Uma vida que não tenha angústias existenciais, em que tudo seja certinho, sem sobressaltos, certamente é vivida sem profundidade. Se fosse possível não vivenciar angústias, o ser humano correria sérios riscos como espécie que habita um planeta juntamente com bilhões de outros seres vivos. Uma dose de dor existencial não faz mal, pelo contrário, faz o bem de alertar para perspectivas antes improváveis (leia mais nas páginas 12 e 13).
O professor de filosofia e pesquisador Fausi dos Santos esclarece que as angústias existenciais geradoras de rupturas ao longo da vida são bastante positivas. Ainda na fase escolar, quando um adolescente tem que, por exemplo, mudar do ensino médio para a faculdade é mais um momento de um ritual de ruptura, e não do fim da vida. É uma etapa para o crescimento em que o indivíduo tem que aprender a administrar. Sendo mais exato, Fausi explica que é preciso morrer para uma situação anterior e renascer para uma posterior. A importância, conforme o professor de filosofia, é o crescimento da personalidade.A angústia é positiva porque vem carregada da necessidade de uma tomada de decisão que não pode ser terceirizada para outra pessoa. Fausi lista as angústias citando as intermináveis interrogações sobre futuro, o que eu vou ser. “São vários momentos de ruptura que a decisão é na primeira pessoa”, explica.
Trata-se de uma enxurrada de questionamentos de todo tipo como “será que fiz a escolha certa?”, “será que esse é o curso certo” e “se eu me arrepender depois?”.
Outra ruptura de nível típica é quando da escolha do casamento. Ninguém se casa imaginando que fez a escolha equivocada. Porém, é natural que os noivos sejam perseguidos por aquela nuvem sobre suas cabeças de angústia: “será que é a pessoa certa para minha vida?”. Fausi define que a pessoa tem que tentar, assim como a criança no ventre da gestante tem que sair. “A própria natureza chama com as contrações. E se não sair por bem, vai sair. Você pode procrastinar (adiar), mas chega o momento em que vai ter que tomar uma decisão”, pontua.
O JC promoveu durante a última semana uma interação entre pessoas da geração Baby Boomer e as gerações X, Y e Z.
A universitária Giulianne Ribas Barban, 20 anos, está no primeiro ano do curso de nutrição e já vive os primeiros sinais de angústia de como será sua carreira. “É uma das primeiras coisas que penso.”, sinaliza. Ela mira como desafio, além da competição natural, um mercado de trabalho mutável. “Não basta ter um diploma. A gente tem que ter nosso conhecimento e feeling. Se adaptando e conseguindo nosso espaço”, orienta. Para ela, é normal uma dose de apavoramento pela necessidade de se definir quando é o momento ideal para buscar estágio e, quando formada, onde irá se encaixar no mercado de trabalho.
Ao comentar o caminho seguido por amigos e primos lamenta a falta de praticidade. “A maioria das pessoas da minha geração não tem um objetivo certo e não entra em uma faculdade porque realmente quer seguir a carreira”, avalia.
Geração Y tem urgência em alcançar resultados
Miriã da Silva, 20 anos, se formou no ano passado no curso de marketing. Apesar de já ter curso superior, entende que precisa urgentemente iniciar um curso de especialização. Ela tem claro que o curso superior é básico em um currículo. Miriã tem consciência que somente o curso superior não é garantia de carreira segura. “Às vezes, olho meu currículo e eu mesma me descarto. Preciso estudar mais. E gera uma dor. Porque você olha e vê que está muito pobrinho. Mas desperta a buscar”, comenta com risos.
Ela se define como alguém que cria expectativas e é muito ansiosa. O plano dela é ambicioso e antenado com a realidade de alguém da geração Y. Sua cabeça definiu um roteiro que prevê estabilidade na carreira profissional já aos 28 anos. Portanto, Miriã entende que tem de correr.
Projeta começar um MBA neste ano, o que a colocaria com a especialização nas mãos somente aos 23 anos. Na sequência quer iniciar um curso de inglês que a torne bilíngue. Entende que serão mais cinco anos. “Vou estar com 28 anos. Vou estar velha. Fico pensando e ficou com angústia para descobrir o que fazer logo”, comenta.
