A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, anunciou neste sábado (6) que terminou sem acordo a última rodada de negociações entre as potências e o Irã sobre o programa nuclear. As delegações se reuniram por dois dias em Almaty, no Cazaquistão.
O grupo 5+1 -Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha- negociam há quatro anos com a República Islâmica formas de diminuir as suspeitas sobre as atividades de enriquecimento de urânio. As potências querem o fim do programa, que suspeitam ter intenções militares.
Teerã nega que queira construir uma bomba atômica, mas não permite a entrada de inspetores da ONU em algumas instalações do país, em especial a usina de Parchin, que é onde há a maior suspeita de exercícios militares.
Em entrevista coletiva, Catherine Ashton disse que os dois lados não chegaram a um acordo. "Ficou claro que nossas posições continuam distantes".
A diplomata afirmou que os negociadores agora levarão as propostas aos governos dos países participantes para que sejam avaliadas, mas não mencionou nenhuma data para uma nova reunião, o que é mais um sinal da continuidade das divergências.
O principal motivo de preocupação das potências e da ONU é o enriquecimento de urânio acima de 20%, o patamar mais próximo para a construção de uma bomba atômica. Por outro lado, Teerã diz que as atividades são para fins médicos e obtenção de energia.
O temor é que a suposta bomba seja usada contra Israel, que defendeu diversas vezes uma invasão militar na República Islâmica. No entanto, os Estados Unidos descartam a hipótese e preferem manter as negociações, que são encaradas pelo Estado judaico como uma forma de Teerã ganhar tempo.