Carlos Lessa foi o primeiro presidente do BNDES (posse em 17/01/2003) na primeira gestão de Lula. Era professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para onde voltou e até hoje está, após a renúncia ao seu cargo (novembro de 2004). Dizia-se na época de sua desistência que as razões de sua saída foram, mais que discordâncias, suas rebeldias contra a política macro e microeconômicas do ministro da Fazenda Antônio Palocci e, igualmente, contra a política monetária (juros) de Henrique Meirelles, então na presidência do Banco Central. Nomeou-se, em seu lugar, o bom menino Guido Mantega, transferido do Ministério do Planejamento para o lugar que coubera a Lessa.
Dizia-se, ainda, que ele discordava, peremptoriamente, da insistente política oriunda do Ministério da Fazenda e da presidência da República, de que o BNDES colocasse excesso de ovos na insaciável cesta de Eike Batista, naquela época ainda tateando mercados por meio de suas empresas "X", na busca do que fazer e explorar. Lessa, verdadeiro menino rebelde, gostava de dizer que, embora governo, era suficientemente independente nos seus afazeres.
Eis que agora ele aparece na imprensa criticando a ainda insistente ajuda governamental às empresas de Batista, cuja dívida, segundo suas palavras, "é imensa" e com "grande volume prestes a vencer". Será que isso explica as atuais idas e vindas de Eike e Lula mundo afora, atrás de capitalização para o seu grupo EBX? Tudo leva a crer que para o senhor Batista, por aqui, a fonte secou.
Ainda, segundo Lessa, "a realização do PT no campo social é o Bolsa-Família (que eu chamo de Bolsa-Esmola, porque é!) e, no campo econômico, botar o Eike no pódio internacional das fortunas" (Estadão, 10/4). E Luiz Inácio, apenas por amizade dedicada, sai por aí, mundo afora, tentando, solidariamente, ajudar o Eike. Isso sim é que é uma verdadeira amizade desinteressada. Um belo exemplo, não é mesmo?
João Guilherme Ortolan