08 de julho de 2026
Geral

Jovem ?foge? do emprego doméstico


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A quantidade de brasileiros jovens no setor de serviço doméstico é cada vez menor. Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) mostram que 51,3% dos trabalhadores dessa categoria tinham até 39 anos em 2011 - em 2002, a fatia era bem maior, de 68,5%. Em números absolutos, o total de trabalhadores nesse perfil caiu de 5,2 milhões para 3,8 milhões.

A fuga dos trabalhadores mais novos é impulsionada pelo bom momento do mercado de trabalho, capaz de abrir oportunidades em outros setores da economia - em fevereiro a taxa de desocupação foi de 5,6%, a menor para o mês desde 2003, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O grau de escolaridade do brasileiro que atua em serviços domésticos também aumentou, o que facilita a migração para outras atividades. Os empregados domésticos com até 39 anos aumentaram o tempo de estudo médio de 5,9 anos para 7,2 anos entre 2002 e 2011. Na faixa acima de 40 anos, a escolaridade média cresceu de 3,8 anos para 5,3 anos no mesmo período.

“Quando a educação aumenta, a pessoa tem mais oportunidade. O mercado de trabalho está bom e o trabalhador mais qualificado não opta por fazer o serviço doméstico”, afirma Fernando de Holanda Barbosa Filho, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pesquisador Ibre.

“As novas gerações estão em posição de aproveitar esse momento de melhora no mercado de trabalho.”

O movimento de fuga indica que o mercado de trabalho no Brasil começa a se aproximar da realidade de países de economias mais desenvolvidas. Por muito tempo, o serviço doméstico teve como principal função dar uma oportunidade para o trabalhador de baixa qualificação sem oportunidade em outros setores da economia.

“O trabalho doméstico sempre serviu como uma possibilidade para pessoas com baixo nível educacional”, diz Regina Madalozzo, professora do Insper. Na avaliação dela, alguns empregadores domésticos chegaram a mudar de setor de atuação, mesmo com uma remuneração menor porque “o trabalho doméstico era uma ocupação que não estava gerando satisfação para quem a exercia.”


Troca

Apesar dos avanços, a professora do Insper acredita que, ao menos no curto prazo, o trabalhador doméstico não deve ficar tão raro como em países de economia madura. “Acredito que tenhamos um certo movimento nos próximos meses de trabalhadores transitando do trabalho doméstico mensal, para uma só família, para o trabalho como diarista, com dias alocados para famílias diferentes.”

O empresário Raimundo Silveira, por exemplo, mudou os planos de contratação de uma empregada, depois da aprovação da nova lei das domésticas. Desde o fim do ano passado, ele procurava uma empregada mensalista para trabalhar na sua casa, onde mora com a mulher e o filho.

“Nossa empregada se desligou no fim do ao passado e, de lá para cá, fizemos várias tentativas que não deram certo”, conta o empresário. Entre salário e encargos, ele desembolsava com a antiga empregada cerca de R$ 1.500 por mês. Mas agora com a nova lei e diante do grande número de dúvidas de como a legislação será aplicada, ele decidiu “pisar no freio”.

O primeiro passo foi comunicar a agência encarregada de recrutar a candidata a doméstica de que, a partir de agora, o interesse é por uma diarista duas vezes por semana. No momento, ele já tem uma passadeira que vai uma vez por semana cuidar da roupa. Além disso, Silveira apressou a compra de uma lava-louça, que custou R$ 1.350. “Com a lava-louça vou economizar água. A máquina gasta 19 litros de água e a louça lavada na pia consome 120 litros”, observa o empresário.

Potencial

Segundo a Whirlpool, dona das marcas Consul e Brastemp, que voltou a fabricar lava-louças no País em 2010, há um grande potencial para esse eletrodoméstico porque menos de 1% dos lares brasileiros têm o equipamento. Com a nova lei de contratação das empregadas domésticas, que se traduz em encargos maiores para os empregadores, o cenário fica ainda mais favorável para a venda do eletrodoméstico.

Juliana Chaves, sócia da agência Véritas, especializada no recrutamento de empregados domésticos, conta que, após a aprovação da nova lei para os empregados do setor, aumentou a solicitação de diaristas. Na sua avaliação, com mudança no perfil da demanda será possível atender mais facilmente a procura porque a oferta de mensalistas era muito restrita.