09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O céu ganha uma "Estrela de Ferro"


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Quando criança, meu avô sempre me contava das fábulas infantis e uma delas narrava que toda pessoa boa quando falecia virava uma estrela. Hoje (ontem), ao ler o jornal eletrônico, fui remetido aos meus tempos de infância. O céu ganha mais uma estrela, uma "Estrela de Ferro". Trata-se de Margaret Thatcher, ou a "Dama de Ferro", apelido dado pelos soviéticos na década de 80. De origem humilde, filha de um quitandeiro que era filiado a um partido político e lutava pelos direitos dos trabalhadores, via em seu pai um exemplo de vida e de justiça. Desde cedo se dedicou aos estudos e ao ingressar na Universidade de Oxford, para estudar Química, deu os seus primeiros passos no campo da política, pois teve contato com muitos intelectuais, grandes autores e teóricos.

Thatcher ganhou as eleições de 1979 em um momento em que o país estava paralisado por greves e pela crise econômica. Em seu governo privatizou as indústrias estatais e o transporte público (trens e ônibus); empreendeu uma reforma nos sindicatos, que praticamente foram retirados do poder, diminuiu impostos e gastos públicos e adotou uma flexibilização trabalhista. Uma grande revolução no governo britânico. Apesar de uma histórica vitória em seu terceiro mandato, sua popularidade começou a despencar. O principal motivo foi a política conhecida por Community Charge ou ainda Poll Tax, um imposto regressivo que foi visto como injusto para a grande maioria da população, onde quem não pagava ia para a cadeia. Muitos protestos contra o imposto se transformaram em motins.

Devido à sua crescente impopularidade e discordância de seu governo, importantes membros do seu gabinete a abandonaram, fazendo com que ela renunciasse no final de 1990 dizendo se sentir traída. A "Dama de Ferro" fez história, sofreu atentado, enfrentou nações e oposições, revolucionou, tirou um país da lama e no final de sua carreira política ficou sozinha por acreditar em seus ideais de governo. Voltando à fábula do início deste artigo, mais uma estrela ascendeu no céu. Meu avô, que hoje é uma estrela, disse que no dia em que o homem se libertar do seu ego e se unir aos demais sem preconceitos, teremos um tapete reluzente no Céu.

Pode ser uma cena utópica, mas a utopia é o início de toda grande revolução. Que descanse em paz e ilumine os que aqui ficaram.

Alexei Lisounenko