreendedores e não aprovado a construção de empreendimentos na região do Jardim Aeroporto/Vila Universitária/Vitória Régia. Motivo: a saturação da rede de esgoto para o destino dos dejetos na bacia da Avenida Nações Unidas. Antiga, a tubulação sucumbiu à explosão de construções na região.
Segundo o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) não há o que fazer por algum tempo. “O custo de investimento para a substituição da rede por uma de maior dimensão, capacidade, é muito grande e não comporta a composição de custo para esses empreendimentos. A saída, por enquanto, tem sido o de orientar os empreendedores a construir em outras regiões também atrativas”, contou o prefeito.
A saturação da rede de esgoto da bacia da Nações Unidas havia sido levantada pelo prefeito no caderno especial de levantamento sobre o Desenvolvimento Urbano publicado pelo JC em setembro do ano passado, como parte do material de cobertura das Eleições 2012. O mapa desta página ilustra a concentração de construções já aprovadas ou realizadas na região.
Segundo a administração municipal, nos últimos dois anos, a região da Vila Universitária, Jardim Aeroporto e parte do Altos da Cidade contabilizou 35 mil novas unidades de moradia. “O boom da construção civil se concentrou muito nessa região e a tubulação do local concentra o esgoto na direção da bacia da Nações, sobretudo na altura do Vitória Régia. E a rede não comporta mais”, enfatizou Agostinho.
Outro ponto que o boom agravou é o abastecimento, já escasso em vários bairros. O contingente gerou adicional de 200 metros cúbicos de consumo de água. Com isso, bairros que não eram tidos como dentro do grupo de “risco” de desabastecimento agora entraram na lista. O Departamento de Água e Esgoto (DAE), segundo o governo, passou a não aprovar mais diretrizes de empreendimentos para a bacia do Vitória Régia em razão dessa situação.
Um dormitório
No ranking de procura e operação realizada, em segundo lugar está os apartamentos de um dormitório, com 599 imóveis, número que coloca Bauru em lugar de destaque em comparação com a região.
A justificativa para tal concentração de imóveis destinados à singles é o fato de Bauru concentrar diversas universidades públicas e particulares e, consequentemente, ser terra adotiva de dezenas de estudantes e ex-estudantes que vieram para Bauru, conseguiram bom posicionamento no mercado de trabalho e acabaram fincando raízes.
Os apartamentos com três dormitórios ficam em terceiro lugar neste ranking, com 400 unidades.
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