09 de julho de 2026
Nacional

Carandiru: invasão foi legítima, diz Fleury

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

O ex-governador de São Paulo prestou depoimento ontem e afirmou que “a ordem para a entrada (no presídio do Carandiru) foi absolutamente necessária e legítima”. A invasão do prédio ocorreu em 1992, quando ele ocupava o cargo de governador, e resultou na morte de 111 presos.

Fleury foi a quarta pessoa a ser ouvida nesse segundo dia de julgamento e falou por cerca de 40 minutos. Nesse tempo ele disse que a decisão pela invasão do presídio cabia ao secretário de segurança da época, na época do massacre, Pedro Franco de Campos, que será ouvido também na tarde de ontem.

“Não dei ordem de entrada na cadeia, mas se estivesse no meu gabinete, teria dado. A entrada (da polícia) era extremamente necessária”, afirmou o ex-governador. “Quando soube das mortes, afastei de imediato os comandantes da ação e pedi que o Ministério Público apurasse os fatos”, completou.  Questionado sobre a relação do Massacre com o surgimento do PCC, Fleury afirmou: “Se usa essa justificativa para dar glamour à criação do PCC”. “PCC era um time de futebol. Ele se intensificou durante as rebeliões ocorridas no governo do meu sucessor”, afirmou.

“Incontestável”

O ex-secretário de segurança de São Paulo Pedro Franco de Campos afirmou ontem que “a necessidade de entrada da Polícia Militar na Casa de Detenção era absolutamente incontestável”. Ele foi a quinta pessoa a depor ontem.

Campos disse que foi informado pelo coronel Ubiratan Guimarães de que era necessário invadir o pavilhão 9 do Complexo do Carandiru devido à rebelião que acontecia no local. Segundo ele, as autoridades temiam que o confronto entre presos se estendesse também para o pavilhão 8. “Havendo necessidade, o senhor está autorizado a entrar”, disse ele ao coronel que comandou a invasão.

Excesso

O desembargador Fernando Antonio Torres, juiz da Corregedoria dos presídios na época do massacre, disse que houve excesso na ação da Polícia Militar durante a invasão do Carandiru.  “Uma coisa é entrar, outra é resultar em 111 mortes. Não há nexo”, afirmou Torres.