Embalado pelos ritmos de samba-enredo, samba-reggae e até funk do grupo percussivo Ouro Verde 100% Arte, o cortejo de bonecos gigantes deu início ao Festival Internacional de Teatro de Bonecos, que segue até o próximo sábado.
O desfile, literalmente, abriu alas para a temporada de atrações e promoveu um Carnaval fora de época na manhã deste sábado, no Calçadão da Batista. Hoje, às 10h, é os bonecos da Cia dos Ventos, de Curitiba (PR), estarão na avenida Getúlio Vargas.
Os gigantes têm origens em tradições religiosas seculares que foram incorporadas pela cultura popular. No Brasil, são muito comuns durante o Carnaval. No entanto, além do tamanho, os bonecos da companhia paranaense não se assemelham com os pernambucanos de Olinda.
“Como somos de teatro, valorizamos a movimentação e a expressão corporal dos atores. Esses bonecos são manipulados por uma pessoa só e interagem com o público. Buscamos a magia dos bonecos nas ruas”, explica a bonequeira Tadica Veiga.
Ela é criadora dos gigantes que tomaram o Calçadão neste sábado e já foram utilizados no desfile do bloco carnavalesco curitibano Garibaldis e Sacis. Em cada ano, o desfile tem um tema.
“Trouxemos a A Bela e a Fera, o Gênio do Aladdin e o Gepeto [criador do Pinóquio] do nosso Carnaval sobre os contos de fadas. Tem também o Charles Chaplin, do desfile sobre os sonhadores da paz e ainda o Ciclope dos seres mitológicos”, conta.
Os bonecos, é claro, encantaram as crianças que passavam pela Batista. Antes do cortejo, durante a concentração na praça Machado de Melo, Yasmin Batista, 5 anos, fez questão de chegar perto de cada um deles. “Adorei a Fera”, exclamava.
Alice de Oliveira Tavares, 8 anos, e Guilherme Prado Figueiredo, 9 anos, cumprimentavam cada um dos bonecos do desfile. “Os personagens de desenhos animados são os mais bonitos”, revelou a menina, que é de São Vicente e está passeando em Bauru.
Já a pequena Jeniffer Souza Pereira, 5 anos, adora Carnaval e ficou animada com a batucada do Ouro Verde 100% Arte. Ela acompanhou todo o cortejo sambando ao lado dos bonecos gigantes.
Trabalho rápido
Tadica Veiga conta que precisa de, aproximadamente, 10 dias para criar cada boneco, com o auxílio de uma costureira, um responsável pela construção da estrutura em alumínio e dois assistentes. “Como as pessoas só pensam no Carnaval depois do ano novo, tivemos que encontrar formas de agilizar o trabalho”.
A bonequeira atua no ramo desde 1974, mas começou a confeccionar os gigantes em 1998, após ajudar no resgate das tradições do Carnaval da cidade de Antonina (PR), no qual um dragão gigante emerge do mar. Trabalho duro também para os atores que carregam os bonecos que pesam entre 10 e 15 quilos como se fossem mochilas. O ator e diretor de teatro bauruense Marco Giafferi manipulou o boneco do Saci e diz que a maior dificuldade é a falta de estabilidade provocada pelos gigantes. “É muito alto. É quase um contorcionismo”, brinca.
Mascote
O bonequeiro argentino Marcelo Pablo Fernandez confeccionou o boneco mascote do festival em cinco dias. Maior do que todos os outros, o gigante – ainda sem nome – exige três pessoas em sua manipulação. Na manhã de ontem, o artista participou do cortejo mesmo tendo fraturado a clavícula em uma queda na noite de sábado. “A festa está muito bonita”.
Serviço
Boneco Gira Boneco – Festival Internacional de Teatro de Bonecos” (20 a 28/4).
Patrocínio: Jornal da Cidade, 96 FM.
Realização: Prefeitura Municipal de Bauru, Secretaria Municipal de Cultura, Oficina Cultural Regional Glauco Pinto de Moraes, Poiesis, Governo do Estado de São Paulo, Mariza Basso Formas Animadas
Projeto Aprovado: Lei de Estímulo à Cultura, Iberescena - Fundo de Ajuda para as Artes Cênicas Ibero Americanas
Parceria: ATB Associação de Teatro de Bauru e Região, Sesi, TV Preve, Polvo Produtora, rádio Auri-Verde, Bauru Painéis, Bauru Outdoor
Apoio: Sesc
Detalhes: (14) 3202-7540. Endereço na Internet: www.bonecogiraboneco.blogspot.com