09 de julho de 2026
Articulistas

?Coa o mosquito e engole um camelo?

Lourenço A. Zequi
| Tempo de leitura: 3 min

Prezado leitor, leia sobre as pessoas a seguir:

- "Henrique Alves chegou ao comando da Câmara carregando um rastro de suspeitas envolvendo o ato de destinar parte do dinheiro de suas emendas para bancar obras tocadas pela empresa de um assessor em municípios do Rio Grande do Norte. Depois disso, já se tornou suspeito de lotear cargos no Ministério da Previdência, de locar veículos de uma empresa de fachada e de fazer lobby para furar a fila da Comissão da Anistia para beneficiar aliados".

- "Renan Calheiros foi Presidente do Senado Federal do Brasil de 2005 até 2007, quando renunciou ao cargo, após várias denúncias de corrupção contra si polarizarem a opinião pública. O caso foi chamado de Renangate.No dia 01/02/13 foi novamente eleito presidente do Senado mesmo sendo denunciado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, por peculato, falsidade ideológica e uso de documento falso".

- "Marco Feliciano, em março de 2013, foi eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados do Brasil. Atualmente ele responde a um processo no Supremo Tribunal Federal (STF) por homofobia e estelionato, por ter sido acusado de receber 13 mil reais para realizar um culto no estado do Rio Grande do Sul sem ter comparecido ao evento".

Ao ter conhecimento sobre estes três personagens da nossa história atual e ao mesmo tempo ler e ouvir o que se tem produzido e reproduzido na mídia recente do nosso país, vem a minha mente uma certa perplexidade. Na verdade, não consigo entender tamanho estardalhaço midiático contra Marco Faliciano quando comparado à total indiferença quanto aos outros dois personagens, os quais para mim ocupam cargos de relevância muito maior e deveriam merecer um repúdio muito maior da população. Parece-me que no centro de tudo estão as questões da homofobia e do casamento gay, que por serem extremamente polêmicas acabam sendo servidas como prato principal pela mídia que quer vender e atrair audiência. Os homossexuais são uma minoria da população que têm os mesmos direitos que os heterossexuais, até porque não são uma categoria social distinta, apenas têm uma opção sexual diferente da maioria. Os homofóbicos também não devem ser a maioria e têm seus atos limitados por lei, portanto, mesmo que a contragosto têm que respeitar os homossexuais. A questão do casamento "gay" é algo que a sociedade, com seus favoráveis e contrários, terá que chegar a um consenso, respeitando-se os direitos de todos. Agora, enquanto estes temas ficam nos holofotes de jornais e telejornais, o país vai afundando na corrupção, nos piores índices de desenvolvimento humano e social do mundo, num dos piores ensinos do mundo, maiores impostos e piores serviços ofertados do mundo, criminalidade e violência com números de guerra civil e até maiores do que muitas guerras pelo mundo, etc. A lista de barbaridades é imensa e daria para ocupar toda a edição deste jornal. Será que o fato de esta lista ser tão grande e corriqueira fez com que o povo perdesse a capacidade de se indignar e agora simplesmente, como num "efeito manada", fica indo atrás do polêmico, o qual, não se sabe até que ponto é proposital para desviar a atenção do que é mais urgente e relevante?

Por isso, aqui vai o meu apelo e protesto: povo e imprensa brasileira, por que "Vocês coam um mosquito e engolem um camelo"?! Mt 23:24.


O autor, Lourenço A. Zequi, é médico e colaborador de Opinião