|
Divulgação |
|
|
|
Base de Pirajuí está entre Bauru e Lins; para polícia, não é necessária |
O que era um grande boato em todo o território paulista ganhou caráter oficial. Cerca de metade das bases operacionais da Polícia Rodoviária do Estado podem realmente deixar de existir. A justificativa do Comando-Geral da Polícia Militar (PM) do Estado é que o fechamento faz parte de uma reestruturação a fim de liberar mais policiais para fiscalizar as rodovias. Entre os postos que podem ser fechados, estão o de Agudos (13 quilômetros de Bauru) e de Pirajuí (58 quilômetros de Bauru).
A informação foi oficialmente confirmada com exclusividade ao Jornal da Cidade ontem à tarde pelo comandante-geral da PM do Estado, coronel Benedito Roberto Meira. “Atualmente, há 129 bases. Fizemos um estudo e concluímos que, dessas, 62 poderiam deixar de existir”.
Ele ressalva que o fechamento ainda está em caráter de possibilidade. “Já tivemos essa conclusão das que poderiam ser desativadas, porém, ainda estamos estudando esse fechamento”.
No estudo, segundo Meira, foram considerados vários fatores para definir a necessidade ou não da existência de cada uma das bases. “Verificamos, por exemplo, se havia um serviço de atendimento do usuário naquela rodovia e qual era o fluxo do local”, explica o comandante.
Ele explica que cada base precisa ter, no mínimo, cinco policiais. Com isso, a expectativa é de que o fechamento libere aproximadamente 380 policiais rodoviários para fazer a fiscalização nas rodovias. “É uma estratégia. Algo para melhorar. Dentro das bases, os policiais realizam uma fiscalização muito restrita”.
O estudo está sendo apresentado aos poucos. “É justamente para sentir a resposta. Estamos sentindo o impacto dessa possibilidade”. Por isso, ainda não há um prazo para que o projeto saia do papel. “Estamos ouvindo todo mundo e analisando as reclamações. Podemos fechar parcialmente. Por exemplo, das 62 que analisamos não haver necessidade de existir, manter 20”, ressalva o coronel.
Contudo, apesar do caráter de estudo, a possibilidade já parece bastante adiantada. Em várias regiões do Estado, o boato cresce entre os próprios policiais rodoviários. O fechamento já foi cogitado para as bases de São Carlos, Brotas, Fernandópolis, Jaboticabal, Votuporanga, entre outros municípios.
Na região
O comandante-geral da PM no Estado, coronel Benedito Roberto Meira, confirma também que bases da região estão na lista dos postos que devem ser fechados. Vereadores de cidades vizinhas já estão se mobilizando contra o fato, conforme apontou o JC no mês passado (leia mais abaixo).
Entre essas bases operacionais, está a de Agudos. “Não há razão de aquela base existir. Há outro posto muito próximo a ela. Está a apenas 15 quilômetros da base de Bauru”, argumenta o coronel, complementando que ela foi construída com dinheiro de uma empresa privada. “Há bases que foram instaladas sem qualquer critério”.
A base de Pirajuí também deve ser fechada. “Ela está na rota entre Bauru e Lins. As duas cidades contam com uma base cada. Então, Pirajuí realmente está na lista das 62 bases que podem deixar de existir”, destaca o coronel.
Questionado se a medida envolve cortar custos, o comandante-geral da PM do Estado, Benedito Roberto Meira, confirma que sim, justamente pelos gastos de manter a base operacional. Porém, não há detalhes orçamentários.
Vereadores já protestam contra possível fechamento de bases
Apesar de a PM alegar que a provável reestruturação é uma estratégia para dar mais segurança nas rodovias, vereadores já se manifestam contrariamente à medida. Em matéria divulgada dia 21 de março pelo JC, a Câmara de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) prometeu enviar moção de apelo ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) solicitando a manutenção da base localizada no quilômetro 314 da rodovia Marechal Rondon (SP-300), em Agudos.
Na semana anterior, o jornal divulgou que a Câmara de Presidente Alves (56 quilômetros de Bauru) também já se se mobilizou contra um possível fechamento da base operacional da Polícia Militar Rodoviária de Pirajuí, localizada no quilômetro 395 da Rondon.
Em ambos os casos, os vereadores afirmam e temem que o fechamento das respectivas bases traria mais insegurança. “É uma questão estratégica e de gestão. É algo que vai melhorar e não piorar. A base traz uma falsa sensação de segurança. Os policiais que ficam lá fazem uma fiscalização restrita”, argumenta o coronel Benedito Roberto Meira.