Henrique Capriles Radonski, 40, tentará hoje pela segunda vez em sete meses ser presidente da Venezuela. Se sua declaração de que concorreria de novo, emocionada e raivosa, poderia ser resumida como "vou para o sacrifício", um mês depois, o oposicionista está confiante.
E o motivo é que não tem à frente Hugo Chávez --a quem na campanha anterior praticamente não mencionava--, mas o sucessor que ele indicou como candidato, Nicolás Maduro.
Para Capriles, é apenas "Nicolás", um adversário que ele considera possível de derrotar (segundo a pesquisa do prestigiado Datanálisis, ele está a de 7,2 pontos percentuais de diferença de Maduro).
"Naquela oportunidade [em 2012] toleramos muitos abusos, enfrentamos um monstro, todo o poder do Estado, mas enfrentamos um líder que foi eleito pelo povo. Agora enfrentamos uma má cópia e seu desespero por permanecer no poder", disse em entrevista à Folha, por email.
Capriles insiste que o status de Maduro como presidente interino desde que Chávez morreu em 5 de março é "espúrio". Como o esquerdista não havia tomado posse, a interpretação do opositor era que quem deveria ter assumido o poder era o presidente da Assembleia. Também questiona que ele possa ter concorrido a presidente ocupando o cargo interinamente.