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Vista aérea de um dos pavilhões do antigo complexo do Carandiru |
Um dos juízes que participaram das reuniões que autorizaram a entrada da tropa da Polícia Militar (PM) ao Carandiru (zona norte de SP), o hoje o desembargador Ivo de Almeida disse que não viu nenhum preso sendo executado pelos PMs durante o massacre de 1992, como afirmou nesta segunda-feira (15) o ex-diretor do Carandiru Moacir dos Santos.
O magistrado foi a primeira testemunha ouvida nesta terça-feira (16) a pedido da defesa. Este é o segundo dia do julgamento dos 26 PMs suspeitos de participar de 15 mortes durante o massacre. O júri acontece no Fórum da Barra Funda (zona oeste de SP)
Almeida disse que entrada foi necessária porque a unidade estava fora controle. "Nossa preocupação era manter a integridade física deles. Poderia haver uma carnificina lá dentro", disse.
Almeida afirmou que nenhum civil conseguiu entrar no presídio com a PM. Ainda segundo ele, embora tenha autorizado a entrada, os juízes não imaginavam que o resultado seria aquele. "Não esperávamos um desdobramento desses", disse. "Foram muitos mortos", disse.
O magistrado evitou dizer que houve, porém, um excesso por parte da polícia. "Não dá para dizer que com 111 mortos foi tudo bem."
"O doutor Pedrosa [José Ismael Pedrosa, ex-diretor do Carandiru] me disse que a situação estava insustentável", contou a testemunha sobre o momento da invasão da PM. "O coronel Ubiratan falou para nós que não havia condição para um civil entrar [no presídio]."
Durante o depoimento, a advogada dos réus, Ieda de Souza, fez perguntas que tentavam desconstruir o depoimento do agente penitenciário Moacir dos Santos, que era diretor de segurança e disciplina do presídio, o nº 2 na hierarquia do Carandiru.
Nesta segunda-feira, Moacir afirmou que policiais entraram no presídio atirando e que "gritavam como se fizessem um gol".
Questionado se ouviu esses gritos, Ivo de Almeida respondeu: "Se o seu Moacir viu isso eu não sei, mas do meu lado ele não poderia estar, porque eu não vi isso".
O desembargador também contou que os presos fizeram barricadas para impedir a entrada da polícia.
A segunda testemunha de defesa que será ouvida hoje será o desembargador Fernando Antonio Torres Garcia, à época juiz da Corregedoria dos presídios.