10 de julho de 2026
Nacional

Na fronteira com a Bolívia, PF sofre com uma sede-fantasma


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Um esqueleto de paredes sem reboco chama a atenção de quem passa ao lado da acanhada sede da Polícia Federal em Cáceres (MT), município na fronteira com a Bolívia considerado uma das principais portas de entrada de drogas, contrabando e armas ilegais no país.

A estrutura é o símbolo de um drible que a PF levou de uma empreiteira do Estado e hoje serve somente como garagem improvisada para carros quebrados da polícia. Iniciada em 2009, a obra se destinava a abrigar uma nova delegacia - com dois pavimentos, amplos gabinetes, auditório, estande de tiro e até heliporto.

Passados quatro anos, porém, o mato tomou conta do terreno, e a placa oficial, anunciando um investimento de R$ 5,5 milhões do Ministério da Justiça, desabou.

A empreiteira contratada, Salomão Construtora e Terraplenagem Ltda., abandonou o canteiro em março de 2010, deixando dívidas com dezenas de operários e fornecedores locais e uma série de dúvidas sobre a licitação conduzida pela PF.

À ocasião, segundo dados do Portal da Transparência do governo federal, a empresa já havia recebido um total de R$ 1.029.712,65, dentro do programa chamado “Modernização da Polícia Federal”.

“A empresa tinha sido contratada pela PF. Como é que eu iria desconfiar? Forneci toda a madeira e quase fui à falência”, disse Francisco do Prado Junior, dono de uma madeireira que afirma ter levado calote de R$ 150 mil.

O advogado que representa 23 operários da obra em ações na Justiça do Trabalho chegou a obter a penhora de uma fazenda que, segundo o contrato social da construtora, representava 88% de seu capital social. A propriedade nunca foi localizada.

Com o valor declarado de R$ 3 milhões, a propriedade passou a constar do patrimônio da Salomão cinco meses antes da abertura da concorrência pela PF.

A PF rescindiu unilateralmente o contrato. Em dezembro passado, uma nova empresa foi contratada para retomar a obra, mas a partir de um projeto mais modesto.

O empresário Wagner Salomão, da Salomão Construtora e Terraplenagem Ltda., disse que sua empresa é que foi lesada durante a execução da obra para a PF. Segundo ele, o abandono do canteiro foi o “último recurso”.