Na primeira eleição sem Hugo Chávez, o protagonista absoluto da vida política da Venezuela nos últimos 14 anos, os eleitores vão às urnas no país hoje para escolher um novo presidente que comandará um governo acossado por fragilidades políticas e econômicas. O mandatário interino Nicolás Maduro, 50 anos, que Chávez apontou como herdeiro antes de morrer em março, é o favorito. Mas o cenário sem o popular esquerdista na cédula provoca incerteza.
Para analistas e institutos, um dos fatores determinantes para a votação de hoje será o nível de participação e a capacidade dos opositores e dos governistas, estes com mais recursos e militância organizada, de mobilizar e trasladar eleitores aos locais de votação - o voto na Venezuela é voluntário.
Segundo a pesquisa mais recente do prestigiado Datanálisis, citada por relatório do Credit Suisse na quinta-feira, a diferença entre Maduro e seu oponente Henrique Capriles, 40 anos, caiu, mas ainda é de 9,7 pontos percentuais. O instituto GIS 21, próximo do governo, aponta a mesma vantagem.
Para Maduro, vencer Capriles pode se mostrar mais fácil do que administrar até 2018 uma economia com distorções, manter unidas as várias facções do chavismo - militares incluídos - sob sua liderança e cumprir suas promessas ao eleitorado.
“O povo na Venezuela já despertou. Isso foi o que Chávez deixou. Vou votar por Maduro, mas se ele sair dos trilhos, para fora!”, afirma Milagros Chirinos, 36 anos, uma funcionária de uma cafeteria estatal e moradora do oeste pobre de Caracas.
A mensagem de Milagros é comum no eletorado chavista: votar para atender ao “último pedido” do presidente, mas advertir de que não se trata de um “cheque em branco”. É um indicativo de que a base eleitoral tenderá a ser mais exigente com o novo líder chavista do que com o fundador do movimento.
No caso de o ganhador ser Capriles, os próximos meses serão ainda mais complexos, com a acomodação dele no poder em meio a embates com a Assembleia e a Justiça, sem falar da estatal petroleira PDVSA, dominada por chavistas.