09 de julho de 2026
Bairros

Bauru registra 2ª morte por dengue

Luiz Beltramin com Bruna Dias
| Tempo de leitura: 5 min

Reprodução/Éder Azevedo

Belina estava internada há cinco dias: perda

Bauru contabilizou a segunda morte do ano em virtude da dengue. Como a doença evoluiu rapidamente, a família de Belina Gameiro, de 41 anos, moradora do Núcleo Edson Bastos Gasparini, acredita que ela teria contraído a versão hemorrágica, estágio mais grave da doença. A Secretaria Municipal de Saúde apura o caso e afirma que a patologia foi diagnosticada apenas clinicamente.

Ao lado do aposentado Ijailton Antunes de Mattos, de 77 anos, morador do mesmo bairro, morto também pela doença no final do mês passado, a vítima, que deixa marido e dois filhos, engrossa as superlativas estatísticas da dengue na cidade.

Mais que um número, contudo, as vítimas representam um quadro que poderia ser diferente, se medidas preventivas fossem levadas a sério, lamentam familiares de Belina, inconformados com a morte causada por uma picada de mosquito.

“Fala-se muito em números. Não queremos saber se são dez, vinte ou trinta vítimas. Por trás do número tem marido, filhos sem a mãe”, protesta Eunice Costa, tia de Gilberto Colleta, viúvo da vítima, durante velório ontem de manhã.

Belina, que, de acordo com a família, não tinha problemas de saúde, estava hospitalizada desde a terça-feira passada no Hospital da Unimed em Bauru, quando teve diagnosticado quadro de dengue. Conforme os parentes, a doença da mulher seria do tipo hemorrágica.

A tia Eunice Costa: “Fala-se muito em números. E daí?”

A reportagem tentou ter acesso ao laudo com as causas da morte, emitido pela unidade de saúde, mas, segundo a família, eles não tinham recebido o documento até o fechamento desta edição.

Análise

De acordo com a assessoria de imprensa do hospital onde a dona de casa permaneceu hospitalizada, a confirmação oficial da causa da morte depende de exames realizados nos instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, no entanto, o seu caso foi notificado à Vigilância Epidemiológica do município neste fim de semana. O material para análise, informa o setor de comunicação da unidade hospitalar, foi colhido ontem pela manhã.

A dona de casa Belina Gameiro, de 41 anos, suposta nova vítima de dengue hemorrágica em Bauru neste ano, morreu domingo à tarde, no hospital onde estava internada. Casada, mãe de dois filhos (de 17 e seis anos), ela havia sido hospitalizada na terça-feira da semana passada, com os sintomas do mais grave estágio da doença.

Os familiares de Belina, moradora do Núcleo Gasparini, acreditam que o diagnóstico é de dengue hemorrágica. Entretanto, a causa oficial da morte, atestada por laudo médico, ainda não foi apresentada em certidão de óbito, a ser expedida. O filho mais velho da vítima, um adolescente de 17 anos, também está com dengue.


Dor e indignação

Familiares e amigos de Belina não se conformavam com o fato da morte ter sido causada por uma doença cujas medidas preventivas fossem adotadas em massa, seja por poder público e população. Belina é a segunda vítima fatal da dengue não apenas na cidade, mas no Núcleo Gasparini.

O aposentado Ijailton Antunes de Mattos, 77 anos, morto no final de março, também em decorrência da dengue, morava no mesmo bairro. “Fomos informados de que o estágio da doença era o mais grave, com coagulação”, comenta o corretor de seguros Paulo Roberto Pellegrini, 30 anos, primo da vítima.

Nem hospital, tampouco vigilância epidemiológica confirmavam o quadro, ao menos até a tarde de ontem. Filho mais velho de Belina, o estudante Carlos Augusto Gameiro Colleta, de 17 anos, também se diz infectado pelo vírus transmitido pelo aedes aegypti.

No caso do adolescente, afirma ele, os sintomas não seriam tão graves quanto os que vitimaram fatalmente a mãe do rapaz. “Passei mal no mesmo dia, mas não precisei ficar internado”, detalha.

‘Muitos baldios’

Inconformado, o viúvo, Gilberto Colleta, lamentou a falta de cuidados coletivos que, para ele, poderiam ter evitado o contágio de seus familiares. “O foco está lá (Núcleo Gasparini). São muitos os terrenos baldios sem o menor cuidado”, acentua o primo Paulo, que consolava os parentes.

Belina trabalhava em casa. Além dos afazeres domésticos, ela também dividia o tempo com artesanato, que complementava a renda da família. “Ela fazia bolsas e artigos de enxoval, tricô. Tinha a saúde perfeita. A população precisa se conscientizar”, lamenta a familiar Eunice Colleta. “Quem sabe as pessoas não fiquem mais alertas”, almejava a parente, antes do funeral.

Apesar dos casos no Núcleo Gasparini, a cidade toda apresenta áreas com potenciais criadouros do mosquito transmissor da doença, caso do Jardim Higienópolis, que concentra terrenos em que mato, lixo e objetos com água parada representam ameaça para moradores.


‘Estamos fazendo apuração disso tudo’, afirma secretário de Saúde

Desde 2011, é o oitavo caso de morte por dengue em Bauru. Até ontem, a Secretaria Municipal da Saúde contabilizava 2.563 incidências da doença, dos quais 2.553 eram autóctones e 10 importados.

Em entrevista ao JC na tarde de ontem, o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, que é médico infectologista, afirmou que uma equipe da pasta já está cuidando do caso. “Nós estamos fazendo a apuração disso tudo. Uma avaliação médica minuciosa, baseada em exames. Havia uma suspeita clínica de dengue. Nós só vamos dar um laudo definitivo depois dessa avaliação. Ela só foi diagnosticada clinicamente com dengue. Foram colhidos todos os materiais necessários para os exames. Agora temos que aguardar os resultados”.

O titular da pasta lamentou o fato e afirmou que irá apurar o caso com “afinco”. “O que me sensibiliza muito também é porque é uma mulher jovem. Vamos nos debruçar nesse caso com afinco, porque temos que entender perfeitamente tudo o que aconteceu. Será apurado também se ela tinha outro tipo de patologia”, acrescentou Monti.

Segundo Fernando Monti, os sintomas da dengue comum e da dengue hemorrágica são parecidos no início (veja quadro acima). A diferença é que na versão mais grave há um acometimento dos órgãos e o paciente apresenta sangramento nasal e intestinal, por exemplo.

Suporte

“Não existe um tratamento contra o vírus da dengue hemorrágica, apenas um tratamento de suporte para esse paciente. A dengue comum também pode levar a morte porque em alguns casos há perda de líquido, o que pode causar um choque”, finalizou.


Vigilância notifica 810 terrenos no ano

Uma das grandes críticas quando o assunto é dengue são imóveis abandonados e terrenos baldios sujos, que podem se tornar grandes criadouros para o mosquito, pode armazenarem muita água parada. De janeiro a 12 de abril, a Vigilância Ambiental notificou 810 terrenos por mato alto e lixo.

Entretanto, os cuidados dentro de casa também são essenciais. Segundo o levantamento feito pela Saúde, em março foram visitados 14.281 imóveis e desse total foram constatados 456 imóveis que juntos somaram 856 recipientes com larvas do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. Outros 5.511 imóveis encontravam-se fechados e as equipes deverão retornar em horário alternativo.