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Antonio Cruz/ABr |
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Maria do Rosário, participa de sessão especial em memória dos mortos do Holocausto |
A ministra Maria do Rosário (Secretaria dos Direitos Humanos) disse ontem que as falas do presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputado pastor Marco Feliciano (PSC-SP), incitam o ódio e a violência. A ministra também cobrou do comando da Câmara e do Ministério Público Federal uma ação contra o deputado. Feliciano atribui morte de John Lennon a revanche de Deus
Há mais de um mês Feliciano é alvo de protestos de movimentos sociais que o acusam de racismo e homofobia e pedem sua saída do posto. Segundo Maria do Rosário, o país tem como grande conquista dos direitos humanos e da democracia a convivência entre os diferentes.
“É lamentável que a cada dia nos deparamos com mais um pronunciamento, mais uma intervenção que incita o ódio, o preconceito que já ultrapassa as barreiras da comissão na Câmara e diz respeito a todos nós brasileiros e brasileiras”, disse.
Para a ministra, o fato de ser uma autoridade não blinda Feliciano. “Eu faria um alerta: de que não tenhamos intolerância, que tenhamos respeito, a Câmara certamente encontrará uma solução ou o próprio Ministério Público porque incitar a violência e o ódio é atitude ilegal, inconstitucional e as autoridades também estão sujeitas as autoridades da lei”.
Holocausto
Maria do Rosário visitou ontem uma exposição no Congresso que retrata o holocausto que levou ao genocídio de seis milhões de judeus pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial (1939-1945). A ministra disse que intolerância e o ódio provocaram o holocausto e que não há espaço no Brasil para essas posições.
“Estamos vendo essa exposição sobre holocausto, o resultado do ódio, intolerância, desrespeito humano. No Brasil não devemos ter espaço para isso”, disse.
Deputado diz que pastor sofre preconceito
Uma das lideranças da bancada evangélica no Congresso, o deputado Takayama (PSC-PR) afirmou ontem que a pressão pela saída do presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, pastor Marco Feliciano (PSC-SP), demonstra preconceito contra religiosos.
A declaração foi feita durante uma sessão, no plenário da Câmara, em homenagem à Igreja Assembleia de Deus.
Takayama também mandou um recado para o comando da Câmara e os líderes partidários que se reúnem hoje com Feliciano para discutir a sua situação na presidência.
“Se deixar prevalecer meia dúzia de ativistas porque não têm visão igual a nossa, podemos colocar dois, três quatro milhões de cristãos na porta dessa Casa”, disse o deputado.
Em outro recado aos colegas, o deputado afirmou que as manifestações contra Feliciano abrem precedentes perigosos na Câmara. “Isso também pode ocorrer amanhã em setor que não seja cristão e vocês terão dificuldade de colocar seus representantes.”
O deputado cobrou coerência dos líderes da Câmara. “Nós nunca nos opusemos aos simpatizantes da homossexualidade ou de qualquer outra visão estar ocupando a presidência de comissões, mas quando temos a oportunidade de colocar um presidente em uma comissão, querer dizer que não podemos? Vale a pena a reflexão sobre toda essa situação”, disse.
Ele afirmou que os evangélicos não são homofóbicos. “Se querem colocar essa pecha, não vão nos colocar. Não amamos a prática.”
Feliciano não compareceu à sessão. Alguns ativistas contra o deputado tentaram estender faixas pedindo a saída dele na porta do plenário, houve um princípio de tumulto com evangélicos, mas ninguém foi detido pela Polícia Legislativa.