09 de julho de 2026
Ser

Filhos de pais separados: cuidado com as chantagens emocionais


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Seu pai nos abandonou. Sua mãe não liga para nós. Eu estou ainda casada com seu pai para te dar uma vida mais confortável. Ao lermos essas frases ficamos chocados, não é mesmo? De acordo com Rodrigo Fonseca, presidente e fundador da Sociedade Brasileira da Inteligência Emocional no Brasil, isso já ocorre há muitos anos, não só aqui no Brasil, como no mundo inteiro.

"Antigamente, o que mais se ouvia eram pais colocando a culpa em seus filhos por ter abandonado sua própria vida e felicidade em prol dos filhos terem um pai, estudos e conforto. Atualmente já não ocorre isso, ou seja, os pais vão em busca, em primeiro lugar, da sua própria felicidade e a parte do casal que fica com os filhos acaba usando os mesmos como ?armas? para atacar o que decidiu separar, ou então, se tornam o ?muro das lamentações?. Ainda criam a imagem de um verdadeiro carrasco na cabeça de seus próprios filhos para que eles também compartilhem da mesma raiva e decepção por ter sido abandonado(a)", explica Rodrigo Fonseca.

Como é retratado também no filme "A Morte Inventada", a parte do casal que foi deixada, e que fica com os filhos, acaba por "matar" o (a) pai/mãe na cabeça de seus filhos, sem perceber os verdadeiros estragos que estão criando na formação da imagem masculina ou feminina, que são fundamentais para a estruturação emocional dessas crianças.

Segundo ele, no fundo, o que desperta dentro desses pais e mães que foram deixados é um dos sentimentos mais temidos por todos nós: a rejeição. Sem terem consciência de que essa rejeição, ora provocada por seu parceiro, nada mais é que um "programa emocional" que já existia dentro dele (a) e que só foi "executado" pela situação da separação, diz Fonseca.

Inconsciente

Segundo o especialista, esses programas emocionais são muito parecidos com os programas de um computador que, enquanto não é executado, ele não produz aquilo para que foi criado. "O grande problema que a humanidade sofre hoje é que, apesar de saberem o que deveriam fazer ou como tratar o outro, o que acaba sendo disparado em primeiro lugar não é o que ele (a) sabe, mas o que está registrado nesses programas em um nível inconsciente", analisa.

Para Fonseca, isso é o que faz, por exemplo, o pai, personagem abandonado da novela "Salve Jorge" - que apesar de ser uma pessoa culta e consciente dos seus próprios direitos, também dos direitos da sua ex-esposa e filha -, aja de maneira totalmente irracional e radical, criando feridas na sua própria filha ao usá-la para revidar a dor causada pelo abandono da mulher.

"E por mais que a parte do casal que foi abandonada consiga atacar, machucar e destruir o ?culpado? pelo seu sofrimento, isso nunca curará a dor que foi disparada dentro dele, até que ele busque dentro da sua própria história de vida a raiz e a programação de rejeição que foi criada um dia devido a uma percepção distorcida de uma experiência vivida durante a sua formação", ressalta Rodrigo Fonseca.

Que aprovação?

Rodrigo Fonseca comenta ainda que muitos casais até hoje ainda brigam e disputam para ver quem conseguirá atacar mais o outro e que, como consequência, acham que ficarão com a aprovação e amor de seus filhos.

Poderiam, sim, mudar radicalmente essa experiência de serem pais, mas não casal, através da busca de uma cura emocional. E não pela dor do outro, mas sim percebendo sua programação emocional e alterando o que está dentro de si para mudar o que está sendo vivenciado fora, conforme observa o especialista.

"O trabalho principal da nossa mente é criar uma coerência daquilo que existe dentro, com o que está sendo vivenciado fora. Ou seja, se você não alterar a sua programação emocional você pode mudar quantas vezes quiser de esposo (a), empresa ou casa que o problema surgirá novamente, mais cedo ou mais tarde... será apenas uma questão de tempo", finaliza Rodrigo Fonseca.