09 de julho de 2026
JC Criança

Pesquisa mostra o comportamento de crianças e jovens na internet


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Como as crianças e jovens usam a internet? Eles sabem se proteger dos perigos da rede? Para responder essas e outras perguntas, o Comitê Gestor de Internet no Brasil divulgou uma pesquisa da TIC Kids Online Brasil, realizada com 1.580 crianças e adolescentes entre 9 e 16 anos, e com o mesmo número de pais.

A pesquisa segue o mesmo modelo realizado em 25 países europeus, no ano de 2010, pela EU Kids Online, com algumas adaptações para a realidade brasileira. Foram ouvidos apenas usuários constantes, ou seja, que usam a internet como parte de seu cotidiano, para levantar dados que tornem a rede mundial um meio mais seguro.

"A ideia é que essa pesquisa seja refeita anualmente no Brasil, para que possamos comparar resultados e também investigar temas novos. Consumo online, por exemplo, entrará na próxima pesquisa", explica Tatiana Jereissati, coordenadora do projeto.

A pesquisa revelou que, entre jovens e crianças de 9 a 16 anos, o uso da internet é bastante frequente: 47% usam todos os dias. É interessante notar, também, que o local mais apontado como fonte de acesso é a escola (42%).

"A grande porta de entrada nessa faixa etária é o uso da internet para trabalhos escolares", explica Tatiana Jereissati. "Isso é uma tendência não exclusiva do Brasil, mas mundial. A escola tem um papel bastante relevante no uso da internet".

Realmente, 82% dos entrevistados dizem usar a internet para fazer trabalhos escolares. Em segundo lugar aparece o uso das redes sociais (68%), seguido de Youtube (66%) e jogo online e programas de mensagens instantâneas (54%). Postagens de conteúdo são menos citadas, mas aparecem em seguida: 40% postam fotos, vídeos ou músicas, 24% postam mensagens e 10% escrevem em blogs.

Redes sociais

Para os pesquisadores, chamou a atenção o uso de redes sociais no Brasil. Aqui, entre crianças e adolescentes de 9 a 16 anos, 70% possuem um perfil em alguma rede, enquanto a pesquisa europeia mostra 57%. "Essa relação específica entre brasileiros e redes sociais ainda causa muita discussão entre os especialistas", diz explica Tatiana Jereissati, coordenadora da pesquisa.

Entre esses que possuem seu próprio perfil, 42% têm suas informações privadas (acessíveis apenas com uma solicitação de amizade), 31% são parcialmente privados e 25% são públicos. Apenas 2% desconhecem as configurações de perfil de uma rede social.

Ainda nesse tema, a pesquisa mostrou que 86% possui no perfil uma foto que mostre claramente o rosto, 79% colocam o sobrenome e 57% declaram uma idade que não é verdadeira. A escola em que estuda aparece em 28% dos perfis, o endereço de forma pública aparece em 13% e o telefone, 12%.

Selecionada a faixa de 11 a 16 anos, 23% já tiveram contato na internet com alguém que não conhecia pessoalmente. Dessa porcentagem, um em cada quatro adolescentes encontrou-se ao vivo com essa pessoa.