08 de julho de 2026
Internacional

Coréia: Kim aumenta a produção de armas


| Tempo de leitura: 4 min

Lee Jae-Won/Reuters

A fiscalização de veículos foi intensificada na Coreia do Norte e está mais rigorosa

O ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, ordenou à indústria de armas do país que aumentasse a produção de artilharia “para garantir um rápido ataque preventivo”, informou ontem a televisão estatal norte-coreana KCTV.

A KCTV emitiu um documentário sobre uma reunião de trabalhadores da indústria de armas presidida por Kim Jong-un em 17 de março, quando o líder norte-coreano teria pedido a eles que “garantissem a qualidade de nossa artilharia e projéteis para assegurar um rápido ataque preventivo contra nossos inimigos”.

O jovem líder Kim Jong-un, cuja idade é estimada entre 29 e 30 anos, expôs durante seu discurso, publicado pela agência sul-coreana Yonhap, que “uma vez que exploda a guerra”, será preciso destruir as posições militares e as instituições governamentais primordiais dos inimigos “com um ataque rápido e repentino”.

Kim  Jong-un também assinalou que os inimigos da Coreia do Norte estão se preparando para a guerra, o que exige ainda mais a produção de uma artilharia de qualidade por parte de Pyongyang.

No documentário elaborado pela televisão estatal norte-coreana KCTV, o líder aparece acompanhado por Pak To-chun, secretário da indústria militar do Partido dos Trabalhadores, principal órgão político do regime comunista norte-coreano e seu principal pilar junto ao poderoso Exército Popular.


Em 26 de março, o Exército da Coreia do Norte assegurou ter colocado mísseis e unidades de artilharia “em posição de combate” com o ponto de mira nos Estados Unidos e na Coreia do Sul, como parte de uma campanha de atos hostis e ameaças de guerra que se prolongou até os últimos dias.

O último capítulo da ofensiva retórica belicista norte-coreana aconteceu ontem, quando o regime recomendou a evacuação dos funcionários de todas as embaixadas de países estrangeiros credenciadas em Pyongyang sob o argumento de que não pode garantir sua segurança. A maioria dos 24 países decidiu manter diplomatas no país (leia ao lado).

 

Movimentos


De acordo com fontes sul-coreanas, a Coreia do Norte carregou em plataformas de lançamento móveis dois mísseis de alcance intermediário e os escondeu em algum ponto no litoral leste do país, o que pode ser o indício de um iminente teste de mísseis de Pyongyang.

“No início desta semana, a Coreia do Norte transferiu de trem dois mísseis Musudan e os colocou em plataformas de lançamento móveis” no litoral do Mar do Leste (Mar do Japão), indicou um alto oficial do Exército sul-coreano à agência local Yonhap.

O movimento de Pyongyang, detalhou a fonte, é visto como uma tentativa de lançar mísseis de surpresa, uma vez que não está claro se os projéteis serão utilizados em um teste de disparo ou em manobras militares.

A Coreia do Sul, por sua vez, desdobrou em sua costa no Mar Amarelo (Mar Ocidental) e no Mar do Leste (Mar do Japão) dois navios com sistemas de interceptação de mísseis, diante da possibilidade de a Coreia do Norte preparar um lançamento nos próximos dias.

 

Países descartam retirada

A maioria dos 24 países que têm embaixadas na Coreia do Sul decidiu manter diplomatas no país mesmo após Pyongyang dizer que não vai garantir a segurança dos representantes internacionais após a próxima quarta. Dentre eles, está o Brasil.

 

A recomendação de retirar os embaixadores foi feita em meio ao aumento da retórica belicista do regime de Kim Jong-un contra os EUA e a Coreia do Sul. As demonstrações militares dos norte-coreanos são represália ao aumento das sanções da ONU devido a um teste com uma bomba atômica em fevereiro.

Grande parte dos países notificados vê a retirada como uma estratégia do país comunista para aumentar a tensão na península coreana. A tática seria uma forma de afirmação do novo ditador, que assumiu em 2011.

Anteontem, foi a vez da Alemanha decidir que vai permanecer no país. O ministro das Relações Exteriores, Guido Westerwelle, pediu que a Coreia do Norte cumpra com as obrigações internacionais e mantenha a segurança nas embaixadas e também condenou o regime comunista pelas ameaças à Coreia do Sul.

Já o Itamaraty informou que manterá ainda diplomatas brasileiros em Pyongyang, embora esteja avaliando a possibilidade de retirada. O Brasil mantém o embaixador Colin e dois funcionários em Pyongyang. Além deles, outros quatro brasileiros moram na Coreia do Norte - a mulher e o filho do embaixador e a embaixatriz palestina e sua filha, que estão em férias no Brasil. Mesmo em caso de retirada, as duas últimas seriam levadas pela delegação palestina.

Além do Brasil e da Alemanha, Reino Unido, Rússia e China decidiram pela permanência das delegações. Além de Rússia, China, Reino Unido, Alemanha e Brasil, funcionam representações de Cuba, Suécia, Polônia, República Tcheca, Romênia, Índia, Paquistão, Síria, Egito, Vietnã e Palestina, entre outras.

O pedido é mais uma demonstração do regime de Kim Jong-un de que se prepara para uma guerra, embora não se saiba quais são as intenções do país com as movimentações militares. As recomendações foram feitas a dez dias da comemoração do aniversário de Kim Il-Sung, fundador do país e avô do atual ditador.

No comunicado, Pyongyang informou que só pode garantir a provisão de apoio logístico para a retirada de diplomatas do país até a próxima quarta, cinco dias antes da festa nacional e a data que Seul especula que os norte-coreanos lançarão dois mísseis de longo alcance.