A jovem não tem vergonha alguma de admitir que adia o momento em que sairá de casa. Tem o apoio dos pais Hilda da Silva e João Batista, e não será a primeira na família a alçar voo solo. Dois dos seus quatro irmãos já seguiram o próprio rumo. Outros dois residem com os pais, assim como Miriã.
Bem resolvida com o marketing, Miriã já estipulou a curto prazo migrar para a área comercial da empresa em que trabalha ou enveredar para uma oportunidade em outra firma. Inicialmente, ela prestou gestão de finanças por já trabalhar na área. O curso não preencheu turma. Porém, ela já estava habilitada se quisesse cursar outra área. Um amigo a estimulou e ambos cursaram marketing, sua segunda opção de carreira na inscrição para o vestibular.
Ao se formar no ensino médio em 2009, estava indecisa sobre qual rumo seguir. Comenta que ao cursar o colegial na EE Stela Machado sentia a pressão de ter que definir uma carreira. Já no segundo ano trabalhava e estudava à noite. Fugiu dos testes vocacionais com temor de que o resultado apontasse psicologia. “Não tinha interesse nenhum”, frisa.
Ela conta que viu em um outdoor o anúncio do curso de gestão empresarial que a levou para cursar marketing. “Deu a louca. Entro na faculdade, faço a matrícula e vou estudar. Caí no marketing e adorei”, finaliza.
Após a formatura no ensino médio, Miriã ficou seis meses planejando o próximo passo para uma carreira profissional. “Sentia falta de estudar e medo de ficar na indecisão e os anos se passarem e eu não estudar nada”, relembra. Aos 17 anos, ela já se cobrava uma decisão rápida, instantânea e típica da geração Y.
Laço familiar equilibra decisão
A universitária Giulianne Ribas Barban, 20 anos, ingressou neste ano no primeiro ano do curso de nutrição, carreira almejada desde sempre e tendo como opcional educação física. Giulianne optou por abraçar duas formações para ampliar seu leque de oportunidades. Antes, ela completou o curso de tecnólogo em recursos humanos, opção muito diferente da carreira de nutricionista.
Sua mãe Luciane Ribas Barban, 40 anos, entende que os pais são suporte, contudo, não devem interferir nas decisões. O casal Luciane e José Fernando Barban não impôs às filhas Giulianne e Livia Paola Ribas Barban, 22 anos, sua própria expectativa.
A mãe comenta que o papo com as filhas é direto no sentido de dar autonomia às decisões das jovens. “Sempre falo para elas que, quando vocês se sentem aptas para tomar decisões, têm que seguir o caminho. Já sabem o que é certo e o errado. Não sou eu quem irá proibir vocês de fazerem alguma coisa. O futuro é delas. Vai depender delas. Não que você não vá dar o suporte. É errado os pais se posicionarem: ‘não, porque você tem que fazer isso’”, define Luciane.
O professor Fausi dos Santos salienta que estudantes com uma base pautada em valores bem sedimentados conseguem passar pelas várias fases de ruptura existencial com personalidade e tranquilidade. Não significa que o jovem não terá suas fraquezas e dores relativas à crise instalada pela angústia. Mas enfrentará com maior preparo.
Giulianne tinha como foco de escolha de carreira lidar com gente. O RH, inicialmente, surgiu pelo emprego em uma grande empresa do setor de recuperação de crédito em Bauru, em que ela já atuava muito próxima da função típica do setor de departamento pessoal, ainda que a atividade fosse focada no operacional. “No fim, terminei RH já com a intenção de fazer nutrição. Vi que queria trabalhar com gente, mas ajudando gente”, ressalta. A decisão de seguir a carreira em nutrição veio no final do primeiro ano do curso de tecnólogo.
Contudo, a angústia se instalou no final do terceiro ano do ensino médio na transição para o ensino superior. “Me angustiou muito porque não sabia se eu iria fazer a escolha certa fazendo nutrição”, recorda. A dúvida de opções recaia por um curso de curta duração (2 anos) e com formação de tecnólogo ou de gestão de pessoa com um ensino mais amplo e mercado de trabalho promissor. Ela acabou abraçando as duas opções.
Giulianne se define pronta para tomar decisões relativas a suas escolhas futuras. Ela admite que ficou com um ponto de interrogação, porém pesquisou e trocou ideias com os pais para se definir por nutrição. Planejou como custearia o curso frequentado em uma instituição privada. “Ela era bem convicta”, pontua Luciane.
