Na manhã de ontem, um homem ofertava serviços de instalação de TV a cabo nas casas do Jardim Terra Branca, em Bauru. Uma moradora afirma se lembrar bem dele. “Há dois meses, tive um prejuízo de quase R$ 5 mil”, conta. O prestador de serviços seria, na verdade, um criminoso. Até com uniforme, ele teria voltado ao bairro ontem. Casos de criminosos que se passam por prestadores de serviço estão se tornando frequentes na cidade.
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Neide Carlos |
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A moradora ficou somente com as embalagens |
A moradora do Terra Branca, que preferiu não se identificar, recebeu o falso funcionário em sua casa após ele dizer que instalava TV por assinatura e realizava pequenos consertos em eletrônicos. “Eu deixei duas câmeras digitais e três celulares com ele”, relembra a enfermeira, de 38 anos.
Além de sumir com os aparelhos, o ladrão ainda recebeu R$ 130,00 da vítima. “Não me conformo em como eu fui tonta”, relata. Após perceber algo suspeito, foi até a loja à qual o homem dizia pertencer e descobriu o golpe. Ela, na verdade, foi a quarta vítima.
“Ele voltou aqui ontem. Vizinhos tentaram enrolá-lo e acionaram a polícia. Mas, quando a viatura chegou, ele já tinha ido embora. No cartão que deixou ontem, o telefone não existe”, conta a enfermeira.
No último dia 13, outra vítima, agora no Jardim Gasparini, caiu em golpe semelhante. Uma dupla também se passou por representantes técnicos de uma empresa de TV a cabo e furtou R$ 150,00.
Na casa, havia somente duas irmãs, com idades de 77 e 82 anos. “Enquanto um deles ficou conversando comigo perto da televisão, o outro ficou junto com a minha irmã. Ele pediu água por duas vezes e, em um delas, pegou uma pequena bolsa com o dinheiro”, relembra.
Modo de operação bastante semelhante ao golpe do botijão, que já fez, conforme o JC divulgou anteontem, três vítimas nos últimos 20 dias (leia mais abaixo). Neste, só muda a falsa prestadora de serviços.
Precaução
Os casos seguem em investigação pela Polícia Civil. Contudo, o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Kleber Granja, afirma que grande parte da segurança nesses casos está na prevenção.
“Os alvos preferidos dos criminosos são idosos. Os ladrões não agem de forma aleatória”, aponta o delegado. “Antes de abrir a porta, passar dados ou dar dinheiro, é preciso que a pessoa cheque se o funcionário que está ali é mesmo de onde ele diz ser”.
Para isso, o morador deve procurar um telefone oficial da empresa. “Não adianta ligar no número que o funcionário passar. Pode haver um comparsa do outro lado da linha que confirme isso”.
Outra recomendação da polícia é de que o morador, dependendo de sua situação, peça para o funcionário voltar em outra hora, quando haverá mais alguém na casa. “Se a pessoa tomar cuidados, o criminoso deve fugir na maior parte das vezes. O que ele procura é facilidade”, finaliza Kleber Granja.
Golpe do botijão de gás já fez três vítimas
Além de se passar por técnicos de empresas de TV a cabo, outro disfarce usado pelos criminosos em Bauru nos últimos dias é o de funcionários de uma empresa de gás. Com a desculpa de consertar um vazamento, a dupla entra na casa, distrai a vítima e furta.
Conforme o JC divulgou anteontem, já são três vítimas nos últimos 20 dias. A mais recente foi na Vila Nova Paulista, quando uma aposentada, de 72 anos, recebeu a dupla, formada por um homem magro alto e outro obeso baixo. Na ocasião, eles levaram uma bolsa com documentos, cartões bancários e R$ 70,00.
Na última sexta-feira, o prejuízo foi ainda maior para um aposentado, de 62 anos. A dupla levou da casa da vítima os cartões, documentos e R$ 1 mil. Horas depois, ainda tentou sacar dinheiro no banco, porém, sem sucesso.
No último dia 7, foi a vez de uma mulher, de 82 anos, cair no golpe. A dupla a distraiu e furtou o cartão bancário e a senha da aposentada. Depois, fizeram um saque de R$ 1 mil de sua conta.
Outras ‘peles’
A prática de utilizar uniformes falsos para entrar em casas e cometer crimes sempre preocupou a polícia em Bauru. E não é somente sob a “pele” de prestadores de serviço que os bandidos agem. No mês passado, uma pensionista do Exército, de 65 anos, perdeu R$ 400. O criminoso teria se passado por um agente do Fundo de Saúde do Exército (Fusex).
No fim de 2011, vários crimes foram cometidos em Bauru por bandidos que se passavam por funcionários da CPFL Paulista. Segundo as vítimas, além do uniforme da empresa e de equipamentos para uma suposta medição de energia, os bandidos usavam até crachás de identificação.
“Abrir a porta para alguém é algo muito perigoso. Além desses furtos que vêm ocorrendo, a pessoa pode ser vítima de um crime bem mais grave, como um sequestro ou um estupro, por exemplo”, alerta o delegado Kleber Granja.