Outro clima
Se na terça-feira o clima para o jogo ainda era discreto, ontem a movimentação já era intensa logo pela manhã no Estádio Heriberto Hülse. A secretaria do clube não parava de receber ligações de torcedores, que queriam saber sobre ingressos para a partida – o Tigre fez uma promoção até as 12h de ontem, em que na compra antecipada, o torcedor levava um DVD com a trajetória do título do Criciúma na Copa do Brasil de 1991.
O assunto
Por todos os cantos, desde o começo do dia, o assunto na cidade era o jogo contra o Noroeste. No final da manhã, parte da imprensa já começava a chegar ao palco da partida, e várias chamadas aconteciam nas emissoras de rádio e televisão da cidade – inclusive com entradas ao vivo diretamente do estádio. No começo da tarde, alguns torcedores já estavam colocando faixas com as cores do clube atrás de um dos gols.
Desdém
A imprensa local e a torcida sabem na ponta da língua tudo sobre o Criciúma. Mas o Noroeste foi tratado quase como um clube desconhecido. Para se ter uma ideia, a cidade conta com quatro jornais diários, e em dois destes periódicos, a ficha técnica da partida trazia Romário e Diego confirmados para o jogo – ambos estão em litígio com o clube e sequer viajaram para o Sul. Algumas colunas chegaram a afirmar que “o Noroeste era fraco”. Logo cedo, muitos jogadores e o técnico Luciano Sato viram as matérias na recepção do hotel – e ficaram incomodados. O treinador fez questão de usá-las para motivar o elenco, afinal, a fase noroestina pode não ser das melhores, mas a camisa centenária sempre pede respeito.
Odisseia
Nove torcedores do Noroeste e o narrador da webrádio Jornada Esportiva e da 87 FM, Rafael Antônio, viajaram de van para acompanhar o jogo. Eles saíram de Bauru na terça-feira à noite e chegaram ontem à tarde em Criciúma. Segundo a própria torcida, foi a viagem mais longa nos 26 anos de história da Torcida Sangue Rubro – cerca de 1.100 km separam a Sem Limites de Criciúma.
Desfalque
A exemplo do gerente de futebol Carlos Alberto Seixas, o massagista Rodrigues e os roupeiros Robertinho e Neno – três dos funcionários mais antigos do clube – não vieram para Criciúma. Os dois roupeiros, devotos de Nossa Senhora Aparecida, sempre levam a imagem da santa, que fica no vestiário do Alfredão, para todos os jogos do Alvirrubro fora de casa. Porém, desta vez, a imagem da Padroeira do Brasil acabou ficando em Bauru.
Personagens
A exemplo do que acontece em Bauru, o centro de Criciúma reúne seus personagens típicos. Um sanfoneiro, por exemplo, tocava na calçada de uma das ruas próximas ao estádio. O ritmo era sempre embalado por músicas italianas - outra forte influência na colonização da cidade, ao lado dos alemães e poloneses. Na esquina do hotel onde o Norusca estava, a “estátua viva” fazia sua performance silenciosa.
O nome na história
Se o estádio Heriberto Hülse carrega o nome de um importante político catarinense, a rua do hotel onde o Noroeste se concentrou leva a denominação de uma personagem marcante da história catarinense: Anita Garibaldi. Ela, que foi esposa do revolucionário Giuseppe Garibaldi, foi figura central na Revolução Farroupilha, no século XIX, que teve como epicentro o Rio Grande do Sul, mas com várias batalhas em solo catarinense, tanto que uma cidade do estado até leva o nome dela.