Geração Z acelera transformações
A geração Z ainda não foi totalmente decodificada, mas já materializa suas expectativas de vida em sonhos, metas de um futuro distante transformado em realidade presente. Quem nasce sob a influência das regras da geração Z, mobiliza as atenções de especialistas e educadores compromissados com o ‘sacerdócio’ para prepará-los a assumir o comando de suas vidas e do futuro.
Só que o futuro para a geração Z é um paradoxo porque seu modo de lidar com a realidade embute uma relação acelerada, enquanto que a passagem de tempo é medida pelas 24h existentes em um dia.
A geração denominada Z - última letra do alfabeto - talvez seja a que melhor aproveite os avanços tecnológicos e possa fazer transformações inovadoras nas próximas décadas. Com sua capacidade de lidar com simultaneidade em processos instantâneos, a Z já se mostra apta a interagir com o maquinário que torna, dia a dia, a vida possível.
Um Z é antenado com todo tipo de tecnologia pois chega ao mundo com a linguagem digital como extensão do seu corpo. O professor de filosofia e pesquisador Fausi dos Santos afirma que esse pessoal tem imensa capacidade de abstração. Contudo, ele dimensiona para o risco da falta de conteúdo. O domínio técnico é indispensável, mas o ser humano tem outras dimensões além do simples saber com exatidão qual botão acionar.
A estudante do ensino médio Mariana Machado, 15 anos, é uma típica geração Z. Tem um jeito introvertido, porém é extremamente bem articulada ao narrar seus objetivos. Aos 10 anos de idade, já havia definido que seria médica. Não foi uma decisão de quem brinca de médica com a boneca. Mariana definiu que será médica pediatra.
Transição fácil
Mariana cursa o primeiro ano do ensino médio em um colégio vivenciando uma experiência pedagógica diferente. Ela integra a primeira turma de ensino médio do colégio, onde já estudava no ensino fundamental. Mariana conta que a maioria dos alunos acabou por optar pela permanência, aproveitando amigos e oportunidades oferecidas pela escola particular. Para a aluna, o que modificou mesmo foi o ritmo mais tranquilo do ensino fundamental para a pauleira do médio. Os pais apoiaram sua decisão. Também participam muito quando percebem que há caminhos opcionais. A mãe, que é professora universitária, é estímulo constante para Mariana, que já se adaptou com o meio acadêmico.
Atualmente, a projeção de Mariana é cursar medicina em São Paulo. “Quero sair de Bauru. Quero USP ou a Federal de Cuiabá”, programa. Ela já irá integrar a turma de treineiros do Enem e Fuvest neste ano. “Para que esperar o terceiro ano e ficar que nem uma louca estudando. Melhor já é ir logo no começo. Vai lá e faz”, arremata.
Miriã da Silva, já formada em marketing e aos 20 anos, não tem como expectativa sair de casa. Mariana deseja buscar um sonho que passa por viver distante da cidade onde residem seus pais. “Eu com 20, não quero de jeito nenhum sair de dentro da minha casa. São angústias totalmente diferentes”, completa Miriã.
A coordenadora pedagógica e educadora Clemari Ribeiro, que implantou o ensino médio na escola aonde Mariana estuda, comenta que são angústias bem distintas. “Mas diante da angústia, cada um reage de uma forma diferente a esses momentos”, salienta. “Isso é que faz o ser humano único e insubstituível”, completa o professor Fausi dos Santos.
Na visão da coordenadora, os estudantes como Mariana, são preparados para fazer a diferença contrapondo sua formação a uma sociedade de massa. Clemari explica que a função do educador é cutucar os estudantes. De que maneira? Alertando Mariana da existência do trabalho voluntário do Médicos Sem Fronteira (MSF), entre outras opções. “Mariana está aprendendo para ser uma médica preocupada em não ser mais uma médica que vai fazer as coisas como todo mundo. Ela vai tentar participar de um MSF. A educação pode alertar para sair da massificação. Você não vai fazer medicina só para ganhar dinheiro e porque dá status. É uma profissão que permite fazer muita coisa para a sociedade”, ressalta.
