09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Ao senhor Silvio Gomes


| Tempo de leitura: 3 min

Senhor Silvio, não o conheço, mas vou rebater sua escrita. No momento sou um daqueles que não acreditam em Deus. Já acreditei muito. Digamos que "estou" incrédulo. Mas nem por isso o senhor tem o direito de vir nesta coluna me chamar de louco. Todos que não creem em Deus o senhor classificou de loucos, portanto, como não creio estou inserido no contexto. Então considero uma ofensa direta. Após trinta e cinco anos de trabalho honesto, criei dois filhos, me aposentei e hoje não estou internado em um manicômio.

Como o senhor escreveu, "é
inviolável o direito de crença", o senhor está violando meu direito, escreveram na CF "sob a proteção de Deus", poucos lá respeitam Deus e é desrespeitoso usar o nome Dele em vão. "Os loucos adotam como......uma postura de ignorância", não sou ignorante, não quero ser o centro de nada, nem um "sabichão orgulhoso", "não sou contra a prática religiosa", "não escolhi como estilo de vida a perversão" (altamente ofensivo) e não estou perdido espiritualmente. Sou perfeitamente lúcido e o senhor precisa medir suas palavra. Concordo com parte do que o senhor escreveu. Mas chamando todos que não creem de loucos, o senhor não só ofende, como também viola os direitos de todos e também o meu de sermos livre para escolhermos nosso time, nossa cor, nossa religião.

É constitucional. Senhor Silvio,
não acredito em Deus porque ele está muito ausente. Porque Ele não age para salvar crianças inocentes de balas perdidas, câncer e outras doenças? Onde está Deus, que quando você clama por Ele nada acontece, as pessoas sob a mira de armas de fogo, pedem a ajuda dele e a resposta é um tiro na cabeça. Não acredito em muitas coisas porque hoje as pessoas usam o nome de Deus para comércio. Em nome de Deus, assisto na TV, pastores pedem grandes somas de dinheiro aos fiéis ou exigem dez por cento de seus salários a titulo de dízimo. Muitas igrejas deixam a critério da pessoa ou da sua condição financeira. Na TV, dão aula de como pagar o dízimo. Deus permite que espertalhões se aproveitem da fé do povo. Está esperando o fim do mundo para agir e julgar somente os mortos? Aqueles políticos em Brasília, que após receberem dinheiro de corrupção, se abraçaram e agradeceram a Deus. Hoje, passa na TV, existem alguns pastores mais adorados do que o próprio Deus. Eu não adoro ninguém. Apesar de tudo eu respeito todos que creem, não concordo com a exploração da Fé. Acredito em uma força superior que move nossas vidas.

Não frequento mais igreja, pois alguns o fazem para mostrar roupa nova e carro zero, então me decepcionei. Eu sou autêntico, não mato, não roubo, não engano as pessoas, não tenho falsidade, sou honestíssimo e respeito todo mundo e para ser assim não preciso me esconder à sua sombra de Deus. Sou muito menos pecador do que muitos que dizem crer em Deus. Acreditar e não temer não adianta. É mais lúcido aquele que teme, pois não faz nada errado, é o mesmo dentro e fora da igreja. Crer é uma escolha minha e tenho meus motivos. O senhor quer impor a mim uma coisa que não é de sua competência. Parece que senhor quer mandar nos pensamentos meu e de muitos outros, nas minhas decisões, nas minhas vontades e na minha vida e eu lhe pergunto, com que direito? Pago religiosamente em dia minhas dívidas, com meu dinheiro e jamais pedi para o senhor pagá-las.

Não me submeterei aos seus caprichos, opinião ou crença. Senhor Silvio Gomes, certa vez um cinesta americano disse: "Aquele que não crê jamais se decepcionará". Não queira o senhor impedir o meu direito constitucional de escolher em quem e no que devo acreditar. Sou livre e como tal faço questão de respeitar a todos que também o são, e que tenham a liberdade de escolherem com a consciência e o coração o que for melhor para eles.


Luiz Carlos Juncal