10 de julho de 2026
Cultura

A fantástica fábrica de aventuras

Por Mariana Cerigatto | João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 4 min

Malavolta Jr.

Roberto Francisco de Bau mostra os livros do seu sebo

Há tempos eles existem e resistem. Seu futuro já foi ameaçado por “especialistas”, que dizem que o amanhã pertence à Internet. A cada instante, surgem novas formas de ler, mas... o livro, o antigo livro, perdeu seu espaço?

É verdade que as crianças e jovens, principais protagonistas da “geração Google”, não têm mais paciência para folhear essas páginas?

Hoje, Dia Internacional do Livro Infanto-Juvenil, esses questionamentos são pertinentes - e respondidos pela realidade.

O que se deve admitir é que novas tecnologias fornecem (novos) suportes e diferentes maneiras de ler. E o bom e velho livro segue vivo na estante. Pelo Sebo do Bau, na quadra 3 da rua Treze de Maio, área central de Bauru, aventuras infantis e juvenis das décadas de 70, 80 e 90 são mais que prestigiadas pela garotada - com empurrãozinho de pais e professores.

Clássicos da coleção Vaga-Lume, que levam selo da editora Ática, como “O Mistério do Cinco Estrelas”,  “O caso da Borboleta Atíria” e “Aventuras de Xisto” são alguns dos “top de linha” do Sebo, que acumula cerca de 200 mil itens - a maioria, livros. “Essa ainda é a coleção mais procurada quando se trata de literatura infanto-juvenil”, destaca Roberto Francisco de Bau, proprietário do local há 17 anos.

‘Incentivando’

As histórias da coleção são bastante indicadas pelas escolas, que recorrem aos sebos para adquirir a literatura.

“Pais trazem seus filhos aqui, e mostram os títulos da coleção que leram na infância para eles, incentivando-os”, salienta. “Mas vejo que as crianças gostam de ler. Há casos em que os pais deixam filhos aqui e eles passam o dia todo lendo”.

“Já li quatro livros desse tipo de aventura da Vaga-Lume. Tem muito conteúdo”, comenta o estudante Guilherme Gusmão, 15 anos.

Entre jovens, clássicos como “Vidas Secas”, são também bastante procurados. E a aventura de abrir um livro segue seu curso na era digital.


Dia Internacional do Livro Infanto-Juvenil

O Dia Internacional do Livro Infanto-Juvenil é hoje, 2 de abril. Foi criado em homenagem ao nascimento do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, autor de clássicos como “Patinho Feio”, “Soldadinho de Chumbo” e “A Roupa Nova do Imperador”.

Em 1822, Christian Andersen foi descoberto por um dos diretores do Teatro Real e chamou a atenção do Rei da Dinamarca, que patrocinou seus estudos.

Ele cursou a Universidade de Copenhague, onde começou a escrever novelas, peças, poemas, livros de viagem e, principalmente, os contos que o tornariam famoso.

Andersen morreu em 1875, mas suas histórias continuam povoando a imaginação em diferentes idiomas ao redor do mundo.


Vaga-Lume: antiga, viva, atual

Há uma profunda relação afetiva entre a série Vaga-Lume e seus milhões de leitores. A coleção que já ultrapassou 80 títulos, iluminou gerações desde 1973 e conheceu seu auge nos anos 80 está longe de ser página virada.

“Provavelmente relançaremos alguns dos mais emblemáticos livros da coleção, com novo projeto gráfico e versão digital”, informou ontem ao JC a editora de livros juvenis da Editora Ática, Lígia Azevedo. Os detalhes de implementação ainda estão em estudo.

Mas, afinal, qual o mais vendido da série até hoje?

“Como a coleção é muito antiga e nosso sistema só foi implementado em 1995, não sabemos com certeza quais foram os três mais vendidos da história. Mas clássicos como ‘A Ilha Perdida’, ‘O Escaravelho do Diabo’ e ‘Açúcar Amargo’ certamente estão entre eles”.

Lígia também comenta sobre o papel dos sebos. “Possibilitam aos interessados encontrar edições com as capas anteriores, por exemplo, ou obras que estão fora do catálogo”.

Antiga ou digital: taí uma série que sobrevive aos novos tempos sem perder o charme, a grandeza e o encanto. (João Pedro Feza)

Marcos Rey

Tive a alegria de conhecer o escritor Marcos Rey no agora distante 1990, em São Paulo. Foi durante um congresso de rádio e TV na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap).

Claro que, antes mesmo de sua palestra, fui cumprimentá-lo – e agradecê-lo por ter criado a “trilogia” “O Mistério do Cinco Estrelas”, “O Rapto do Garoto de Ouro” e “Um Cadáver Ouve Rádio” (dos personagens Leo, Gino e Ângela).

Marcos Rey (pseudônimo de Edmundo Donato) não se livrou de complicações de uma cirurgia e morreu em 1 de abril de 1999, aos 74 anos. Deixou um legado precioso como autor de obras adultas e juvenis, além de ter sido hábil roteirista.

Ambientava suas histórias (quase todas) em São Paulo, capital – por onde foram espalhadas suas cinzas atiradas de um helicóptero. (JPF)