09 de julho de 2026
Polícia

Trânsito faz mais uma vítima em Bauru

Por Marcele Tonelli | Colaborou Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

Palco de dezenas de acidentes ao longo dos últimos anos (leia mais abaixo), a rodovia Cesário José de Castilho (Bauru-Iacanga), já com licitação para ser duplicada, foi cenário de mais uma ocorrência com vítima fatal, na manhã de ontem. Claudemir Aparecido de Souza, 39 anos, não resistiu aos ferimentos que teve na cabeça após ser atropelado por um carro na altura do trevo de acesso aos bairros Vila São Paulo e Quinta da Bela Olinda.

Esta é a 11ª morte em acidentes em Bauru neste ano. Segundo levantamento extraoficial do JC, Claudemir é a quinta vítima fatal em acidentes em rodovias no perímetro urbano. Já dentro da cidade, são seis mortes no trânsito em 2013.

De acordo com a Polícia Militar Rodoviária, o acidente de ontem ocorreu por volta das 9h45, mais precisamente no quilômetro 346 da rodovia, quando o pedestre tentava cruzar a pista em sentido ao bairro Quinta da Bela Olinda e acabou colhido por um Celta preto, com placas do município de Arealva, que trafegava pelo sentido Bauru-Iacanga.

De acordo com o boletim de ocorrência (BO), o carro era guiado por Rafael Sérgio Santo, 30 anos, que trabalha exatamente como motorista.

Impacto

Com o impacto, a vítima foi lançada ao solo, próximo a um acostamento, e teve ferimentos graves na cabeça. Pelos vestígios de sangue encontrados na pista e pelos danos resultados no carro, que teve o capô amassado e o parabrisas estilhaçado, é possível ter ideia da força do impacto.

O primeiro socorro foi prestado pela Unidade de Resgate do Corpo de Bombeiros, que alguns minutos depois transferiu a vítima, ainda com sinais vitais, para o atendimento na viatura do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que chegava para auxiliar o socorro. Ainda no local, a equipe de socorristas tentou reanimar Souza por cerca de 30 minutos, mas o homem não resistiu.

O condutor do Celta, antes mesmo da chegada da imprensa, foi retirado do local do acidente pela Polícia Rodoviária, que temia a reação de populares.

Segundo o tenente Luiz Carlos Ferreira Santos, o motorista teria alegado, em sua versão, que a vítima estaria acompanhada de mais uma pessoa durante a travessia, que tentou puxá-la para evitar o pior. Contudo, o pedestre teria atravessado mesmo assim. “A testemunha qualificada no local apresentou a mesma versão que a do motorista, que disse não ter conseguido frear o carro a tempo para evitar o atropelamento”, afirma o policial militar rodoviário.

O acidente foi registrado no Plantão da Polícia Civil como homicídio culposo (quando não há intenção de matar) na direção de veículo automotor. 

O corpo de Claudemir Aparecido de Souza foi velado ontem no São Vicente. Segundo a família, o sepultamento ocorreria hoje no Cemitério do Jardim Redentor. O horário ainda não estava definido.

Família

No momento em que as equipes tentavam reanimar Souza, duas mulheres apareceram nervosas no local informando serem parentes da vítima.

À reportagem, Josiane Ferreira, sobrinha de Souza, informou que o tio estava desempregado e procurava tratamento para se livrar da dependência do álcool. “Ele estava em tratamento. Ficou um mês internado no Hospital Manoel de Abreu e estava em conversa com um advogado para tentar se internar por mais tempo”, lamenta Josiane. “Minha filha saiu para trabalhar por volta das 7h hoje (ontem) e ele saiu junto. Devia estar voltando pra casa quando essa tragédia aconteceu”, completa a irmã da vítima, Cirça de Souza.


Moradores queimam pneus em rodovia

Por volta das 17h, a indignação dos moradores com o acidente transbordou em uma cena já conhecida. Em forma de protesto pelo número de mortes no local, e mesmo com a licitação para duplicação da via em andamento, eles queimaram pneus e interditaram a  Bauru-Iacanga. Bem no horário de rush, formou-se um intenso congestionamento.

Foi preciso várias viaturas do Corpo de Bombeiros para apagar as chamas colocadas nos pneus. A fumaça preta atrapalhava a visibilidade dos motoristas e, por isso, a Polícia Rodoviária precisou desviar o fluxo de veículos para a Pousada da Esperança.

Viaturas da Polícia Militar também se dirigiram ao local para evitar qualquer confusão. Contudo, a indignação dos moradores era tamanha que eles prometeram mais protestos nos próximos dias.

“Eu mesma já me acidentei por ali. Já vi acontecer, em um único dia, três acidentes”, disse Isabel Cristina Eloy, 47 anos. A licitação foi aberta no dia 14 de fevereiro. O valor da obra é de R$ 100 milhões e será custeado pelo governo do Estado. O trecho em questão terá 11 quilômetros e receberá vias marginais, exatamente com o objetivo de reduzir o número de acidentes no local.