09 de julho de 2026
Articulistas

3 lições em uma semana

Arnaldo Pinzan
| Tempo de leitura: 3 min

Entre duas sextas-feiras deste mês, 3 fatos me levaram a aumentar meu aprendizado nesta vida. Primeira lição: uma jovem, com 32 anos, de nome Aline D.S., minha ex-auxiliar de consultório, por quase 14 anos, falece vítima de um câncer de evolução muito rápida e agressiva. De voz suave, gestos delicados, modos respeitosos, até com certa aparência frágil, lutou bravamente, tanta era sua vontade de viver. Em seu velório, seus pais, repletos de muita espiritualidade, mais confortavam do que eram confortados. Primeiro aprendizado: Aline, você sucumbiu à essa dura doença, mas ela não a derrotou. Com a sua morte, o câncer também determinou a sua própria morte, pois sem um hospedeiro, ele não sobrevive. Segunda lição: uma voz me ligava e começava assim: " Meeessstreeee!!!!". Ao que eu respondia: Uaaalllllaahhhh!!!!!! Quantas (parcelas) e quanto (R$) tenho que pagar? Gilberto V., esse insubstituível corretor de seguro/ amigo, com 63 anos, também foi vítima da mesma doença da querida Aline, com muito sofrimento. Quanta sabedoria, dedicação às suas crianças da creche, educação no trato diário com as pessoas, espiritualidade, responsabilidade e conhecimento na sua área de trabalho, quantas dores de cabeça que nos tirou nos momentos que precisamos de suas habilidades, enfim um ser humano iluminado. Muitos pontos em comum encontramos em nossas conversas. Lembro-me de 1978, véspera de Natal, quando fui avisado que 2 homens rodeavam a minha perua Brasília, na cidade de São Paulo, em frente à casa de meus pais. Quando retornei a Bauru, o Gilberto me telefonou, dizendo que me procurara, pois meu seguro estava vencendo e como não me achou (naquele tempo não tinha celular), fez o pagamento do próprio bolso, revalidando a apólice. Segundo aprendizado: nossa grande amizade surgiu de um gesto seu, há mais de 30 anos, que nunca mais esqueci e que sempre foi meu argumento para não trocar de corretor.

Além do profissionalismo, temos que considerar o humanismo em nossas relações diárias. Terceira lição: dia 21, levei meu querido familiar, ao PA-Unimed, com suspeita de dengue. Coletado o material, teria o resultado no dia seguinte. Ao comprar o medicamento prescrito, numa farmácia com muitas filiais no estado, fiquei sabendo que o paracetamol, não tinha desconto. Por graça de Deus, posso comprar esse medicamento. O exame deu positivo e o médico indicou novo exame para segunda-feira. Hoje, após 3 horas e meia no PA, para obter a guia de nova coleta de sangue, fico sabendo que o exame de sorologia não pode ser realizado, por falta do kit no laboratório, fruto da descontrolada epidemia que assola os bauruenses. Terceiro aprendizado: somos apenas um número a mais nas estatísticas municipais, estaduais e federal. Talvez nem isso, pois é muito maior o número de infectados do que os anunciados 1600 casos só em Bauru.

Onde estão os vereadores, prefeitos, governadores (o nosso é médico), deputados estaduais, deputados federais, secretarias de saúde municipais, estaduais e ministério da saúde, nessas horas? Epidemia não é considerada prioritária? Onde estão as ações concretas? É fácil atribuir à população a responsabilidade, que também é importante, mas e a parte de dedetização, a quem compete? Alguns dos nossos políticos já estão gastando nosso dinheiro, em campanhas eleitorais futuras. Será que Deus já não está cansado de ser brasileiro?

O autor, Arnaldo Pinzan, é professor universitário e membro do Lions Clube de Bauru Centro