Projeto
Mariana Machado, 15 anos, já decidiu que quer trabalhar com bebês. O seu projeto é introduzir no Brasil os conceitos do pediatra norte-americano Harvey Karp. A estudante do ensino médio esclarece que a técnica de Karp para desestressar o neném ainda é inédita no Brasil. Mariana explica que a técnica faz com que a criança seja mais tranquila desde a fase de recém-nascida. “Meu intuito não é fazer com que a mãe e o bebê durmam, mas sim com que tenha uma sociedade que durma em paz. Mas fazendo com que o ser humano seja mais calmo e se desenvolva melhor. Se for ver, o ser humano é estressado. E se a gente puder fazer o mínimo para que isso mude, fará bem. Uma pequena ação pode mudar muita coisa”, diz.
O pediatra Harvey Karp, por exemplo, procura ajudar os desesperados pais de filhos a partir de 2 anos. Autor do best seller “O Bebê Mais Feliz do Pedaço” (Planeta), entre outros, Karp é professor da Escola de Medicina da Universidade de Santa Mônica, na Califórnia. Ele costuma comparar as crianças a pequenos “homens das cavernas”. E as razões são claras: apesar de muito espertas e inteligentes, elas ainda não adquiriram domínio verbal e costumam expressar as emoções com as armas que conhecem.
Mudança
Há dois anos, a educadora Clemari Ribeiro fez o caminho inverso pretendido por Mariana Machado, que almeja ir para um centro urbano muito maior, como a Capital. A educadora admite que sua escolha pelo desafio de trabalhar no Interior foi uma grande ruptura porque é paulistana e trabalhou 30 anos na área de educação em São Paulo. Teve dúvidas - as angústias -, mas seguiu a intuição. “Deixei a família e os amigos. E todo o cenário educacional paulistano, que eu conhecia muito bem para vir me aventurar aqui em Bauru”, relata.
“Também rompi com uma série de coisas. E também por uma vida melhor porque São Paulo está deixando a gente cada vez mais enlouquecida”, comenta. O ganho no âmbito profissional também foi preponderante. Clemari ressalta que a proposta foi inovadora e interessante por desenvolver uma prática pedagógica que ela acredita. “Mergulhei e vamos aproveitar para ver o que dá”, comemora.
Faro para detectar problemas e agir
Olhe ao seu redor: será que no sofá agora não há algum exemplar da geração Z desenvolvendo alguma ideia? Se a resposta for sim, não se pergunte “por que eu não pensei nisso antes?”Os britânicos Nick D’Aloisio, Mollie Price e Henry Patterson poderiam se juntar para trocar ideias e ganhar muito dinheiro. Nick faturou R$ 30 milhões de dólares ao vender um software ao Yahoo!. Com somente 9 anos Henry criou três empresas. Mollie aos 6 anos já é dona de uma pequena rede de doces em Welshpool, na Inglaterra.
Todos têm em comum o apoio dos pais a seu estilo empreendedor precoce. Nick desde muito pequeno já era uma fera em programação e criou sua empresa - a startup Summly - com 17 anos e já negociou o empreendimento por uma cifra milionária. Essa é a geração denominada Z criativa e cheia de expectativas por desafios. Nick saiu para o mundo para obter apoio à sua ideia até conseguir um investidor, o bilionário Li Ka Shing, de Hong Kong. Nessas idas e vindas conheceu uma executiva do Yahoo! em uma conferência. A mulher assumiu, no ano passado, o comando do Yahoo! Os dois negociaram a engenhoca e o jovem obteve fama, sucesso, reconhecimento e muito dinheiro.
Mundo afora há exemplos da geração Z bem-sucedida. Mais do que fenomenal, os exemplos da Z têm em comum o faro para solucionar “problemas”. Nick criou um aplicativo. Mollie percebeu o vácuo de produtos nas lojas. Henry se define “a melhor pessoa para criar produtos infantis” porque é uma criança. É assim fácil!
A geração Z chegou ao mundo com o DNA digital. Da mesma forma o professor de filosofia e pesquisador Fausi dos Santos define que esta geração possui alto grau de abstração. Essa capacidade é visível quando uma criança toma nas mãos qualquer dispositivo eletrônico e manuseia sem se aflição. Esse comportamento costuma ser inverso quando se trata de pessoas menos adaptadas ao meio tecnológico e que evitam ter que encarar certas máquinas sofisticadas, como celulares de última geração, que dispõem de diversas interfaces, inclusive o telefone.
