11 de julho de 2026
Articulistas

Dívida da Cohab: análise tem que ser cartesiana

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

A dívida milionária da Cohab Bauru começa a ser entendida pelos vereadores da cidade. Evidentemente que a recente reunião da comitiva de vereadores, em Brasília, com os representantes da Caixa Federal, não foi suficiente para entender totalmente a causa e a evolução do valor devido, mas foi um primeiro passo. Estimativas apontam para um rombo próximo a R$ 800 milhões. Valor exorbitante.

Os dirigentes da Cohab trabalharam nestes anos todos no alerta do peso da dívida. A Câmara de Vereadores da gestão passada não quis enfrentar o problema. Uns entendiam que era melhor simplesmente não pagar, outros entendiam que deveria haver um acerto de contas posto que há outras cidades envolvidas e créditos a serem utilizados e outros simplesmente lavaram as mãos. O problema é real e o não enfretamento do mesmo pode trazer prejuízos ao município, inclusive no que tange à regularização fiscal. Partindo do princípio de que o pior é fugir do problema, penso que é o momento de analisar de maneira bem cartesiana, ou seja, racionalmente.

O que é ser cartesiano, em meu entendimento? Primeiramente depurar as causas da dívida. Item a item cobrado. Em seguida, nomear um perito calculista que possa atualizar os valores à luz do contrato, de maneira a obter o valor correto para confrontar com os cálculos da Caixa Federal. Levantar um a um os devedores solidários, se é que existem, ou seja, aqueles que foram mencionados, tais como outras prefeituras e outros agentes que responderiam solidariamente ao montante da dívida. Depois de tudo isso apurado, analisar as propostas de parcelamento, verificando prazos, taxa de juros, garantias, entre outras.

Na outra ponta, é preciso analisar a viabilidade econômica e financeira da própria Cohab. Quais são seus créditos e seus compromissos operacionais, sua estrutura administrativa, enfim, quanto efetivamente a empresa poderá arcar do eventual parcelamento a ser assumido para minimizar o impacto da dívida nos cofres da Prefeitura de Bauru e reinventar a companhia habitacional. O prazo é curto, a dívida, se verdadeira, aumenta em mais de R$ 3 milhões por mês, por isso é preciso agir rápido. O primeiro passo foi dado na abertura da negociação e no entendimento inicial dos valores em jogo, agora é estruturar a análise a luz do que é melhor para o município. Com visão cartesiana do problema, a questão política fica em plano secundário e as soluções serão mais facilmente alcançadas.

O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, diretor regional do Corecon e articulista do JC