Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá,
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
(Canção do Exílio ? Gonçalves Dias)
Antônio Gonçalves Dias (1823/1864), filho do português João Manuel Gonçalves Dias e de Vicência Ferreira, cafuza (filha de negro e índia). Assim, Gonçalves Dias trazia no sangue as três raças: branca, negra e vermelha. Talvez por isso, só por isso, se inspirasse para nos brindar com "I Juca Pirama" língua tupi que corresponde em português "o que há de ser morto". Diz-nos Aurélio Buarque de Holanda sobre a "Canção do Exílio": "A ausência de qualquer adjetivo nas quatro estâncias do poema, cuja força emotiva resulta de sua musicalidade ? musicalidade produzida em parte pelo paralelismo, pelo encadeamento, pelas rimas de fonemas iniciais".
Gonçalves Dias formou-se em direito, pela Faculdade de Coimbra. Mas não lhe outorgaram o título de "doutor honoris causa". Guardaram-no para o ex-presidente da República. Afinal, mérito não se discute. Mas o que me surpreende no momento é o fato de a justiça haver concedido uma liminar libertando o estudante de psicologia, Alex Kozioff Siwek, que atropelou o jovem David Santos Souza, arrancando-lhe o braço direito. O membro caiu dentro do carro e foi atirado no córrego do Ipiranga.
E pensar que o estudante tornar-se-á, em breve, um psicólogo... Sabe-se: a psicologia tem estados vários, a respeito da alma, do espírito, da consciência, do comportamento animal e humano. O psicólogo, como o psiquiatra, tem por escopo primordial, "gostar de gente". Focar sua sensibilidade na pessoa, deixando em segundo plano o indivíduo. O futuro psicólogo goza de seu direito de "ir e vir", como se nada houvesse acontecido. Teria a Justiça procurado saber se David Santos Souza era destro? E se fosse?! O mínimo que o futuro psicólogo deveria fazer é propiciar ao atropelado meios de sobrevivência digna, custeando seus estudos, dando-lhe uma profissão que garanta sua independência, não se esquecendo, antes, de submeter a vítima a um teste vocacional. É bem provável que Alex seja submetido a "prestar serviços humanitários"... É por isso que futuros acadêmicos "brincam" em provas de vestibular.
O militar francês Charles de Gaulle asseverou que o Brasil não era um país sério. O que na época parecia ser uma ofensa é hoje um eufemismo, quase um elogio. Mais de uma vez ouvi pessoas dizerem "creio na justiça dos homens". E você? Ainda crê?!!!
Álvaro Baptista Pontes