A pauta desta segunda-feira (22) da Câmara Municipal de Bauru tem apenas um projeto de lei em discussão, que não deve gerar grandes embates. Apesar disso, alguns vereadores temem que essa sessão seja uma das mais turbulentas, pois será votada a moção de repúdio ao deputado federal – e pastor evangélico - Marco Feliciano, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal, acusado de proferir declarações homofóbicas, racistas e sexistas.
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Reuters |
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Entidades evangélicas barraram mobilização de pastor – e presidente do PSC - que pretendia levar três mil à sessão |
O receio é de que, durante os trabalhos, haja tumulto entre evangélicos e militantes contrários ao parlamentar-pastor. Manifestantes de ambos os grupos devem ocupar as galerias do plenário para pressionar a votação à proposta que partiu da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal, composta por Fabiano Mariano (PDT), Markinho da Diversidade e Roque Ferreira (PT). O texto, porém, já foi assinado também por Faria Neto (PMDB).
Uma grande mobilização evangélica estava sendo organizada pelo pastor Celso Nascimento, da Igreja do Evangelho Quadrangular. Ele é presidente do PSC, partido de Feliciano, em Bauru. O primeiro ato contra o deputado federal na cidade aconteceu em frente à sua casa, onde também é a sede municipal da sigla.
A ideia era levar mais de 3 mil evangélicos para darem um abraço simbólico no prédio da Câmara. Para isso, estavam sendo disponibilizados mais de 80 ônibus. “Não queremos defender pessoas, mas a família. Por conta disso, com certeza, teríamos adesão de outras religiões”, afirma Nascimento.
No entanto, até o fim da tarde de ontem, a mobilização estava suspensa após intervenção do Conselho de Pastores Evangélicos de Bauru, a pedido de parlamentares adeptos da religião, que temem um embate mais acalorado. “Desistimos disso por enquanto porque, dos dois lados, sempre tem gente com os ânimos mais acirrados”.
Quem vai?
Celso, porém, estará presente, bem como lideranças da União Pastoral de Bauru e do conselho de pastores. Há duas semanas, representantes dessa entidade já visitavam gabinetes do Legislativo pedindo que vereadores votassem contrariamente à moção.
Por outro lado, também estão sendo esperados militantes contrários a Feliciano na sessão de hoje. Em Bauru, já aconteceram dois atos pedindo a saída do pastor da presidência da Comissão de Direitos Humanos. Na primeira delas, a mobilização deixou claro que a bandeira do grupo não era antirreligiosa, mas sim, contra as posturas do pastor enquanto político e cidadão.
No último sábado, o pastor Reinaldo Bráz organizou uma passeata pró-Feliciano no Calçadão da Batista. O ato reuniu, aproximadamente, oito pessoas.
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Neide Carlos |
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Vereador Markinho da Diversidade idealizou o texto que deve ser votado em sessão nesta segunda-feira |
Vereadores
Sandro Bussola (PT), Arildo Lima Júnior (PSDB), Natalino da Pousada (PV), Paulo Eduardo de Souza (PSB) e Roberval Sakai (PP) são os cinco vereadores evangélicos de Bauru. Eles vão se reunir na manhã de hoje, na tentativa de fechar um acordo para que sejam evitados confrontos na tribuna. O petista, enquanto presidente, não vota, livrando-se de uma saia justa diante das posições históricas de seu partido.
O JC apurou que Renato Purini (PMDB) e Telma Gobbi (PMDB) já sinalizaram que votarão contrariamente à moção. Fernando Mantovani (PSDB) tinha condicionado seu apoio à ampliação do texto, pedindo também o afastamento de José Genoíno (PT) e João Paulo Cunha (PT) da Comissão de Justiça da Câmara Federal. Ambos foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no caso do Mensalão.
Direitos
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Bauru criou sua Comissão da Diversidade. Todas as pessoas que forem vítimas de preconceito, discriminação ou homofobia poderão obter informações sobre como proceder pelo telefone (14) 3227-3636 ou pelo e-mail assismoreira@adv.oabsp.org.br. O grupo é presidido pelo advogado Júnior Assis.
O que Feliciano já disse:
Africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé. Isso é fato”
(Via Twitter, 31 de março de 2011)
“Depois da união civil, virá a adoção de crianças por parceiros gays, a extinção das palavras pai e mão, a destruição da família”
(Via Twitter, 20 de janeiro de 2013)
“Nunca me passou pela cabeça presidir a Comissão de Direitos Humanos, mas agora, com tanto ataque, deu até vontade”
(Via Twitter, 28 de fevereiro de 2013)
“A podridão dos sentimentos dos homoafetivos leva ao ódio, ao crime, à rejeição”
(Via Twitter, 31 de março de 2011)
“Quando você estimula uma mulher a ter os mesmos direitos do homem, ela querendo trabalhar, a sua parcela como mãe começa a ficar anulada (...) ou ela não se casa, ou mantém um casamento, um relacionamento com uma pessoa do mesmo sexo”
(Entrevista ao livro Religiões e Política, Junho de 2012)
“A Aids é o câncer gay”
(Congresso dos gideões e missionários, Setembro de 2012)