09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Afinal, quem foram os maus noroestinos?


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Numa dessas semanas que passou, João Jabbour, num texto de inaudita declaração de noroestino apaixonado, expôs toda sua indignação com a situação vexatória do outrora histórico time futebolístico que reinava, como campeão de fato e de direito, por toda extensão ferroviária até as portas da vizinha Bolívia. Tenho certeza de que, idosos caquéticos, porém também apaixonados noroestinos, ficaram "babando" quando perceberam a maestria com que Jabbour regia o teclado para nos apresentar tal peça jornalística. Porém, leitura vai leitura vem, num determinado momento Jabbour vacilou na magnífica história. Deixou de mencionar, como fazem grandes jornalistas (de Élio Gaspari a Clovis Rossi, Mino Carta a Wálter Fanganiello Maierovitch, Ricardo Kotscho a Ricardo Noblat), dentre outras centenas que nos mantém informados a nível nacional e internacional, enquanto Jabbour, não obstante, considerando suas limitações burocrático/administrativas num jornal regional, e dentro exatamente desse paradoxo, afirmou que o Noroeste foi presa fácil de aproveitadores que no decorrer de sua gloriosa história foram exaurindo, ano após ano, gestão após gestão, sua capacidade financeira de crescer cada vez mais.

Os jornalistas que mencionei acima não são daqueles que titubeiam quando sabem de algum malfeito praticado por homem público seja ele de que nível for. O nome do malfeitor é estampado nos seus textos e colunas sem que nenhum rabo lhes abane. Ainda mais sendo presidente ou ex-presidente do ex-glorioso ECN de Bauru, que agora, na Terceira Divisão, pouco oxigênio terá para enfrentar uma Segundona para em seguida ousar retornar à Divisão de Elite que o mesmo Linense representa para irmos só até Lins. Ademais, tenho minhas dúvidas se a sociedade provinciana será novamente convocada a colaborar como tem feito nos últimos 100 anos... já que a nudez do clube foi exposta de forma explícita, como nunca ocorreu em toda sua história, e ainda mais agora que essa sociedade que nunca negou seu dízimo ao clube do coração ficar sabendo que alguns espertos e com a mão de gato se valeram dos cofres do Vermelhinho e se fartaram até morrer.

Sugiro ao Jabbour e ao também jornalista Leonardo de Brito a leitura da matéria publicada na edição de ontem (21 de abril) no Estadão no caderno "Esportes-pág.E5". O título e o texto da matéria dá bem a ideia do que deve ter ocorrido com o nosso Norusca. Que tal uma pesquisa profunda e séria, onde existem as possibilidades de ressuscitarem ladrões de outrora e aguardarmos aqueles que ainda estejam vivos, porém ainda usufruindo daquilo que sempre pertenceu ao clube? E por falar em futebol, nossa provinciana imprensa não abriu o bico para recordar as estripulias que o atual presidente da CBF andou aprontando na sociedade local quando aqui aportou como vice-governador de Paulo Maluf, hoje deputado federal, cujo mandato não vale absolutamente nadinha fora do Brasil, já que está proibido de botar suas patinhas no exterior, dado sua condição de procurado pela Interpol. Vivo de preferência... Será que o também deputado federal Romário desconhece essa história? Deveria conhecê-la.

Nicanor Amaro da Silva Neto