09 de julho de 2026
Articulistas

Bauru e visão de futuro

Pedro Grava Zanotelli
| Tempo de leitura: 3 min

Como vemos Bauru no futuro? Muitos ?bauruistas? veem a cidade crescendo sem parar. Não aceitaram os 346 mil habitantes dados pelo IBGE, em 2011. Dizem que já são 400 mil. Vamos ter mais shoppings, mais condomínios e edifícios de alto padrão, a posição geográfica é privilegiada. Tem tudo para crescer cada vez mais. Mas há, também, os que só olham os problemas e fazem comparações que diminuem a cidade em relação a outras. Para eles tudo aqui é inferior ? reclamam que há poucas indústrias; que o trânsito está cada vez pior; que não conseguimos eleger nem um deputado federal; que cidades bem menores têm time melhor que o Noroeste; que não conseguimos ter a faculdade de medicina. Numa coisa, entretanto, todos são iguais ? amam Bauru e sonham com a realização da promessa de ?uma cidade cada vez melhor para se viver?.

Bauru não foge do destino de todas as cidades, que é crescer. Hoje, 50% da população mundial mora nas cidades. Dizem as previsões que daqui a 25 anos chegará a 75%. Claro que não é uma distribuição uniforme, algumas regiões já ultrapassaram esse índice e outras ainda têm grande população rural. Com o crescimento da população urbana vem o crescimento dos problemas: ?favelização?, aumento da criminalidade, aumento do lixo, congestionamento do trânsito, poluição dos rios e do ar, dificuldade de locomoção para o trabalho. A deterioração do centro das cidades, devido ao afastamento das moradias para novos bairros, favorece a degradação humana, criando ambiente propício para a prostituição e para o consumo de drogas. E esses problemas crescem mais de pressa que a capacidade de atendimento do serviço público. Falta de água tratada, esgoto a céu aberto, presídios superlotados, prontos socorros e hospitais com doentes pelos corredores. Esse é o panorama comum.

Enquanto isso acontece, um fato vem ocorrendo e criando uma expectativa que parece traçar um novo destino para as cidades. É o que relata Francesco Vanni, chefe global do Citibank, que comanda a área do banco responsável pelas transações internacionais e pelos investimentos globais de médias e grandes empresas - privadas e públicas. Para ele "As batalhas no futuro vão ser entre grandes centros urbanos mais do que entre grandes países. Haverá um globo de cidades, não de países. Quem atrai o próximo grande investimento? Quem faz o novo aeroporto primeiro, quem tem o melhor metrô, os melhores hospitais, as melhores escolas. Isso não é entre países, é entre a comunidade de um centro urbano e de outro. Então, a competitividade está dentro do país, mas é global também. Administradores públicos que entenderem isso terão muitas coisas a fazer para trazer investimentos e riqueza para sua comunidade".
Diante disso, só falta dizer que o futuro das cidades, incluindo Bauru, está na dependência de uma ?governança inteligente?, conceito divulgado pelos professores americanos Nicolas Berggruen e Nathan Gardels, em livro de mesmo nome, lançado recentemente. Seu argumento é que a boa governança deve delegar poder e envolver os cidadãos de maneira mais significativa, com orientação de longo prazo, privilegiando a meritocracia e a soberania popular. Para eles, a governança inteligente dispensa os marcos ideológicos na hora de encarar os problemas locais, de ordem prática, que dependem de inovação. A bola da visão de futuro de nossa cidade está com o prefeito, de quem se espera mais que a continuidade do período anterior e da Câmara, com a sua nova composição.

O autor, Pedro Grava Zanotelli, é ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru e membro da ABLetras