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Valdemir Moreira Martins, 44 anos, trabalhava há 15 anos no CDP de Bauru |
Indignação. Era esse o sentimento prevalente no velório do agente penitenciário de Bauru Valdemir Moreira Martins, 44 anos. Após seu corpo ter sido localizado com várias facadas em Jaú (47 quilômetros de Bauru), Jair Alessandro Gomes Pereira, 26 anos, foi preso em flagrante pelo crime. A inconformidade da família da vítima é porque o autor, que já estava preso por outro homicídio, gozava do benefício da saída temporária de Páscoa, a polêmica saidinha.
Conforme o JC divulgou ontem, o agente penitenciário foi localizado no fim da tarde do dia anterior ao lado de seu veículo, em um canavial no Jardim Orlando Ometto, em Jaú. Apesar de o autor já ter cumprido pena na mesma unidade em que a vítima trabalhava, o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru, a polícia afirma que os indícios apontam latrocínio.
“A carteira do agente não estava ao lado do
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Douglas Reis |
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O acusado Jair Alessandro Gomes Pereira estava na saidinha de Páscoa |
corpo. Com o autor, encontramos R$ 200,00. Ele não soube explicar a origem desse dinheiro”, aponta o delegado Edmilson Bataier, da Delegacia de Investigações Gerais/Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (DIG/Dise) de Jaú.
Ele destaca que não há qualquer dúvida do envolvimento de Jair Pereira na morte do agente. “Junto com documentos apreendidos, depoimentos que foram colhidos dos familiares do autor após o corpo da vítima ter sido localizado nos motivaram a pedir a prisão em flagrante”.
Jair Pereira foi autuado por latrocínio e por dano ao patrimônio público, uma vez que danificou a tornozeleira de monitoramento da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP).
A família, contudo, acredita que a motivação da morte foi vingança. “Ele trabalhava há cerca de 15 anos no CDP. O autor ficou três anos preso por lá. Temos certeza que foi vingança. Foi alguma coisa que ele fez e o preso veio se vingar aqui fora”, teoriza o irmão da vítima, Márcio Moreira Martins, 39 anos.
A brutalidade do crime também foi algo assustou. O corpo foi achado com vários golpes de faca. Tanto que o velório ontem, no Terra Branca, precisou ser realizado com caixão lacrado.
Saidinha
Além da tristeza, restou a indignação pelo fato de Jair Pereira, preso em flagrante pelo crime, ser reeducando em saidinha. “Meu sentimento? É de vergonha. É de que vivemos em uma verdadeira palhaçada. Por conta disso, meu irmão está naquele caixão lacrado”, desabafou Márcio Martins.
Todos que chegavam ao velório também demonstravam revolta ao tentar consolar os familiares. Amigo de infância da vítima, Dirceu Carlos, 36 anos, afirmou que “não existe justiça no Brasil”. “Não dá para acreditar. Era quase um irmão para mim. Os bandidos fazem isso porque sabem que nunca dá em nada. Essa história de saidinha mostra que não existe justiça nesse País”, conclui o técnico automobilístico.
O corpo de Valdemir Moreira Martins foi enterrado na tarde de ontem no Cemitério Jardim do Ipê. Ele não era casado e também não tinha filhos.
Corpo da vítima foi encontrado em um canavial próximo ao seu veículo
Segundo a Polícia Civil, a procura por Jair Alessandro Pereira começou após ele ter rompido a tornozeleira de monitoramento. Contudo, o delegado plantonista de Jaú, Richard Serrano, recebeu informações de que ele teria cometido um “crime mais grave”.
Anteontem, o acusado foi localizado pela DIG/Dise e pela Polícia Militar no bairro Padre Augusto Sani. Ele estava com ferimentos na mão direita e apresentou muita contradição no interrogatório.
No bairro em que residia, o Jardim Orlando Ometto, policiais civis começaram a fazer várias buscas. No fim da tarde de anteontem, os delegados Edmilson Bataier, Gustavo Alonso Garmes e o investigador Paulo Cesar Balduin encontraram o corpo de Valdemir Moreira Martins em um canavial, próximo a seu veículo, um Siena. Segundo a Polícia Civil, os depoimentos também não sustentaram a versão do acusado. Ele foi preso em flagrante.
Irmão afirma que vítima ‘estava preocupada’
Valdemir Moreira Martins queria mudar o número de telefone. É o que conta o irmão do agente penitenciário, Márcio Martins. “Além disso, ele estava mudando também algumas outras coisas na sua rotina. Fazia caminhadas pela manhã, mas, nos últimos tempos, havia parado”, conta.
Apesar de sentir a preocupação no irmão, Márcio afirma que ele nunca relatou qualquer ameaça. “Essa morte brutal nos pegou de surpresa. Apesar do seu serviço, ele era uma pessoa muito calma. Tinha um bom temperamento”.
Além dessa postura, o irmão destaca a pontualidade da vítima. “Era impressionante. Ele era um relógio”, finaliza Márcio Martins.
Sem achismos
Apesar de afirmar que os indícios atuais apontam latrocínio, o delegado Edmilson Bataier continua as investigações sobre o caso. Ontem, boatos surgiram de que o crime poderia ser até mesmo passional.
“Não temos nada nesse sentido e não vamos falar em achismos. Vamos investigar tudo. Até agora, as provas são de latrocínio”, aponta o delegado.
Questionado se pode haver o envolvimento de mais alguém no assassinato, Bataier se limitou a dizer que, “se houver, vai ser apurado”.
1º dia de férias
Segundo o irmão da vítima, domingo era o primeiro dia de férias de Valdemir Martins do CDP de Bauru. Por conta disso, ele não voltou para a casa em que morava com Márcio Martins naquele dia. “Como era o primeiro dia em que ele estava de férias, eu nem estranhei. Achei que ele tinha saído para se distrair”.
Só na noite do dia seguinte, veio a triste notícia. “Eu coloquei meu celular para carregar e me ligaram. Ficou a tristeza e a revolta”, conclui o irmão.