10 de julho de 2026
Política

Tobias não teme revanche por disputa

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

O deputado Pedro Tobias (PSDB) está convicto em sustentar as bandeiras defendidas por ele à frente do Diretório Estadual da sigla. Uma delas é a de levar o PSDB para as ruas. Durante ato público contra o achatamento das aposentadorias, na manhã de ontem, no Calçadão da Batista, ele esteve presente e disse que pretende fazer com que o partido va para a rua com frequência discutir com a população, em todo o Estado.


Tobias comemorou o resultado da eleição para o comando do PSDB paulistano, realizada na última terça-feira. O candidato ligado a José Serra, Andrea Matarazzo, considerava que tinha a eleição praticamente garantida, mas foi derrotado, abrindo uma divergência interna.


“Foi vitória da militância. Os filiados do PSDB não querem mais saber de decisões da alta cúpula, mesmo com o apoio do Geraldo (Alckmin). Eles querem decidir também”, comentou Tobias.Pedro rechaça ainda a possibilidade de que a derrota serrista no diretório municipal de São Paulo tenha efeitos na eleição do diretório estadual. A convenção partidária está marcada para o dia 5 de maio. Tobias concorre à reeleição da presidência estadual e é próximo a Alckmin.


“Não vai acontecer nada disso porque decisão não via vir de cima. Pela primeira vez, haverá voto direto dos delegados que estão sendo escolhidos, também de forma democrática, pelas coordenadorias regionais”, acredita o tucano.


A derrota de Matarazzo foi articulada por três secretários de Estado de Geraldo Alckmin: Bruno Covas (Meio Ambiente), José Aníbal (Energia) e Júlio Semeghini (Planejamento). Em detrimento do serrista, foi escolhido o ex-deputado Milton Flávio, assessor de Aníbal.


Os comentários de bastidores dão conta de que a articulação da eleição para o diretório antecipa a disputa pela Prefeitura de São Paulo, em 2016. Os três secretários, bem como Matarazzo, são pré-candidatos.


Alckmin criticou o resultado do pleito publicamente e, com mais uma derrota de seu grupo, José Serra já cogita deixar o PSDB e migrar para recém-criado MD, fusão entre PPS e PMN.


Congresso tucano


O PSDB de São Paulo encerrou, neste mês, o congresso partidário que aprovou uma série de propostas de mudanças encaminhadas para o Diretório Nacional, mas que, por acordo, já serão aplicadas na esfera estadual.


A principal delas é a eleição da presidência por voto direto. Essa foi a condição sugerida por Pedro Tobias para que ele disponibilizasse seu nome na disputa, em maio. O secretário José Aníbal já declarou publicamente apoio ao deputado. Outro ponto destacado pelo tucano é a consolidação das coordenadorias regionais. Além disso, o partido decretou a tolerância zero contra militantes acusados de corrupção. “Em 25 anos, o mundo muda e a nossa cabeça muda bastante também”, defendeu.

 

Abaixo-assinado tem 700 assinaturas

O Núcleo Sindical do PSDB organizou ontem um abaixo-assinado contra o fator previdenciário, em ato realizado no Calçadão da Batista, durante toda a manhã. O deputado e presidente estadual da sigla, Pedro Tobias (PSDB), participou e disse que a mesma iniciativa deve acontecer em todo o País, com o objetivo de acumular 1 milhão de assinaturas. Ontem, na cidade, foram coletadas 700.


Coordenador do núcleo, o aposentado Carlos Delfino da Silva (Gardel) diz que o fato previdenciário é prejudicial aos trabalhadores. Na prática, este cálculo tem como objetivo evitar aposentadorias precoces. “Quem poderia ganhar R$ 1.000,00 de aposentadoria, está perdendo uns R$ 300,00”, exemplificou.


Criado em 1999, o fato é aplicado para cálculo das aposentadorias por tempo de contribuição e por idade, sendo opcional no segundo caso. Criado com o objetivo de equiparar a contribuição do segurado ao valor do benefício, baseia-se em quatro elementos: alíquota de contribuição, idade do trabalhador, tempo de contribuição à Previdência Social e expectativa de sobrevida do segurado.


Tobias explica que, há dois anos, entendeu a importância de promover a aproximação entre o PSDB e setores sindicais. “Devem ser a base de nosso partido. É impressionante. O governo diz que falta dinheiro para acabar com este fator previdenciário. Tem dinheiro para tudo, mas quando é a vez do trabalhador, não sobra nada”.


O ato realizado ontem pediu ainda o fim do trabalho escravo e a recuperação das perdas salariais dos aposentados.