O ex-presidente do Paquistão Pervez Musharraf voltou para seu país ontem, após quase quatro anos de autoexílio, para disputar eleições, apesar da possibilidade de ser preso e das ameaças de morte feitas pelo Taliban.
Musharraf espera recuperar influência para que seu partido possa ganhar assentos na eleição geral marcada para 11 de maio, quando enfrentará uma feroz concorrência, inclusive do homem que ele derrubou em um golpe militar.
“As pessoas disseram que eu não viria. Onde estão essas pessoas agora? As pessoas estavam tentando me assustar. Só temo a Deus, mais ninguém”, disse Musharraf no aeroporto de Karachi, onde foi recebido por mais de 1.000 pessoas. Também houve protetos contra a volta do ex-presidente em várias partes da Capital.
O ex-general do Exército, que tomou o poder em um golpe em 1999, renunciou em 2008 quando seus aliados perderam uma votação e um novo governo o ameaçou com impeachment. Ele deixou o país do sul asiático um ano depois.
Musharraf ficou longe dos numerosos problemas do Paquistão durante o seu exílio em Londres e Dubai, onde viveu em uma parte chique do emirado árabe do Golfo.
“Para onde foi o Paquistão que deixei cinco anos atrás? Meu coração chora lágrimas de sangue ao ver o estado do país hoje”, disse Musharraf. “Eu voltei para vocês. Quero restaurar o Paquistão que eu deixei.”
Musharraf não deixou claro como fará isso.
O ex-presidente pode ter problemas legais em breve. Ele enfrenta acusações de não fornecer segurança adequada à ex-primeira-ministra Benazir Bhutto antes de seu assassinato em 2007.
Atentado
Um atentado suicida em um posto de controle militar na região do Waziristão do Norte, no Paquistão, matou 17 pessoas, informou o Exército. Não houve reivindicação imediata de responsabilidade pelo ataque, ocorrido ontem e que levou o governo regional a impor um toque de recolher na região tribal perto da fronteira afegã.
Os militares responderam com disparos de morteiros e artilharia em direção a posições detidas pelo Taliban. Em um comunicado, as Forças Armadas disseram que 17 agentes de segurança “abraçaram o martírio”.
O Waziristão do Norte abriga alguns dos mais perigosos grupos militantes do mundo, incluindo o Taliban e a Al-Qaeda, que estão lutando para derrubar o governo de Isalamabd apoiado pelos EUA.