08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Educação e suas controvérsias


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Lendo o desabafo do professor Fernando Luis Bento nesta coluna em 11/04/13, gostaria de tecer algumas considerações. Realmente hoje o professor (a) deixou de ser o intelectual respeitado e passou a fazer parte do proletariado, pois exatamente como o operário ao entrar numa fábrica ou o executivo ao entrar no escritório, o professor ao entrar numa escola ou sala de aula, se insere num dispositivo já ordenado em seus aspectos principais. A ordem das escolas já oferece aos professores um quadro desolador: alunos indisciplinados, violência, bulliyng, salas superlotadas, falta de material didático, trabalho estafante... E ainda o magistério da escola pública é submetido a um pesado e sufocante ritual burocratizante com resultados altamente negativos.

Na realidade, isso é proveniente de uma teoria pedagógica produtivista, neotecnicista porque transpõe para a escola a forma de funcionamento do sistema fabril, perdendo assim a escola a especificidade da educação.

Ao professor lhe é dado tarefas outras que não correspondem ao seu papel de ator social, agente de transformações pois precisa ajudar na gestão que é democrática, na construção do projeto pedagógico da escola, ter bom relacionamento com a comunidade.

Enfim, é desviado de sua verdadeira função que é passar os conhecimentos historicamente sistematizados pela humanidade, condição primeira para formar cidadãos.

Infelizmente, as organizações escolares têm que preparar mão de obra para o mercado de trabalho e não conseguem fazer nem o mínimo possível, pois mascara-se a realidade com a progressão continuada, resultados nem sempre fidedignos das avaliações institucionais (quantidade e não qualidade).

Essa é a rotina do professor e da professora. No espírito da concepção neo-produtivista, os dirigentes querem que o professor exerça todo um conjunto de funções com o máximo de produtividade e eficiência e o mínimo de dispêndio, isto é, com modestos salários. Claro que, se o professor fosse bem remunerado no âmbito de uma carreira docente que lhe garantisse jornada integral numa única escola, ele poderia exercer, sem maiores problemas, as mencionadas funções. Mas, trabalhando em diversas escolas de comunidades diferentes, como pode ele, além de ministrar grande número de aulas para garantir um remuneração minimamente satisfatória, participar de outras exigências de sua função?

E há ainda a questão de educador também moralmente que parece ultrapassado. Sem contar que os saberes transmitidos pela escola não parecem mais corresponder,senão de forma inadequada, aos saberes socialmente úteis.Agora os professores tem que ensinar competências e habilidades e a idéia clássica do docente enquanto educador parece fora de moda.

Os professores só serão conhecidos como sujeitos do conhecimento quando não se deixarem levar pelos atrativos de novas ideias, soluções mágicas, relações prazerosas. Com isso, a escola foi sendo esvaziada de sua função específica ligada ao domínio dos conhecimentos sistematizados. Nesse tipo de "cultura escolar!, o utilitarismo, o imediatismo do cotidiano prevalece sobre o trabalho paciente e demorado de apropriação do patrimônio cultural da humanidade. E, aí, ocorre o que Dermeval Saviani chama de inclusão excludente, pois incluem alunos no sistema escolar sem os padrões exigidos para ingresso no mercado de trabalho.

Essa forma de inclusão melhora as estatísticas educacionais, mas não garante emprego e acaba excluindo-os desse mercado altamente competitivo. Eis aí o drama do professor!

Leda Fernandes Michellão - pedagoga