08 de julho de 2026
Articulistas

Às vezes é preciso desconectar

Munir Zalaf
| Tempo de leitura: 2 min

As atividades familiares, profissionais e sociais absorvem até mais de 10 horas do dia. É preciso, às vezes, desconectar para redescobrirmo-nos. O que fomos quem somos e do que ainda podemos ser e fazer. Apanharmos a chave-mestra e abrirmos três portas. Do passado do presente e do futuro. Com a máquina do tempo da imaginação, rever os amigos próximos e lembrarmos aqueles que nunca mais vamos ver. Pelo menos aqui na Terra. O agora faz a gente sentir nó na garganta.

Mesmo com possíveis tropeços o passado sempre a nos trazer amorosas lembranças. O peito a arfar de saudade no tempo semi-adormecido nas recordações. Passado marcado na gente como do ferro no boi

Quando a gente escreve aos olhos do mundo, são poemas que a labuta pelo amor e pelo pão escreveu. Às vezes é preciso desconectar pra gente se acoplar com a vida. A existência é muito mais do que isto. Está no contemplativo. Nas invisibilidades do amor, da ternura, da amizade e na transparência do olhar.

Nas orações silenciosas, no nenê dormindo no berço babando pro futuro. É amar rosas nas suas cores diferentes. Pessoas de bem são rosa.

Enxergar quando os olhos se fizerem cegos por covardia.

A vida é muito mais do que as conexões. Está atrelada no sentimento das pessoas. Carruagem com cavalos prateados a galopar nas cores do arco-íris. A chispar gotículas coloridas pra alumiar quem nunca se desconectou.

Desprender é preciso pra ver a vida como a gente quer que ela seja. Para o que Deus a fez. Só pelo seu lado bom. Não no sentido em que o homem descrente faz todos os dias. Manchetes vermelhas nos jornais, vozes amargas nos noticiários. Caminhar ruas estreitas até alcançar e namorar a paz.

Encontrar as provas interiores ao desconectar. Experiências são as próprias histórias mostradas nos sorrisos. E lidas nas expressões que os olhos descobrem no rosto do próximo.

Pra viver o amor é preciso se amarrar em Deus, no marido, na esposa, na companheira, nos filhos, netos e amigos. Sombras. Águas. Frutos.

A audácia é o sopro dos valentes. É preciso interromper todas as conexões: o computador, a TV, o celular. Pra que a meditação se eleve ao plano divino. Quando Deus criou o mundo, certamente o silêncio foi-lhe inspirador.

A vida é a ressurreição todas as manhãs. O Sol anunciando que a existência vale muito mais à importância que se lhe ofertada.

Ainda lembrando esta Páscoa, que possamos conduzir a ressurreição da paz entre os homens de boa vontade. Com cada ovo de chocolate adoçando a vida.

O autor, Munir Zalaf, é escritor e palestrante