O professor alerta que a destreza de manusear equipamentos sofisticados não tem nada a ver com conhecimento. Para Fausi, o pessoal da geração Z não domina o que é o processo técnico, seu significado e suas possibilidades diante da realidade. Já a geração do “analógico” consegue dar sentido ao dado.
O pessoal da última geração não distingue determinados rituais de socialização. Como exemplo, Fausi cita que os adolescentes, de um modo geral, vão de boné para o fast food, para a sala de aula, para a igreja, concerto de uma orquestra sem processar os significados implícitos em cada ritual. “Há uma massificação. Cria-se o preto no branco”, define.
Gerações com mais experiência de vida conseguem se sensibilizar com os estímulos. “As gerações mais novas são muito insensíveis para perceber que a realidade é feita de nuances e de rupturas diferentes”, avalia. Fausi sugere que falta ao pessoal mais novo tempo para processamento.
“Tudo muito rápido. E é uma avalanche de informação e o indivíduo passa. Enquanto a gente precisa sentir, que é assimilar. Daí você conceitua. E quando sai de você, sai misturado com aquilo que você é”, ressalta.
Doenças
Entre suas reflexões, Fausi cita a tendência do esvaziamento do indivíduo, graças à cultura de massa. “Se o indivíduo é vazio, raso. Se entra, sai raso. Sai muito preconceituoso. Sai nada. E ecoa de uma forma muito rápida”, esclarece.
Ele acredita que parte das doenças psicossomáticas derivam pelo perfil fragilizado da sociedade contemporânea. O professor do ensino médio e universitário faz uma relação direta entre a velocidade estupidamente rápida de circulação de informações, com a identidade fragmentada. “Ela se baseia (identidade) em momentos da vida em que não se vivencia aquela fase”, pontua. Ele cita a erotização precoce como nociva para a formação da identidade do indivíduo. O modelo das mães para suas filhas pequenas é de mulher, com salto alto, roupas curtas e maquiagem carregada. Para Fausi, o prejuízo é o adiantamento de fase porque o corpo é o instrumento físico que apresenta o indivíduo, em primeira instância, à sociedade. “Uma das coisas que causa é a erotização precoce. Porque a pessoa vive uma condição que psicologicamente não está preparada. Quando cresce o sujeito se fragmenta”, argumenta.
O professor lembra que quando a pessoa deveria estar apta a lidar com as angústias que exigem rupturas naturais não está amadurecida. “Vai para a barra da calça do pai, para a saia da mãe”, lembra.
Nesse caso, os pais é que administram a vida de filhos adultos com 30 e 40 anos, incapazes de decisões próprias. Nos relacionamentos amorosos, por vezes, essa pessoa projeta em seu par a figura do pai ou da mãe. “Demonstra um sujeito multifacetado. Que é diferente dessa subjetividade e capacidade de adaptação, que todo ser humano deve ter.” Ele contextualiza que se vive em uma sociedade em que as pessoas são facilmente sugestionadas por modismos e tendências. “Tudo se torna igual.”
Para o professor de filosofia, um dos sintomas é a psicossomatização, as doenças da alma, materializada na pele, no cabelo, no estômago, resultado da falta de maturidade de indivíduos para lidar com suas angústias. “Não dá o investimento saudável às suas pulsões. E isso acaba se convertendo nela mesmo em patologias”, define.
O uso indiscriminado de ansiolíticos, fumo e álcool e, também, drogas ilícitas seria, além do componente social, uma fuga da realidade.
Riscos
O professor de filosofia Fausi dos Santos acrescenta que o excesso de trabalho e de ocupação também são maneiras de fugir. Ele alerta que na prescrição de uma terapia para que a pessoa se ocupe com algo que lhe dê prazer, às vezes, o indivíduo se afunda de vez porque se entrega ao trabalho.
“Trabalho não é algo que você escolhe. É algo que você é obrigado a fazer. Na verdade é um processo de mascaramento”, avalia.
O saudável para a superação de um momento de vazio e de dor é criar uma outra situação, talvez algo inusitado, como dedicar um tempo a mais aos filhos, familiares, a um hobby, entre outras possibilidades.