O agricultor Orivaldo Paterno da cidade de Iacanga (50 quilômetros de Bauru) é plantador de pimentões, e pela primeira vez está plantando pimenta doce e dedo de moça para diversificar a produção. A previsão dele é colher as pimentas picantes nos próximos 120 dias.
“Eu plantei 15 bandejas de pimenta doce (americana) e 10 de picante. Elas ainda estão brotando. A pimenta Caiena é a mais procurada, é uma variação da conhecida como dedo de moça. Toda a produção vai para o Ceagesp de São Paulo em consignação.”
A caiena, de acordo com o produtor demora de 100 a 120 dias para começar a produzir. “Do plantio até a primeira colheita são 120 dias. Mas se o frio ficar intenso, leva até 140 dias. A média por pé é de uma caixa em cada ciclo. Sou plantador de pimentão em estufa, a pimenta ardida é plantada no campo”, explica.
A produção da pimenta doce é mais rápida, segundo Paterno. “Do plantio a primeira colheita leva de 60 a 80 dias. A colheita é mais rápida porque se colhe verde. A média de produção é a mesma da picante, uma caixa por pé. Toda a produção vai para o Ceagesp/SP.
Sobre o preço, o produtor ainda não tem noção de quanto vai ganhar com as pimentas. “É a primeira vez que estou cultivando. O preço varia de acordo com a oferta e procura. Há épocas que o preço está bom.”
O agricultor alega que o grande problema de cultivar pimenta é o controle de pragas. “A pimenta apresenta problemas desde a hora do plantio até o fim do ciclo. Pragas e doenças costumam atacar e os agricultores têm que fazer o controle de pragas. A colheita é semanal depois que começa a produzir. Ela produz durante seis meses.”
Contra-indicações
No caso da gastrite, a pimenta pode ser prejudicial, se ingerida em grande quantidade. Ela provoca o aumento das enzimas digestivas, inclusive as ácidas, o que agravaria a gastrite, mas, mesmo aqui a pimenta não é mais maléfica do que café, suco de laranja ácida, refrigerante à base de cola, chips, frituras carregadas e abacaxi ácido - alimentos que também não são aconselháveis a quem sofre de gastrite. A pimenta não causa mais acidez do que esses alimentos.
No caso de hemorroidas, também se deve evitar o uso da pimenta, mas apenas em casos muito intensos, pois pode haver mais irritação do endotélio (e não dilatação das veias). Há tratamentos externos para lavagem do reto com pimenta diluída para as crises de hemorróidas. De modo geral, por precaução, recomenda-se que indivíduos com problemas no trato gastrintestinal (gastrite, úlcera, hemorróidas e outros) evitem a ingestão, uma vez que a capsaicina em excesso funciona como um agente agressor das mucosas.
Há também contra-indicações do uso da pimenta para pessoas que sofrem de refluxo gástrico, colite, psoríase, doenças de pele, mas não existem razões ou explicações científicas para isto. Mesmo para quem não sofre desses males, usada moderadamente, a pimenta é um ótimo tônico cardíaco, circulatório, anti-reumático, faz bem para quem tem artrite, artrose e melhora os sintomas gripais.
Para afastar o ‘mau-olhado’
O sabor ardido da pimenta lhe garante um lugar especial entre os místicos. A tese é que a pimenta afasta as más intenções com a mesma voracidade com que ataca o paladar dos consumidores. É considerada um amuleto pela tradição mística.
A bióloga Teresa Cristina Aragão Domingos Mastrangelli explica que as pessoas mantém a pimenta em casa por acreditar que ela protege contra mau-olhado e protege das energias negativas. “É a questão mística. Não podemos esquecer que a pimenta também é usada como conservante é depurativo do sangue, como diziam as pessoas mais antigas.”
Ações da pimenta
Descongestionante nasal
Prevenção de coágulos sanguíneos
Prevenção de ataques cardíacos
Prevenção de derrame cerebral
Tratamento de doenças circulatórias
Analgésico (uma aspirina natural)
Dissolução de muco dos pulmões
Redução do colesterol elevado
Expectorante
Indutor da termogênese (efeito de transformar parte das calorias dos alimentos em calor)
Antioxidante
Efeito preventivo contra a displasia prostática
Reduz de 15% a 30% o risco de câncer na próstata
Previne envelhecimento celular
Como antioxidante de rotina para indivíduos fumantes, que consomem álcool ou dietas ricas em gorduras
Protege contra radiação UV
Em conjunto com outros carotenóides, previne a degeneração molecular senil
Em mulheres, previne contra displasia cervical do colo uterino
Anticancerígena e estimulante dos mecanismos de defesa