Líderes da oposição venezuelana disseram ontem temer perseguições por causa dos seus protestos pós-eleitorais, enquanto o governo dos Estados Unidos apoiou uma recontagem dos votos na Venezuela e disse que ainda não decidiu se reconhecerá a vitória eleitoral de Nicolás Maduro.
Maduro, que já é presidente interino do país desde a morte de Hugo Chávez, em 5 de março, venceu a eleição de domingo por uma margem inferior a 2 pontos percentuais sobre seu rival Henrique Capriles. A oposição disse haver indícios de milhares de irregularidades, e solicitou uma recontagem completa dos votos.
Oito pessoas já morreram durante protestos liderdos pela oposição, e o governo promete tomar medidas judiciais contra Capriles e outros acusados de incitar à violência contra partidários de Maduro.
Os EUA, que há anos têm uma relação complicada com o governo socialista da Venezuela, disse que ainda não decidiu se irá reconhecer a vitória do herdeiro político de Chávez.
Maduro reagiu acusando os EUA de apoiar diretamente a direita venezuelana “como nunca antes” numa guerra contra o povo e a revolução chavista.
“A intervenção dos EUA nos assuntos internos venezuelanos nos últimos meses, e particularmente durante a campanha eleitoral, tem sido brutal, vulgar”, afirmou ele em discurso transmitido pela TV.
“Sua coordenação direta com a ‘direita amarela’, com os oligarcas, tem sido realmente obscena (...). Tire seus olhos da Venezuela, John Kerry! Fora daqui!”, afirmou.
A diplomacia brasileira e americana explicitaram ontem divergências em relação aos próximos passos do processo eleitoral na Venezuela. O ministro Antônio Patriota (Relações Exteriores) e a embaixadora dos Estados Unidos na ONU (Organização das Nações Unidas), Susan Rice, divergiram, lado a lado, sobre a legitimidade das eleições venezuelanas.