A busca por exclusividade no visual sempre existiu para alguns, vide década de 90, quando os looks tornaram-se mais minimalistas no que diz questão a estilos. Na atualidade, entretanto, em contraponto à época de plena ascensão das lojas de departamentos e de produção em larga escala, a tendência do visual individual se acentua a cada dia no gosto de jovens, mulheres e até homens, que acabam buscando na moda artesanal a saída para a exclusividade e até mesmo para o ecologicamente correto.
Justamente pensando no aquecimento do mercado, a aposentada Sandra Maria Perseguim, 57 anos, resolveu dar uma reviravolta em sua rotina de dona de casa.
Há dois anos, ela voltou a costurar e, com ajuda do marido, investiu cerca de R$ 1 mil e colocou em ativa o ateliê improvisado em sua própria casa.
“Andava muito no Centro da cidade e ouvia as mulheres reclamando que as roupas estavam muito iguais e algumas reclamavam da dificuldade em encontrar peças na medida certa e que tivessem bom caimento”, explica Sandra. “Como eu sempre produzi minhas próprias roupas, resolvi voltar e começar a costurar para fora”, completa a costureira, contando que aprendeu a arte de operar a agulha e as máquinas de costura com a mãe, ainda na adolescência.
Bem-sucedido
Se o investimento deu certo? A cada semana, Sandra se debruça entre tecidos e agulhas para atender dezenas de encomendas e a freguesia, segundo ela, aumentou mais de 50% em apenas um ano. Fato que a faz buscar, mensalmente, cursos para aperfeiçoar os trabalhos, que além de costura inclui a criação e customização de peças.
Especialização
A situação de Sandra exemplifica a realidade vivida por centenas de pessoas na cidade, que a cada ano buscam cursos para se especializarem ou se reciclarem.
“Tem pessoas até em fila de espera para alguns cursos. A maioria buscando o filão do mercado das pessoas interessadas em peças exclusivas e até para se anteciparem à moda. Outras procuram porque têm dificuldade em encontrar a roupa com a medida certa e se arriscam produzindo. Temos até senhores querendo aprender a fazer a própria calça”, comenta a docente em modelagem do Senac de Bauru, Valéria Pelegrina.
“Hoje, o pessoal quer ter a ‘cara’ de uma tribo, mas cada um com seu destaque. Essa é uma área que, apesar de estar em alta, ainda é muito carente de profissionais”, pontua Valéria.
Ateliês e cursos se multiplicam
De fato, o aumento sensível do número de ateliês por toda cidade pode ser notado, assim como o crescimento do número de cursos e especializações que ganham novos espaços no cenário urbano de Bauru.
Ao todo, estima-se que ao menos 100 pessoas se especializam anualmente na área de moda na cidade
“90% dessas pessoas são, geralmente, mulheres entre os 20 e 40 anos. Os outros 10% se dividem entre rapazes e pessoas idosas”, frisa a professora Valéria Pelegrina, que também é proprietária de um ateliê em Bauru.
Ainda de acordo com ela, o aquecimento é impulsionado pela volta da moda anos 60 combinada ao feminino contemporâneo e romântico. “Há umas quatro estações, a camisa voltou junto à saia godê, evasê e pregueada feita sob medida”, completa a professora.