Se quiser, o governo Dilma Rousseff pode se apegar a um raro dado positivo nos resultados da inflação: o IPCA ficou abaixo das expectativas de analistas e investidores pela primeira vez em nove meses. o entanto, essa só é uma notícia relevante no atual contexto de total incerteza sobre a condução da política de juros. Em circunstâncias normais de um regime de metas de inflação, os juros sobem quando se acredita que a inflação tende a superar a meta oficial. No caso brasileiro, a inflação está acima da meta de 4,5% anuais desde 2010, e agora, mesmo com o índice acima do teto de 6,5%, há dúvidas sobre os próximos passos do Banco Central. Mais exatamente, não se sabe qual o limite político para uma elevação dos juros que é dada como inevitável.
Ou seja, quando e em quanto o BC será autorizado pelo Palácio do Planalto a subir as taxas e ameaçar o crescimento econômico e o nível de emprego.
Pelas expectativas mais consensuais, os juros do BC serão mantidos na próxima semana em 7,25%; passarão a 7,5% em maio e fecharão o ano em 8,5%. Esses, porém, não são mais do que palpites, porque o governo não fez nenhuma indicação palpável de suas intenções - e a recente reunião de Dilma com conselheiros economistas heterodoxos alimentou as dúvidas.
Oposição protesta
Integrantes da oposição entraram ontem com carrinhos de compra no plenário da Câmara para protestar contra a inflação e a atuação do governo Dilma na área econômica.
Além dos carrinhos, carregados com tomate, batata, farinha entre outros produtos, os deputados empunhavam faixas com dizeres como “Dilma não pise no tomate”, entre outras