08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Terror para crianças


| Tempo de leitura: 2 min

Fomos a uma sessão de cinema, meu filho e eu, assistir a um filme de terror e suspense. Uma estória, como tantas outras do gênero, recheada de efeitos de computação gráfica e toda sorte de ruídos e barulhos, de alto nível sonoro, com o intuito claro de derrubar-nos das cadeiras. O filme, tendo como personagens duas crianças abandonadas pelo pai numa cabana, alternava cenas de longa duração de som nenhum, deixando a plateia em suspense, para depois explodir na tela uma aparição e sua respectiva trilha sonora, nada agradável. Tudo corria normalmente até quando num desses momentos de suspense e som mudo, um grunhido de criança começou a vir da cadeira de trás. O grunhido se transforma em lamento, resmungo e finalmente em choro soluçante. Surpreso, achei que o cinema havia colocado caixas de som, espalhadas por debaixo das cadeiras, para dar mais realismo na exibição do filme, transformando o espetáculo em cinema 6D. Bem, ledo engano!

Qual não foi minha surpresa ao ver uma moça de pouca idade tendo ao colo um bebê, com chupeta e tudo, esforçando-se para conter a criança, que justo nas cenas mais silenciosas de puro transe coletivo o bebe chorava, resmungava, tossia, ria e tudo o mais que fazem nesta idade. E o filme proibido para 14 anos. Consultei a gerente do cinema, que apresentou um documento, com a portaria nº 1.100 de 14 de julho de 2006, emitida pelo ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, que simplesmente transfere para os pais da criança a responsabilidade de permitir o acesso a espetáculos, shows, cinema, teatro, etc, mediante o preenchimento de um documento, como os dados dos pais e filhos, assinado pelo responsável e deixado na portaria da casa de espetáculos.

Isso para proibição até 18 anos, ou seja, todos podem entrar, basta o papel. Não existe fiscalização do juizado de menores, o cinema nem sempre cumpre a portaria, que foi o caso desse episódio, pois não localizaram o tal documento a meu pedido e certos pais não estão nem aí, para que seus filhos assistam e nem se podem incomodar outras pessoas. Será que muda algum dia?"

Eduardo Rodrigues